Celular

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Alice narrando

Depois da conversa nós finalizamos o almoço.

Recolhi os pratos da mesa, os levei até a pia e comecei a lavá-los.

Quantos terminei sai da cozinha e ia em direção ao meu quarto, quando avistei o delegado sentado no sofá com uma sacola nas mãos.

- Achei que estivesse dormindo- Comentei fazendo a atenção do mesmo cair sobre mim.

- Já vou, mas antes...queria te entregar algo- Me estendeu a sacola.

Peguei a mesma e tirei uma caixa média de dentro da mesma. Encarei o presente seria e olhei para o moreno a minha frente.

- Não posso aceitar- Digo colocando o celular na sacola e devolvendo ao mesmo.

- Você não tem escolha. A loja não aceita devolução e eu não aceito que negue um presente MEU- Disse calmamente dando ênfase na última palavra.

- Matheus...- O encarei sem graça.

Eu não podia aceitar esse presente.

E nem precisava, não sentia muita falta do aparelho celular.

- Qual é? É um presente como qualquer outro. O seu não tinha mais jeito e você não pode ficar sem se comunicar na rua- Explicou me encarando com braços cruzados.

- Mesmo assim! Não posso aceitar- Digo ainda segurando a sacola em direção ao mesmo.

- Não aceito que me devolva- Falou firme.

- Então eu pago ele...- Digo com a intenção de ir ao quarto e lhe pagar com o dinheiro do cheque.

- Negativo. Presente não se devolve e nem se paga- Falou com rosto relaxado.

Olhei para a sacola em minhas mãos, olhei para ele, olhei novamente para sacola e depois para ele, olhei para Jack que encarava a situação com o rabo balançando e por fim olhei para o delegado que tinha um sorriso vitorioso no rosto.

Essa praga sabia que iria me convencer.

Andei até o mesmo e lhe dei um abraço forte de agradecimento.

- Obrigado- Sussurrei baixinho.

- De nada florzinha- Sussurrou de volta, acariciando meu cabelo.

Ficamos assim por 5 segundos até eu sair daquele maravilhoso e quente abraço.

- Agora vá descansar, está parecendo um zumbi- Digo autoritária.

- Sim senhora- Diz firme seguindo para o quarto marchando como soldado do exército.

Esse delegado...

[...]

Depois de configurar o celular e colocar o novo chip eu baixei alguns aplicativos e já fui logo adicionando o número do delegado, Paulo, Clara e Dona Rô.

A tarde eu fiquei descansando na cama. Pensado sobre a vida.

Me lembrei de algo que eu poderia usar fazer para ajudar no processo contra Gabriel.

Eu precisava de testemunhas e ninguém sabe mais como era minha vida com aquele infeliz do que dona Maria.

Ela era uma vizinha que morava na casa do lado da nossa. Sempre escutava as nossas brigas e chamava a polícia. Dona Maria via os hematomas que eu carregava no corpo e sempre tirava foto das mesmas.

Ela dizia que guardaria para quando eu perdesse o medo de enfrentar meu ex e o denunciasse.

Graças a ela eu tive o contato do dono da casa que eu fiquei aqui em SP assim que fugi. Mas só isso, nunca quis meter ela na minha fuga.

Do jeito que Gabriel é perturbado e violento, iria sobrar para aquela pobre senhora.

Procurei no Google maps o número de sua casa para confirmar e tirei print.

Assim que Matheus acordasse e Paulo viesse jantar aqui, eu falaria essa ideia para eles. Gostaria de saber suas opiniões.

Enquanto esse momento não chega eu vou tirar um cochilo.

Meu DelegadoOnde histórias criam vida. Descubra agora