Vinte e cinco

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Subi para o quarto ainda calada, sendo seguida por Rodolffo. Ele respeitou meu silêncio durante o caminho de volta, mas eu sabia que ele tentaria saber o motivo de eu ter ficado assim. E sinceramente, eu não sabia se estava pronta para dizer a ele sobre meus sentimentos.

- Você ficou tão estranha desde que eu te pedi em casamento. – ele iniciou a conversa, enquanto eu ainda estava de costas para ele. – Você ficou com medo, por isso teve aquela crise de ansiedade? – ele perguntou, e eu tirei minhas sandálias antes de me sentar na cama.

- Fiquei.

- Se importa de me contar qual o seu medo?

- Medo de como as coisas serão quando tudo isso acabar. - respondi, enquanto encarava minhas próprias mãos no meu colo.

Rodolffo caminhou calmamente até mim, puxou uma poltrona que ficava próxima a mesa de cabeceira, e se sentou a minha frente, segurando minhas mãos entre as suas.

- Quando eu comecei a investigar sobre você, e descobri sobre sua mãe, sobre as dívidas no hospital e no banco, fiz questão de arcar com tudo. Eu queria que você tivesse para onde voltar, que pudesse reconstruir sua vida depois de tudo. Pensei várias vezes em te contar, mas eu estava apavorado que descobrisse.

- Por que?

- Medo de você ir embora. – ele levantou a cabeça para me olhar, e me surpreendi quando vi seus olhos marejados. – Você sempre trabalhou a vida toda, e eu fiquei com medo que quando descobrisse que não tinha mais dívidas, que voltaria para a Paraíba. Sei que está acostumada a viver sem luxos e que com seus problemas resolvidos, você conseguiria viver como sempre viveu.

- Estou confusa, você me confunde. Não quer que eu vá embora?

- Não, eu quero que você fique, quero que fique comigo pra sempre.

- Rodolffo...

- Eu estou apaixonado por você, Juliette. Acho que sempre estive, desde o momento que te vi naquele palco, chorando e assustada, me apaixonei por você ali e eu não quero que vá embora, não quero que me deixe.

Eu mal podia acreditar nas coisas que ele me dizia, algumas lágrimas finas escorriam pelo seu rosto, e eu também já não conseguia conter as minhas próprias. Tudo o que eu mais queria era ser correspondida nos meus sentimentos, e eu acabava de descobrir que eu era.

Mesmo que tudo tivesse começado torto entre a gente, nossos sentimentos eram reais.

- O pedido...

- O pedido foi real, eu quis dizer cada uma daquelas palavras.

- Você disse que não queria se casar.

- Não queria, até que eu conheci você. Tudo mudou no momento que você surgiu na minha vida, eu não me importo mais com a minha herança, eu só quero você ao meu lado. Por isso eu vou te perguntar de novo, já que da primeira vez você não me respondeu. – ele retirou o anel da minha mão direita, e o segurou entre os seus dedos. – Juliette, você aceita se casar comigo?

Eu acenei positivamente com a cabeça, respirando fundo para controlar meu choro.

- Responde, mulher. Quero ouvir o sim saindo da sua boca. – ele pediu sorrindo.

- É tudo o que eu mais quero.

Rodolffo me puxou, me fazendo sentar em seu colo na poltrona. Ele voltou a colocar o anel em meu dedo, e dessa vez eu sorri ao olhar para a minha mão. Voltei meu olhar para ele, seus cílios estavam úmidos pelas lágrimas, e seu olhar era intenso, mas tinha mais do que desejo carnal ali.

Toquei sua barba, e ele fechou os olhos, suspirando quando subi minhas mãos até os seus cabelos, fazendo um carinho, antes de me inclinar e encostar nossos lábios.

O nosso beijo, foi diferente dos outros. Era calmo, apaixonado, mas igualmente bom. Sorrimos um para o outro quando desgrudamos nossos lábios.

- Agora sou eu quem quer te fazer um pedido.

- E qual é? – ele perguntou curioso, tocando minha bochecha com o polegar.

- Faz amor comigo? – pedi, tendo a certeza que eu o queria, agora mais do que nunca.

- Achei que nunca fosse me pedir isso. – ele sorriu, e me deu um selinho estalado.

Rodolffo me pegou no colo, me fazendo soltar um gritinho com a surpresa.

- Vamos para o meu quarto, futura Sra. Matthaus.

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