73

2.3K 345 88
                                        

Pov Enid

Inspirei fundo e engoli a seco, me preparando psicologicamente para o confronto. Eu havia dispensado todos os empregados e pedido por descrição, reunindo coragem para enfrentar minha mãe.

Escutei os resmungos odiosos, seguindo para perto de onde eu estava, e dei um sorriso ladino arrogante, quando seu olhar pousou sobre mim.

- Foi um belo estrago! -comentei, examinando seu vestido e arrumando meus fios dourados.

A mais velha me fitava paralisada, como quem não acreditava em minha presença. Todavia, como um despertar de consciência, a mesma avançou sobre mim, depositando um tapa agressivo em meu rosto.

- Garotinha mimada e insolente! Eu sabia que você era a culpada disto! -rosnou alto, segurando-me pelo queixo de modo rude e me presenteando com um forte soco, que me fez cair no chão.

Senti a dor me atingir e cuspi sangue, levantando lentamente, antes de a fitar.

- Você não cansa de ser uma péssima mãe? -retruquei amarga, limpando o canto da boca- não cansa de se aproximar, somente para me espancar? Quando tudo o que eu queria era a sua aprovação! -acusei magoada, me controlando para não chorar.

- Aprovação? -repetiu sem crer- que tipo de aprovação você merece ter? Andando com plebeus! Somente me decepcionando! -remungou irônica, massageando a raiz do seu nariz.

- Eu sinto pena de você, Esther! Nunca vai ser feliz de verdade, porque seu veneno lhe cegou! -murmurei triste, recebendo um empurrão, como reação.

Ainda ansiando descontar a raiva, a mais velha socou meu abdômen com tremenda força, arrancando meu ar. Entretanto, eu reprimi a dor e sorri sem humor, resistindo mais uma vez.

- Eu não tenho mais medo de você! -afirmei, tentando recuperar o fôlego- diferente de antes, agora eu sei que sou capaz de enfrentar qualquer coisa, não por ser rica, mas porque tenho quem lute por mim! -pontuei firme, com meu peito cheio de orgulho ao lembrar de Wednesday.

- Quem? A Addams e seus amigos? Me poupe! -deu uma risada sarcástica, negando com a cabeça- pode chamar os Galpin, Tanaka, ou Barclay! Nenhum deles vai te salvar Enid! -concluiu friamente e eu sorri ladino.

- Xeque-mate! -exclamei provocativa, recebendo um olhar confuso- cumprimente seus convidados, mama! -sugeri, quando Bia revelou sua presença ali, indicando a câmera em suas mãos.

- Desmascarada! Ao vivo e a cores! -a mesma comentou com graça e eu dei um aceno para a mesma.

Mama, por outro lado, permaneceu muda, digerindo a informação, antes de correr para o lado de fora, sendo seguida por Barclay e eu.

Assim que adentrou o quintal, todos os olhares se direcionaram para Esther, mantendo um silêncio perturbador, junto de expressões incrédulas.

- Como você ousa ameaçar meu irmão? -o rosnado estrondoso de Andy soou, em uma falsa defesa, o que fez os adultos do local despertarem.

- Quem você pensa ser, para dizer que minha filha não é uma boa companhia? -o pai de Masha complementou irritado, incentivando os outros.

- Você se acha poderosa, mas no fundo, é somente uma interesseira sem caráter! -senhora Galpin a ofendeu, batendo seus punhos contra a mesa, de modo furioso.

- Levante sua mão, para bater em qualquer uma das nossas crianças novamente, e eu vou te fazer comer do pão que o diabo amassou! -a matriarca Tanaka ameaçou, com desgosto em seu tom.

Aquele pareceu ter sido o estopim para mama, que apenas virou a mesa de quitutes, dispensando sua raiva.

- Saiam todos! Agora! -ordenou, em um grito enlouquecido, contudo, pessoa alguma se moveu.

E então, o telão do palco voltou a ligar, exibindo o vídeo de Esther com Noble aos beijos, causando agito entre os paparazis.

- Desligue isso imediatamente! -a mulher intimou, fitando Louise, a qual, projetava o vídeo de seu computador. Sophie, por sua vez, segurou a mão da maior, demonstrando que não deixaria Esther fazer mal a garota.

Os nervos de mama estavam tão aflorados, que ela se descontrolou por completo no momento, em que, minha plebeia entrou em seu campo de visão.

- Isto é culpa sua! -rosnou, correndo para a atacar. Contudo, eu a impedi, antes que a maior conseguisse fazer qualquer coisa.

- Não ouse tocar na minha Wednesday! -gritei furiosa, lhe fitando de modo predativo, enquanto a menor me segurava pelos ombros.

Minha mãe, por outro lado, não se intimidou. Apenas se recompôs e arrumou seus fios dourados, me fitando com arrogância.

- Seguranças! -chamou, em um pedido mudo para que eles retirassem todos do quintal, no entanto, nenhum deles obedeceu.

- Eles não estão mais sob o seu comando, Esther! -o dono de nossa carta final apareceu, em um terno elegante e segurando uma pasta- eu sou Harvey Hastings, atuo como advogado do senhor Sinclair e, em nome dele, estou anunciando o pedido formal do divórcio! Enfatizando que todos os bens Sinclair permanecem no nome de sua filha Enid, como a única herdeira! -o homem conclui, entregando alguns documentos para minha mãe, que gargalhou amargamente.

- Mortos não assinam documentos! -a matriarca respondeu insanamente, rasgando os papéis.

Os repórteres que estavam no evento, então, iniciaram um questionário compulsivo para Esther, que se recusava a responder qualquer coisa.

- Não quero esta mulher aqui! -eu afirmei, em uma intimação, a qual, foi imediatamente acatada.

- Enid! Se você fizer isto comigo, eu nunca mais vou lhe perdoar! -minha mãe grunhiu, sendo levada para o lado de fora.

- E quem disse que eu quero o seu perdão? -retruquei irônica, lhe fitando com desprezo e superioridade.

A mesma concordou odiosa e se soltou dos homens, seguindo sozinha para a saída.

- Vai tarde diaba! -Yoko exclamou contente, estourando um bastão de confetes sobre todos.

- Não aceitamos cobras nesta casa! -Bia afirmou, dando um soquinho com Tyler.

- Você ouviu Andy! Melhor partir! -Masha provocou bem humorada, enquanto a Galpin lhe fitava feio.

Eu dei um riso contido e desviei minha atenção para Wednesday, a qual, estava distraída, observando nossos amigos que comemoravam a vitória.

Me aproveitei disto e lhe roubei um beijo afobado, sorrindo largo entre o mesmo, e encerrando com milhares de selinhos.

- Conseguimos, rainha de gelo! -ela exclamou desacreditada, me abraçando com ternura.

- Estou lhe devendo um encontro, em uma sorveteira! -comentei divertida, retribuindo o aperto.

- Mal posso esperar! -ela sussurrou, se afastando para me dar outro beijo quente e amoroso.

A guerra havia sido ganha e o meu prêmio estava em meus braços, maltratando meus lábios com mordidas suaves e sorrisos lindos.

A Princesa e a PlebeiaOnde histórias criam vida. Descubra agora