Aproveitei o calor pra descer até o térreo e escrever próxima da portaria. Após uns trinta minutos sentada no banco, ao olhar vagamente pra rua através das grades do muro, avistei Marcelo.
Ele se apoiou e gesticulou pra mim.
Olhei para os lados e fui até o homem com má vontade.
— Oi, Rosa.
— O que você quer? Tá proibido de vir aqui. — falei diretamente.
— Eu sei. Mas preciso falar com você. — ele pressionou os lábios, incomodado.
— Eu não. — dou de ombros.
— Bom, você talvez precise ouvir o que tenho pra dizer. — Marcelo falou convencido e eu juntei as sobrancelhas. — Qual é, Rosa. Por favor. Se quiser, depois eu sumo da sua vida.
— Tá. — revirei os olhos e esperei ele começar. — Diga!
— Aqui, assim? Com um muro nos separando?
— Ué, cê prefere ir numa lanchonete? Faça-me o favor.
— Ok, então pode ser na praça? Terão pessoas ao redor, você não vai ter o que temer.
— ...Tá bom. — andei até o portão e avisei ao seu Carlos que iria sair.
Quando chegamos na praça — felizmente movimentada, eu me sentei em um banco e segundos depois, Marcelo fez o mesmo.
— Desculpe por tudo o que eu fiz. — ele pediu enquanto eu permaneci de cara virada. — Tudo mesmo.
— Eu já entendi. — quase o interrompi, enfim o olhando. — É isso o que eu talvez "precise" ouvir? — debochei.
— Rosa-
— Você não se arrepende, porque ainda tá com a minha irmã. Como explica isso?
— Você se importa? — ele franze a testa.
— Isadora pode ser uma imbecil em todos os sentidos, mas ela ainda é minha irmã. — disse com dificuldade. — Vocês devem se merecer, quem sabe...
— Bom, eu...eu sei que disse aquilo. No dia da confusão toda, lembra?
— Não, não lembro.
Na verdade, eu lembro sim.
— Eu disse que te amo. Amava. Enfim. — Marcelo quase gagueja. — Era mentira.
— Claro. Você não me conhece. Não tem como me amar. — rebati.
Nem mesmo a própria Isadora ele ama.
— Provavelmente é uma paixão passageira. Algo superficial, físico...eu tenho ciência disso. Na hora saiu sem pensar, não teve sentido nenhum...
— Seu babaca. Sabe o que isso é? Uma fantasia típica de homens como você. Por que caralhos ainda tá com ela? Pra iludir a garota? Gastar o tempo? Brincar com uma cega? — resmunguei, ele se calou.
— Sei lá.
O que merda esse cara tem na cabeça?
— Aham.
— Espera, você tá muito preocupada com isso. Certeza que é só por conta da sua irmã? — Marcelo dá um leve sorriso de canto, e eu sinto vontade de vomitar.
— Você me dá nojo, é por isso também. — me afasto. — Nunca que eu gostaria de você, ainda mais depois de tudo isso. O Gabriel é o meu namorado. Eu não trocaria ele por nada nem ninguém. — dei ênfase no nome do garoto.
— Eu entendi.
— Já acabou? — levantei e cruzei os braços.
— ...Creio que sim. — ele engoliu seco. — Quer que eu suma, agora?
— Quero. E não só da minha vida, mas da vida da idiota da minha irmã. — o encaro fixamente, ele assente com a cabeça. Pelo menos pareceu sincero. — Vê se tenta fazer umas boas ações. É o mínimo.
Saí em seguida. Ao voltar pro prédio, desejo esquecer essa conversa pra sempre.
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coração inválido [mount]
Fanfictiononde rosalinda gosta de escrever e gabriel gosta de viver.
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