parte 44.

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Dois dias se passaram e eu ainda me pergunto se o Gabriel acha que esqueci completamente do nosso encontro com a Thalita, na livraria.

Talvez ele só esteja esperando meu tempo. Tudo ficou tenso depois da confusão com o Marcelo.

— Posso entrar? — o de olhos azuis questionou ao aparecer na porta do quarto e me ver na cama, escrevendo.

— Claro que pode. — assenti, dando batidinhas no colchão, gesticulando pra ele chegar perto. — Desde quando precisa de autorização? A casa é sua.

— Sei lá. — sentou ao meu lado e deu de ombros.

Ele tá triste?

— O que você tem? — coloco minha mão em seu rosto cabisbaixo.

— Pior que eu não sei, mesmo. — Gabriel dá risada. — Deve ser porque dormi pouco essa noite. — ele esfregou os olhos, tentando despertar.

— Consegue ir comigo na livraria? Ou a gente deixa pra amanhã? — acariciei sua pele.

— Consigo, sim. — ele sorriu.

— Nunca te vi assim.

— Assim como?

— Triste.

— Eu não tô triste. — ele virou a cara, fingindo ofensa.

— Hm. — levanto uma sobrancelha, em reflexão. — Acho que eu vou sozinha, então.

— Por que?

— Assim você dorme.

— Mas Rosa, eu disse que consigo. — Gabriel afirma, seu tom firme, mas nem tanto.

— E eu também. Já conheço a Thalita, não vai ser difícil. — fechei meu caderno e coloquei no móvel ao lado, junto da caneta.

— Tá bom. Qualquer coisa me liga. — ele me beija e logo se deita.

— Vou tomar banho e me trocar em casa. Quer alguma coisa antes de eu ir? — perguntei, já de pé.

— Quero. — o garoto puxa meu punho, me fazendo cair por cima de seu corpo. Interrompendo minha gargalhada, ele me beija forte. — Pronto. Pode ir.

— Até depois. — rocei nossos narizes e dei-lhe um selinho antes de sair.

Ao voltar pro apartamento dos meus pais, só dei de cara com minha mãe na sala, comendo em frente à televisão. Ela me cumprimentou e eu contei onde iria e porquê.

— Que bom, minha filha. — Ivana sorriu e seus olhos ficaram vermelhos.

Conversamos por mais um minuto e eu fui pro banheiro. Depois de me aprontar e passar pelo quarto, reparei que Isadora não tava. Por que eu tô preocupada com isso?

— Mãe, cadê ela? — pus minha bolsa no ombro e chequei se tinha pego o outro caderno com a história, próxima do sofá. — Aula de braille?

— Não. Tá com o idiota, lá. Eu bem tentei impedir, mas Isadora é maior de idade. Ela sabe muito bem o que faz.

— Ou acha que sabe. — murmurei. — Bom, tô indo. Beijo. — acenei me despedindo e ela retribuiu.

coração inválido [mount]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora