parte 31.

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— Você é criativa, vai pensar em alguma coisa. Eu confio. — Gabriel põe as mãos no meu rosto, e eu sinto meu coração acelerar. — Afasta ele dali.

Concordei e caminhei em direção ao Nado.

— Moço? Pode me ajudar? — falo a primeira coisa que me vem à mente.

— O que foi? — ele resmungou, tragando a fumaça. — Ei, você não é a filha da Ivana e do André?

— S-Sou, sim.

— Ah, tá. Quer ajuda com o que?

— ...É que eu tava atravessando a rua e um grupo de crianças passou por mim.

Meu Deus, eu sou péssima nisso.

— E?

— E uma delas pegou o dinheiro que eu tava segurando.

— Isso foi agora?

— Foi. Agora mesmo. Elas correram pela praça e se esconderam, eu bem tentei alcançar, mas... — forjei uma voz abalada.

— Calma, não é pra tanto. Devem estar bem longe daqui à essa altura... — Nado levantou e olhou em volta. — Se vire sozinha. — ele sentou novamente.

— Mas eu te pedi ajuda!

— Eu não sou policial, menina. Fale com qualquer idiota e veja se ele tem paciência pra isso. — o velho seguiu fumando e eu olhei pra trás, mas não vi Gabriel.

— Por favor. O que custa? Eu tô desesperada! Meus pais vão me matar se descobrirem que eu não tenho mais o dinheiro. Era pra uma coisa importante. Por favor, seu Nado, por fav-

— Chega! Tá bom, vamo logo com isso! — ele jogou e apagou o cigarro no chão.

Andamos alguns metros à procura das supostas crianças, eu aproveitei pra enrolar o homem com um pouco de drama. Teve um momento em que enquanto ele se distraía, eu parei pra espiar.

E lá estava Gabriel, abrindo a gaiola. Eu vi o pássaro sair voando e meu amigo sinalizar positivamente.

— Acho que o senhor tinha razão. Elas devem estar longe. — abaixei a cabeça e escutei o velho bufar.

— Ou seja, perdi meu tempo. Com licença. — ele deu meia volta e andou apressado até o banco.

Fiquei parada até que Gabriel apareceu. Nós nos afastamos um pouco do ponto e eu o abracei.

— Ele vai ficar muito puto. Foi um grosso comigo. — falei com nossos corpos juntos até demais.

— Sério? Devíamos ter trocado as funções, então.

— Não. Ele seria bem pior com você. Foi melhor assim. Eu me atrapalharia toda! — gargalhei e ele olhou pra minha boca.

Estávamos próximos à uma árvore enorme. Ao nosso redor, várias flores amarelas caídas pela terra. Gabriel engoliu seco algumas vezes. Ele parecia estar se preparando pra falar alguma coisa. Ou seria "fazer"?

— Rosa... — o garoto suspirou, um pouco sem graça.

Não consegui responder, pois me encontrava paralisada. Bem ali, naquele momento. Ele se acercou e colou nossas bocas, iniciando um beijo. Na verdade, o beijo. Meu primeiro.

E foi inesquecível.

— Você tá tremendo. — sorri em meio ao ato, ainda sentindo sua mão na minha.

— É, digamos que eu tô um pouco nervoso. — Gabriel riu baixinho, nossas testas coladas. — Desculpa, mas eu precisava fazer isso.

— Não precisa pedir desculpa. Eu tava esperando.

— Tudo bem? — ele beijou a ponta do meu nariz, me fazendo carinho.

— Tudo. — olho em seus olhos, me encontrando neles.

Até então tudo parecia ter parado junto com nós dois, mas algo aconteceu. O que já era de se esperar, já que foi o que causamos. Ouvimos Nado dar repetidos chutes na gaiola vazia, assustando todo mundo ao redor. Ele tinha surtado, mas não parecia triste, e sim revoltado.

Saímos correndo na mesma hora.

coração inválido [mount]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora