Fui dormir brava com ele, e a ideia de fugir começou a voltar em minha mente. Queria tanto ajudar Sarah, e as outras meninas, queria que ninguém mais fosse enganada como eu fui. Só de pensar que outras poderiam cair no mesmo golpe que eu, me sentia enojada. Não desejo o que eu passei, nem para o meu pior inimigo.
Lembrar das coisas que aconteceram ainda era doloroso, e saber que outras garotas não tiveram a mesma sorte que eu tive, se é que posso chamar de sorte o que aconteceu comigo, me fazia ficar ainda mais triste. Chorei muito antes de dormir, e acabei pegando no sono no processo.
Tive um pesadelo horrível, nele Arthur me achava e me obrigava a voltar para aquele lugar e me prostituir, e quando eu negava, ele me agredia. Acordei gritando e chorando, e senti dois braços fortes me segurarem.
- Ei, acorda. – ele pediu. – Você estava sonhando.
- Ele vai me pegar. – disse chorando e ele negou com a cabeça.
- Ninguém vai pegar você, eu tô aqui e nada de ruim vai te acontecer.
Rodolffo me abraçou e eu afundei meu rosto em seu peito, chorando enquanto ele fazia carinho em meus cabelos. Não sei por quanto tempo ficamos ali, até que voltei a adormecer, agora em seus braços, me sentindo estranhamente protegida com ele.
Pela manhã, ele ainda continuava ali, dormia sereno e eu fiquei velando seu sono. E por mais que eu sentisse raiva dele, por não me permitir investigar, e às vezes pensasse em fugir. Eu sabia que isso estava fora de cogitação, mesmo sem querer, eu estava me apaixonando por ele.
Voltei a fechar os olhos quando o vi se mexer. Ele fez um carinho sutil na minha bochecha e beijou minha testa de forma carinhosa, foi quando abri os olhos e encarei seus olhos castanhos, tocando sua barba e o vendo fechar os olhos quando sentiu meu carinho.
- Tá melhor hoje? – ele perguntou rouco e sonolento, voltando a abrir os olhos.
- Sim, obrigada por ter ficado comigo.
- Quero que saiba, que ninguém vai te machucar mais. Eu não vou deixar, tá bom?
- Tenho medo dele me pegar de novo.
- Está segura aqui.
- Aqui, mas ele tá solto, quando nosso combinado acabar ele pode vir atrás de mim.
- Isso nunca vai acontecer. – ele afirmou, com tamanha certeza que estranhei.
- Como sabe?
- Eu sei. – ele disse bravo, já se levantando da cama e evitando olhar para mim. – Tenho algumas coisas para resolver, vai vir uma pessoa te arrumar para a festa, deve chegar por volta das três da tarde. Só quero que se preocupe com isso agora.
- Rodolffo. – tentei argumentar, mas ele bufou e me olhou sério.
- Não teime comigo, Juliette. Preciso ir, nos vemos mais tarde.
-
-
Voltei a me deitar quando ele saiu, ele me deixava completamente confusa. Ao mesmo tempo que era gentil e carinhoso, era autoritário e frio, o que me fazia ficar em eterno conflito. Ouvi algumas batidas na porta, para logo ver Lúcia entrar com uma bandeja de café da manhã.
- Achei que não trabalhasse aos sábados. – me sentei na cama, quando a vi se aproximar e apoiar a bandeja ao meu lado.
- Não trabalho, mas o Sr. Matthaus pediu para que eu cuidasse de você hoje. – ela sorriu gentil. – Trouxe seu café da manhã, precisa se alimentar.
Lúcia era muito atenciosa e carinhosa, ainda não sabia se ela tinha conhecimento sobre como eu fui parar ali, e eu nunca quis entrar no assunto também.
- Vou ficar mau acostumada assim. – disse divertida, pegando um pote com frutas picadas.
- Meu patrão se preocupa com você, e eu também.
- Ele me deixa tão confusa, Lúcia. – suspirei.
- Sei que não é da minha conta, e eu não sei exatamente como vocês dois se conheceram e como começaram a namorar, mas pelos seus hematomas quando chegou aqui, imagino que não estivesse em um bom lugar. E conheço meu patrão o suficiente, para saber que ele nunca machucaria uma mulher daquela forma.
- Eu estava no inferno, Lúcia. – respondi com lágrimas nos olhos e ela deu a volta na cama, se sentando ao meu lado e passando o braço pelo meu ombro, num gesto acolhedor e maternal.
- Quer me contar o que aconteceu? – ela perguntou e eu neguei com a cabeça.
Relembrar as coisas que me aconteceram, me machucavam. E se Rodolffo não tivesse me resgatado daquele lugar e tivéssemos nos conhecido em outras circunstâncias, eu não contaria a ele também.
Eu tinha vergonha de ter sido tão burra, de não ter percebido que caia em uma armadilha. Sempre fui tão esperta, mas o desespero foi tão grande, que não pensei direito. Não sei o que seria de mim se Rodolffo não tivesse aparecido e me tirado daquele lugar.
- O que importa, é que agora está segura, e eu sei que Rodolffo fará de tudo para te proteger. Ele é um homem bom.
Percebi que Lúcia não sabia que nosso namoro era de fachada, se eu contasse, teria que contar sobre a parte que ele me comprou, e eu não queria que as pessoas soubessem disso.
Talvez ela estivesse certa, talvez ele quisesse me proteger e eu estava interpretando suas ações de modo errado.
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Vendida
Fiksi PenggemarUm momento de dificuldade, às vezes faz com que a gente tome atitudes precipitadas e estúpidas. Fui em busca de um sonho, uma oportunidade de ouro para me livrar das dívidas adquiridas pelos tratamentos da minha mãe, mas fui enganada. O conto de fad...
