Pov Enid
- Minha plebeia fez um belo estrago! -resmunguei divertida para mim mesma, fitando meu corpo. Faziam dois dias, mas as marcas ainda eram vividas.
Desde meu encontro com Wednesday, algumas coisas haviam mudado. Eu havia entrado em um acordo com minha mãe e a mesma me obrigou a andar com dois seguranças.
Eles acompanhavam cada mísero movimento meu, o que era irritante, todavia, ao menos eu estava livre para transitar pela mansão.
O som dos portões se abrindo atraiu minha atenção e eu espiei pela janela, vendo a limousine e minha mãe em seu interior.
Dei um sorriso ladino e coloquei rapidamente uma camisa, deduzindo que aquele seria um momento perfeito para investigar a mais velha.
Segui a minha sacada e examinei alguns pontos. Cogitei tentar pular para o quarto ao lado, contudo, eu não queria retirar meus saltos e eu nem era um exemplo de atletismo, então, desisti.
Sendo assim, respirei fundo e abri a porta, com minha melhor expressão de espanto e desgosto.
- Tem um rato no meu quarto! Mata! -ordenei histérica, com um choro falso.
Imediatamente, os dois brutos engravatados adentraram o cômodo, a procura do animal, e eu revirei os olhos, os trancando ali.
- Tão incompetentes! -murmurei bem humorada, indo em direção aos aposentos de Esther.
Adentrei os mesmos sem saber, ao certo, o que procurar, ou onde. Então, tentei em todos os lugares, fossem óbvios ou não.
- Pense Enid! Onde ela colocaria coisas importantes? -sussurrei para mim mesma, analisando o ambiente em minha volta.
Sorri satisfeita ao fitar a porta de seu closet e entrei no mesmo, vasculhando agilmente entre suas roupas e prateleiras.
Arqueei as sobrancelhas curiosa, ao encontrar uma caixa de madeira escondida, e não demorei a abrir a mesma. Existiam inúmeros documentos ali e entre eles estava a carteira de papa, junto de seu passaporte.
Eu o folheei, notando que existia um visto de entrada na Espanha, mas não de saída e franzi o cenho confusa. Continuei a ler os papéis, perdendo absolutamente todo o meu fôlego, quando encontrei um certidão de óbito com nome de papa.
Anexada a ela, estava um testamento, não assinado, que passava todos os bens Sinclair para Esther, me excluindo da herança.
Eu neguei com a cabeça e me encolhi, não conseguindo conter um choro de dor. Não podia acreditar que meu pai estava morto!
Me obriguei a inspirar fundo e recolher tudo, abracei aquela caixa e me levantei, mesmo com as pernas trêmulas. Eu não aguentava mais estar naquele lugar.
Abandonei a mansão em passos largos, tão confusa e abalada, que não notei quando a limousine parou a minha frente, causando-me medo.
- Senhorita Sinclair? -Eugene chamou por mim, ao sair do carro- o que houve? -questionou preocupado, vindo ao meu encontro.
Eu apenas me lancei em seus braços e voltei a chorar compulsivamente, com soluços apavorados.
- Papai morreu Eugene! Ele morreu! -murmurei com dificuldade e o rapaz se afastou minimamente, secando meu rosto.
- Por que pensa isto? -questionou apreensivo e eu abri a caixa, lhe entregando a certidão- Enid, isto não é possível! Seu pai é um homem de muito destaque! A morte dele não passaria despercebida! -o cacheado argumentou e eu tentei pensar com mais clareza. Realmente, aquilo fazia sentido, mas a incerteza ainda era dolorosa demais.
- Eugene, eu não quero mais ficar nesta casa! Eu quero a minha Wednesday! -clamei manhosamente e ele concordou, entendendo meu pedido.
Eu me acomodei no carro e Ottinger deu partida. Não sei se eu estava muito anestesiada, contudo, somente voltei a mim, quando estacionamos em frente a mansão Galpin.
Eugene abriu a porta para mim e eu pedi que segurasse a caixa com documentos, enquanto eu seguia para o quarto da minha plebeia.
- Finalmente apareceu! Fugiu do castelo? -a voz irônica me abordou e eu a fitei odiosa.
Minha dor se transformou em raiva e eu estava pronta para descontar na Galpin. No entanto, antes que eu pudesse retrucar, senti meus sentidos se dispersando e minha visão escureceu, de modo que, a última coisa que me lembrava, era cair inconsciente nos braços de Andy.
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A Princesa e a Plebeia
FanficEnid podia se parecer com um ser celestial, todavia, a verdade impolida, era que a menina dos fios dourados era a personificação do mal, repleta de arrogância, e um sorriso prepotente. Sinclair era o sol, todos orbitavam ao seu redor, e isso era usu...
