Vários dias se passaram desde aquela noite.
Arthur decidiu abrir um registro de ocorrência pela surra que levou de Rodolffo no galpão, e eu o achei tão cara de pau por ter a coragem de fazer isso, depois de tudo o que ele fez. Porém, Arthur teve o azar de dividir a cela com o primo de uma das suas vítimas, e não durou dois dias na prisão.
Com isso, o processo acabou sendo arquivado, e como o próprio delegado não teve interesse de abrir o inquérito, Rodolffo não sofreu nenhuma penalidade, e sua ficha continuou limpa.
Depois das primeiras prisões, não houveram mais nenhuma outra. Como muitos dos clientes exclusivos, faziam parte da nata paulista, a investigação foi impedida de continuar, policiais foram subornados e bocas foram caladas. Apenas os que estavam ligados diretamente e ou foram presos em flagrante, pagaram pelo crime.
De todos, a que mais tive pena era Thaís. E Rodolffo me achava uma boba por sentir pena dela, eu sei que ela sabia de todo o esquema, mas ainda lembro do olhar dela quando Arthur disse que me levaria ao alojamento. Ela não aprovava o que acontecia por debaixo dos panos, e deixou isso bem claro naquele dia.
Mas isso não impediu para que ela pagasse pelo crime, como todos os outros presos.
Sarah conseguiu reencontrar sua família, e mesmo traumatizada, estava conseguindo seguir a vida. Ela acabou descobrindo que esperava um filho, alguns dias depois que foi libertada. Ela se recusava a dizer quem era o pai, mas disse que teria a criança assim mesmo.
Criamos um grupo de apoio, com as poucas meninas com as quais tivemos contato, era nossa forma de desabafar e contar sobre os nossos traumas. As histórias que ouvia das meninas, me fez ver o quanto eu realmente tive sorte, e o quanto elas são fortes de terem aguentado aquilo tudo sem padecer.
Entrei em contato com Marie depois de tanto tempo, não tive como esconder nada dela, ela se lembrava muito bem do nome da agência e esse nome ficou estampado por semanas nos noticiários. Tive que contar tudo o que aconteceu, e ela acabou se sentindo culpada por ter insistido tanto para que eu tentasse.
Lógico que ela não tinha culpa, e eu a tranquilizei com isso, mas isso não impediu que ela se sentisse mal. Ela ficou feliz quando contei que estava noiva, pelo menos alguma coisa boa tinha acontecido depois de todo aquele pesadelo. Mandei para ela todo o dinheiro que ela já me emprestou, e prometi que em breve faríamos uma visita.
Em contrapartida de todo esse trauma e histórias tristes, meu relacionamento com Rodolffo avançava, e eu sentia que o amava a cada dia mais.
Decidi por manter minha casa na Paraíba, Rodolffo brincava que eu a mantinha para poder fugir dele quando eu me cansasse, dramático. Só mantinha, porque era uma lembrança de momentos bons que vivi com a minha mãe, e sou meio apegada para me desfazer das coisas.
Estava entretida numa leitura, quando ele chegou em casa no fim de tarde, estava com carinha de cansado, mas lindo como sempre.
- Oi, linda. – o abracei forte, dando um beijo suave em seus lábios, já aproveitando para afrouxar a sua gravata e abrir os primeiros botões da sua camisa. – Recepção boa essa.
- Tu gosta, né safado?
- Muito.
Subimos as escadas, entre brincadeiras e beijos, até chegarmos no nosso quarto. Eu não conseguia me cansar dele, e nem ele parecia se cansar de mim, mesmo cansado, ele nunca me negava.
Fomos interrompidos quando ouvi seu telefone tocar, e eu não consegui disfarçar a virada do meu olho quando vi o nome da Amanda na tela, mulherzinha insistente essa.
- Me dá isso. – peguei o telefone da mão dele e atendi. – Alô.
- Ah... quem fala? – ela perguntou hesitante e eu fiz careta, além de oferecida era sonsa. – Não é o telefone do Rodolffo?
- É sim, mas no momento ele está ocupado no meio das minhas pernas. – Rodolffo arregalou os olhos e começou a rir, me pegando pela cintura e me jogando na cama. – Isso amor... assim mesmo. – gemi no telefone e a ouvi pigarrear.
Rodolffo nem ligou, apenas ria enquanto levantava minha blusa para chupar meus seios, me fazendo gemer de verdade.
- Desculpa, eu retorno depois.
- Não precisa retornar não, ele vai continuar ocupado comigo. – dei uma risadinha e desliguei a chamada, queria ver agora se a abusada tornaria a ligar depois disso.
- Eu te amo. – ele disse, descendo os beijos pela minha barriga, chegando até o cós dos meus shorts.
- Eu também. – respondi me levantando e o puxando pela mão. – Vamos tomar um banho, a gente termina isso lá. – sugeri e ele me seguiu até o banheiro.
Terminamos de tirar nossas roupas, e entramos debaixo da água, nos beijando com intensidade, enquanto tocávamos o corpo um do outro. Tomamos banho entre carícias, e quando terminamos, Rodolffo me prensou contra a parede e suspendeu meu corpo pelos quadris.
Passei minhas pernas em volta da sua cintura, enquanto ele me penetrava, chupando meus seios, enquanto eu arranhava as suas costas. Gemendo cada vez que ele aumentava os movimentos.
Rodolffo tomou meus lábios, engolindo os meus gemidos quando enfim senti o orgasmo me atingir, fazendo todo o meu corpo estremecer, para poucas estocadas depois, ele fazer o mesmo e me preencher com seu líquido.
Ficamos por um tempo abraçados, enquanto nossas respirações voltavam ao normal, antes de nos desgrudarmos e sairmos do banho.
- Esqueci de te falar, um amigo meu de São Paulo, vai dar uma festa no próximo fim de semana e convidou a gente. Quer ir?
- Essas festas de rico são um saco. – bufei e ele deu uma risada concordando.
- Também acho, mas infelizmente temos que ir e manter as aparências, mesmo que a maioria nem se suporte. Vou entender se não quiser ir.
- E tu acha que vou deixar você ir sozinho numa festa em São Paulo? É ruim, ein. – retruquei e ele voltou a rir. – Eu vou te acompanhar.
- Perfeito, vou confirmar nossa presença então. – ele disse, selando nossos lábios.
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Vendida
FanfictionUm momento de dificuldade, às vezes faz com que a gente tome atitudes precipitadas e estúpidas. Fui em busca de um sonho, uma oportunidade de ouro para me livrar das dívidas adquiridas pelos tratamentos da minha mãe, mas fui enganada. O conto de fad...
