O fim de tarde mais quente em meses, e eu permaneci usando meu moletom azul. Gabriel atendeu a porta me olhando misteriosamente.
— Toma. — ele estendeu um prato com uma fatia de bolo de cenoura em cima.
— Então não comeu tudo com sua sugar mommy? — brinquei, pegando e dando a primeira mordida.
— Para. — ele gargalhou. — Tive que guardar um pedaço pra você, né?
O garoto sentou-se ao meu lado e me observou comer. Sua presença amenizava minha tristeza, mesmo que minimamente. Era alguma coisa, fazia diferença.
— Que calor... — comentei sem pensar, pondo o prato na mesinha de centro.
— Devem ser essas mangas longas. — Gabriel falou olhando pro chão.
— Fazer o que? Muita preguiça de voltar pra casa e trocar de roupa.
— Considerando que sua casa fica em frente à minha... — ele franziu a testa.
— Pois é, qualquer coisa básica exige um esforço enorme da minha parte. — sorri melancolicamente. Ele percebeu e me fitou paralisado. — O que?
— Tive uma ideia. — Gabriel murmurou, levantando.
— Qual...? — arregalei os olhos.
— Vem. — ele segurou minha mão e nós saímos do apartamento. — O dia é bem melhor pra dar passeios e desfrutar as ruas, mas como ele já tá acabando...
Descemos até o térreo de elevador e eu pude ver o pôr-do-sol. O céu incrivelmente bonito e alaranjado, mas ao mesmo tempo escuro.
— A piscina?! — exclamei quando chegamos na mesma.
— Tá calor, Rosa. E aliás, não tem ninguém aqui, tem? — Gabriel começou à tirar sua roupa, ficando apenas de bermuda.
— É, mas... — procurei uma justificativa plausível, até que percebi que não existia uma sequer que pudesse me impedir. — A água tá como? — perguntei quando ele mergulhou.
— Confira você mesma. — ele gesticulou pra eu checar.
Ao sentir a frieza deliciosa e refrescante, perdi parte da insegurança e tirei minhas roupas, posteriormente mergulhando de calcinha e sutiã.
— Você não olhou não, né? — o provoquei quando tirei a cabeça da água, respingando um pouco em seu rosto.
— Será que olhei? — Gabriel sorriu maliciosamente e meu semblante se indignou. Me preparei pra iniciar uma guerra infantil, mas ele levantou os braços em rendição. — Rosa, calma...! Só brincadeirinha.
Rimos.
— Eu tava precisando disso... — fechei os olhos após um tempo e relaxei meu corpo.
— É, eu também. — ele fez o mesmo. — Cê sabe nadar?
— Mais ou menos. Por que? Vai propor uma competição? — brinquei.
— Talvez. — Gabriel me fitou sugestivamente.
— Ah, não. — neguei com a cabeça e ele se aproximou.
— Vai, por favor! — o rapaz insistiu, pondo as mãos na minha cintura. Eu segui negando. — Você é chata, Rosa.
— Me fala algo que eu não sei.
— Merda, escolhi o comentário errado. Era pra você dizer que não é chata...
— Isso nunca vai acontecer. Mas tente de novo. — dei um meio sorriso.
— Você é incrivelmente legal, Rosa.
Meu rosto paralisou.
— Então tá. — segurei minha reação. Na mesma hora ouvi um barulho e olhei por trás dele. — Abaixa, rápido.
Com nossos corpos quase inteiros por baixo d'água, vimos meu pai e Isadora irem em direção ao estacionamento. Eles conversavam entretidos e pareciam alegres.
Isso acabou comigo. De repente aquela sensação de vazio retornou. Quando os dois se foram, eu passei uns segundos imóvel.
— Rosa? — Gabriel me chamou.
— É melhor eu ir. Vão estranhar minha ausência e... — falei em desânimo. — E eu tenho que cuidar da Isadora.
— Certeza? — ele mordeu o lábio.
— Sim, mas brigada. Foi divertido. Conseguimos me animar. — me inclinei para abraçá-lo e ele retribuiu.
— Tenha uma boa noite. — o garoto depositou um beijo molhado na minha testa e logo depois eu saí da piscina.
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coração inválido [mount]
Fanfictiononde rosalinda gosta de escrever e gabriel gosta de viver.
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