parte 45.

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Thalita e eu nos sentamos num dos sofás da livraria. Com minhas pernas tremendo de ansiedade, eu esperava ela terminar de ler.

— Acabei. — a mulher mordeu o lábio, ainda olhando pro papel.

— E então? É boa? — perguntei, nervosa.

— Não. — ela respondeu com os olhos semicerrados, o que me deixou confusa e triste ao mesmo tempo. — Rosa, não pergunte se é boa. Você sabe que é. Nós duas sabemos.

— Sério? — quase gritei.

— Sério. — Thalita sorri. — O que acha de nos juntarmos pra transformar essa história num livro?

Dessa vez quem sorriu fui eu.

— Eu adoraria. — não consegui conter minhas expressões de felicidade. — Você me explica tudo? Eu não entendo muito sobre.

— Claro que explico.

Ficamos mais umas duas horas ali, conversando e discutindo sobre o processo. Thalita me disse os passos que daríamos, os lugares que eu frequentaria, as escolhas que teria que fazer, e eu não podia estar mais contente.

Depois ela me apresentou o coordenador da editora em que trabalha. Ele também leu minha história e aprovou. Me deu umas dicas pra não falhar no meu primeiro projeto e eu escutei com atenção.

— E o Gabriel? Não pôde vir? — Thalita perguntou enquanto dávamos um passeio pelo shopping.

— Ele tava cansado. Deixei ele em casa pra tentar dormir.

— Vocês moram juntos?

— Não, mas somos vizinhos. Então é quase como se morássemos juntos.

— Entendi. São um casal muito bonito. Eu não lembro dele ter me apresentado uma namorada, antes. — ela gesticulou pra sentarmos num banco, e assim fizemos.

— Eu gosto muito dele. — olhei pra baixo, um pouco emocionada. — Na verdade, eu amo ele. — dei ênfase em "amo."

— Que gracinha. — Thalita sorriu docilmente. — É seu primeiro namorado?

— É. Viramos amigos quando ele se mudou pro prédio. Ele me ajudou muito e aos poucos, meus sentimentos foram...aumentando.

— Relacionamentos assim são raros. Imagino que houveram barreiras, né? — afirmei com a cabeça. — É só focar no que realmente é importante. Ser honesta, ter confiança, amar sem medo.

— Engraçado pensar assim...

— Por que?

— Até a gente começar à se envolver, eu queria morrer. Literalmente. E agora, eu penso em tudo menos em morte. — à olhei séria. — Aquele garoto me salvou de muitas maneiras.

— E você na certa salvou ele, também.

— Acho que não. O Gabriel já era de bem com a vida quando nos conhecemos. O otimismo dele é uma coisa absurda. — dei risada.

— Se ele tá contigo, é porque você transmite algo muito bom pra ele. E vice-versa. — ela tocou na minha mão, acolhedora. — Dá pra ver que ele te apoia muito. Torço por vocês.

— Valeu, Thalita. Foi uma boa conversa.

— Também acho. Você já tem que ir?

— Acho que sim. Precisa de alguma coisa? — levanto, ajeitando minha bolsa no ombro.

— Não. Vá tranquila, Rosa. Já tem meu telefone, qualquer dúvida é só ligar ou mandar uma mensagem.

— Ok. Brigada, de novo.

Nos abraçamos e eu caminhei em direção à saída.

Caralho, como é bom resolver as coisas sozinha, com pessoas simpáticas por perto. Me sinto renovada, satisfeita, feliz. Muito feliz.

reta final, meus bolos de cenoura 😫
não sei exatamente quantos capítulos restam, mas creio que não passam de 10.
essa fic é bem especial pra mim, tem um lugar enorme no meu coração. escrevendo a conversa da rosa com a thalita, eu pensei bastante sobre o assunto debatido.
minha falecida gatinha lupita foi quem me salvou de muuuitas maneiras, incluindo a morte.
saudade dela <3 aproveitem muito o tempo com os bichinhos de vocês, hein?

coração inválido [mount]Onde histórias criam vida. Descubra agora