Quinze

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Mais uma semana tediosa se passava, não vi mais Rodolffo direito depois do nosso beijo, e eu estava decidida em pedir para que ele me deixasse fazer alguma coisa para preencher meus dias, não sabia por quanto tempo ficaria aqui, e sempre tive o desejo de fazer faculdade.

Eu ainda tinha pesadelos com o que eu passei nas mãos de Arthur, e um dos meus desejos era descobrir mais sobre aquela gangue e colocá-los na cadeia. Além de resgatar as meninas que eram escravizadas por eles.

Pesquisei um pouco sobre a agência, e ela realmente parecia funcionar como agência de modelo, vi alguns nomes de modelos famosas, que eram representadas por eles. Era o disfarce perfeito para não serem descobertos.

Queria saber mais sobre eles, mas ao mesmo tempo tinha medo. Medo de que monitorassem as pesquisas, e descobrissem onde eu estava e me levassem de volta para aquele inferno. Talvez Rodolffo pudesse me ajudar com essa investigação.

Estava na sala, lendo um livro no sofá, quando ele chegou naquela sexta, mais cedo do que tinha costume de chegar.

- Ainda acordada? – perguntou ao se aproximar, com o paletó dobrado e apoiado no antebraço.

- Tô entediada. – fiz bico e ele riu, colocando o paletó em cima de uma poltrona e se sentou ao meu lado no sofá. – Não aguento mais ficar atoa.

- Você sabe que não é prisioneira aqui, tem um motorista a sua disposição, além de um cartão ilimitado.

- Não quero fazer compras. – fiz careta. – Sinto falta de fazer algo de útil, de ver pessoas.

- O que quer fazer?

- Eu tinha um salão na Paraíba, é a única coisa que sei fazer. – contei e ele pareceu pensativo, mas tive a impressão de que ele negaria meu pedido de trabalhar em um salão. – Sempre quis estudar, fazer faculdade.

- Acho que não seria má ideia, pensa em fazer qual curso?

- Antes eu queria fazer letras, mas acho que agora quero fazer direito.

- Essa mudança repentina, tem algo a ver com o que aconteceu com você? – ele quis saber e eu confirmei, sentia muita necessidade de fazer algo para acabar com aquela quadrilha, mesmo que demorassem anos, eu queria me formar em direito e me tornar delegada. - Pode me contar como foi parar naquele lugar? – ele questionou e eu respirei fundo antes de começar a contar.

Contei tudo, desde a morte da minha mãe, as dívidas que contrai em função do seu tratamento, a oportunidade de ganhar a vida como modelo. Ele ouviu tudo com paciência, mas quando eu contei sobre Arthur, e o que ele queria me obrigar a fazer, além da agressão, vi seu maxilar enrijecer e seu rosto se tornar mais sério.

- Você pode fazer letras. – ele respondeu e eu olhei confusa para ele.

- Eu quero muito descobrir mais sobre essa quadrilha, quero que eles paguem pelo o que fizeram, tanto comigo, quanto com todas aquelas mulheres que estão lá. – insisti e ele se levantou impaciente.

- Você está proibida de investigar sobre eles, se quer fazer faculdade, pode escolher qualquer curso, menos algum que te colocará em risco de novo.

- Mas, Rodolffo....

- Assunto encerrado. – ele definiu e precisei engolir minhas lágrimas.

É claro que ele não queria que eu, ou qualquer outra pessoa investigasse. Ele estava no meio de tudo, e obviamente queria proteger seu próprio rabo. Não sei onde eu estava com a cabeça quando pensei em contar a ele sobre os meus planos.

- E já que sente tanta a falta de ver pessoas, amanhã tenho um evento beneficente, e você vai me acompanhar como minha namorada. – ele se virou para me encarar, esperando uma resposta minha.

- Acho que não tenho escolha. – respondi engasgada e ele ficou ainda mais sério.

Ele não voltou a falar mais nada, apenas pegou o seu paletó e se retirou da sala, seguindo até o seu quarto e me deixando sozinha.

Senti muita raiva dele, raiva do que estava começando a sentir por ele, e raiva de ser novamente silenciada. Ele não entendia o que eu passei, e não entendia o quanto eu queria me vingar, mas não desistiria, Arthur terá o que merece.

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