Dezoito

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Pedi licença, antes de sair em busca dele pelo salão. Olhava para os lados, procurando por ele, mas ele não parecia estar em nenhum lugar. Fui até perto dos banheiros, e também não o vi. Quando estava pensando em voltar até o lugar que estava antes, fui abordada por um homem.

Ele era alto e jovem, seus olhos eram numa tonalidade quase cristalina de azul, seus cabelos eram loiros e tinha uma barba bem desenhada. Seu corpo era atlético e era muito bonito e atraente. Pelo terno que usava, parecia tão rico quanto a maioria dos convidados aqui.

- O que uma moça tão linda como você, faz sozinha numa festa como essa? – perguntou galanteador.

- Não estou sozinha. – respondi simplesmente, não querendo dar muita abertura a ele.

- Estou te observando tem um tempo, não te vi com ninguém. – ele insistiu.

- Meu noivo foi ao banheiro, deve ter parado para conversar com alguém, estou indo procurar por ele. – expliquei e ele franziu as sobrancelhas.

- Quem é seu noivo? – perguntou curioso.

- Rodolffo Matthaus. – vi um sorriso iluminar seu rosto, antes de ver ele balançar a cabeça de forma negativa.

- Seu noivo não está no banheiro. – disse tomando um gole de whisky. – A não ser que o banheiro mudou de lugar.

Engoli em seco, o tom dele era provocativo e me deixou incomodada.

- Pode me dizer onde ele está? – perguntei e ele sorriu.

- Vem.

Ele me puxou pela mão, a principio não gostei do seu atrevimento, mas me deixei ser guiada por ele. Atravessamos o salão, e chegamos até uma porta que levava para o jardim, assim que chegamos na área externa, ele soltou minha mão e apontou uma direção.

Não haviam muitas pessoas por ali, e senti meu coração se apertar no peito enquanto caminhava pela grama, um pouco afastado, vi Rodolffo de costas. Ele não estava sozinho, havia uma loira muito próxima a ele, e eles pareciam se divertir.

Não demorou muito para que a loira me visse ali parada, e pela forma como ela se encostou mais a ele e tocou seu ombro quanto me viu, ela sabia exatamente quem eu era.

Tentei conter a vontade de chorar, me sentia humilhada, mas acabei soltando um suspiro choroso, fazendo com que Rodolffo notasse a minha presença.

Ele se assustou quando me viu, mas não dei tempo para que ele falasse nada, saí de lá o mais depressa que pude. Sendo seguida para dentro do salão pelo homem loiro que conheci minutos antes.

Encontrei um garçom e peguei mais uma taça de champanhe, a virando de uma só vez, sentindo o líquido queimar minha garganta. Me sentia péssima, e eu só queria ir embora daquele lugar.

- Eu nunca deixaria uma mulher tão linda como você, sozinha numa festa dessas. –  o homem loiro se aproximou, tocando de leve a minha bochecha, e eu já estava prestes a tirar suas mãos de mim, quanto ouvi a voz de Rodolffo ecoar atrás de mim.

- Tire as mãos da minha mulher. – Rodolffo disse rispidamente, segurando minha cintura e me apertando contra o seu corpo. – Ela tem dono, Bernardo.

Dono? Não podia acreditar que essas palavras saíam mesmo da sua boca.

Eu queria gritar com ele, queria que ele ficasse longe de mim, me sentia sufocada e com vontade de chorar. Não podia acreditar que eu estava mesmo me apaixonando por um cara como esse, eu era apenas sua propriedade e nada mais.

- Você não merece uma mulher dessas, Matthaus. – Bernardo provocou antes de sair e nos deixar sozinhos.

- Você tá me machucando. – me remexi incomodada com seu aperto na minha cintura.

- Eu te deixo sozinha por um momento e você fica dando trela para outro?

Me segurei para não gritar com ele ali, mas não queria fazer um escândalo. As acusações dele me feriram profundamente, até porque, quem me deixou sozinha para ficar com outra mulher, não era eu.

- Quero ir pra casa. – pedi, me desvencilhando dele e caminhando em direção a saída.

Ele veio atrás de mim, me segurando pela cintura e caminhando comigo até o carro. Senti nojo do seu toque e queria que ele ficasse o mais longe possível de mim.

Entramos no carro, e me encolhi no lado direito, querendo criar o máximo de distância entre nós dois. Ouvi ele respirar forte e o olhei de soslaio, ele estava com os punhos cerrados, o maxilar contraído e os olhos fixos em um ponto no banco à sua frente.

Ricardo mal chegou na entrada, e já abri a porta, descendo do carro e batendo a porta atrás de mim. Estava furiosa com ele, e comigo mesmo por ter acreditado que ele realmente pudesse estar gostando de mim, ou até mesmo que sua preocupação fosse genuína.

Entrei no quarto, batendo a porta e retirando minhas sandálias, não demorou muito ele apareceu, não se importou em bater e pelo olhar dele eu vi que ele estava tão furioso quanto eu.

- O que você estava conversando com aquele cara, Juliette? – ele perguntou bravo e eu dei uma risada descrente.

- Ele achou que eu estivesse sozinha.

- Mas você não estava, não é porque eu te tirei de um prostíbulo, que você precisa agir como uma prostituta.

Dei um tapa estalado em seu rosto, ele sabia muito bem de tudo, sabia que nunca fui uma prostituta, e não tinha o direito de falar daquele jeito comigo.

- Não é por que me tirou de um prostíbulo que você tem o direito de falar assim comigo. – lhe apontei o dedo, já sentindo as lágrimas começarem a queimar meus olhos. – Você me comprou e me tirou daquele lugar, sou eternamente grata por isso, mas se você pensa que vou aturar isso você está enganado. Você quer uma noiva? Pois eu serei sua noiva, para sua família, para os seus amigos e pra quem quer que seja, mas você não tem permissão para tocar sequer em nenhum fio de cabelo meu. E eu exijo respeito, quer foder com outras mulheres, foda, mais tenha a decência de fazer isso com discrição e não em uma festa em que todos podiam ver, não vou permitir que me humilhe dessa forma.

- Você está proibida de falar com qualquer homem, Juliette. Estou avisando, você é minha.

Sorri ao ouvir suas palavras, e decidi provoca-lo. Desci o zíper do meu vestido, o deixando cair pelos meus pés. Vi seus olhos varrerem meu corpo seminu, se demorando em meus seios. Seu olhar era um misto de raiva e desejo.

Me aproximei dele a passos lentos, consegui sentir a respiração dele ficar ofegante. Fiquei na ponta dos pés, ficando a milímetros de seus lábios e o vendo umedecê-los, esperando por um beijo meu. Segurei no seu ombro, e me aproximei do seu ouvido, mordendo de leve seu lóbulo e o ouvindo gemer baixinho.

Ele envolveu minha cintura, me puxando contra o seu corpo e me fazendo sentir sua ereção proeminente, sorri satisfeita por ter conseguido o que eu queria, e resolvi acabar logo com aquilo.

- Você pode ter me comprado, mas nunca serei sua. – sussurrei em seu ouvido, e me desvencilhei dos seus braços, caminhando até o banheiro e trancando a porta para que ele não me seguisse.

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