Capítulo Bônus
MAITÊ
"Hoje o sol não brilhou, os pássaros não cantaram, os risos se calaram e as lágrimas rolaram em meu rosto. Meu coração sofre em silêncio."(Autor desconhecido)
Um mês! Um mês havia se passado e eu parei com minha vida, completamente. A dor parecia nunca passar, o vazio só crescia a cada dia, Gui fazia muita falta, nossa menina pouco se mexia, acredito que também sentindo a falta do pai mas ainda, bem lá no fundo da minha alma, eu tinha esperanças de que Gui voltaria para nós.
– Princesa agora precisamos conversar. Você precisa voltar para a faculdade, o reitor pediu para te avisar que entende o que está passando e sente muito, mas se não voltar, perderá sua bolsa, ele não tem como ficar segurando por muito tempo. - ele alisou meu braço. – Eu sei que não tá fácil, já não está para nós então imagino como deve estar sendo para você mas precisa voltar. Pense que tem um serzinho que depende de você e Gui ficaria triste se você desistisse do seu sonho assim.
Uma lágrima escorreu em meu rosto, nem sei como era possível ainda tê-las, Dodô me puxou para seus braços, eu e mamãe estávamos ainda hospedadas em seu apartamento, dona Isabel e senhor Fernando ofereceram para ficarmos na mansão ou até no apartamento do Gui se sentíssemos melhor por conta da privacidade mas como vou viver no apartamento dele, sem ele lá? Com todas as lembranças dos momentos mais felizes e únicos que passei naquele lugar?
Falando em mamãe, ela estava estranha nesses últimos dias, mal parava em casa e sei muito bem que Dona Isabel estava dispensando ela mais cedo para poder ficar comigo.
– Estou com tanto medo Dodô.
– Shh... você não está sozinha, lembre-se sempre disso. Agora vamos, precisa voltar!
Com muita insistência e contra vontade, voltei para a faculdade. Todos nossos amigos me receberam com abraços apertados e me deixando a parte de que estarão comigo sempre.
Na consulta pré-natal, descobri finalmente o sexo, era uma menina, nossa Valentina! Ah meu Deus, tudo que o Gui mais queria. Todos os dias eu estava lá, orando por ele, era a única coisa que me dava vontade de fazer, ir até o cemitério, me sentar e ficar por horas conversando com ele, sei que deve estar me ouvindo e principalmente, cuidando de todos nós aqui em baixo.
Me assustei quando ouvi passos, ergui minha cabeça e encontrei um homem que não era estranho, parando na minha frente.
– Oi?
– Oi?
Respondi com receio, ele olhou ao redor, soltou um suspiro e se ajeitou, sentando ao meu lado.
– Sou o doutor Mauro, lembra?
Como não lembrar? Foi ele que deu a pior notícia que eu já pude receber. Apenas assenti com a cabeça. Um silêncio tomou conta daquele lugar, apenas ouvia alguns pássaros e o balançar das árvores devido ao vento que assoprava. O que ele estava fazendo aqui? Essa pergunta martelava em minha cabeça.
– Está de quantos meses?
– Ah vinte e três semanas.
– Já sabe o que é?
– Uma menina.
O encarei, sem entender aquelas perguntas, ele mal me conhecia, nunca havia o visto antes, talvez fosse um conhecido do Gui?
– Desculpe pela minha indelicadeza pelas perguntas. Sente falta dele? - Assenti com a cabeça e desviei meu olhar, sentindo as lágrimas aparecerem.
– Você o conhecia?
– Não.
Olhei para ele e o mesmo olhou para frente parecendo pensar em o que dizer. O tempo parecia estar fechando, parecia não, estava fechando, não demorou a começar a chover, tivemos que correr para achar um local seguro.
– Está de carro?
– Não, eu vim de Uber.
– Eu posso levá-la se quiser. - Franzi minha testa, o que ele estava querendo heim? – Desculpa, não quero assusta-lá, só quero me certificar que chegará em casa bem e em segurança, essa chuva só tende piorar, não acho que seria o certo ficar aqui e esperar por um Uber.
Suspirei, olhei para o céu e em seguida desviei o olhar para as árvores que balançavam ainda mais fortes com o vento.
– Se não for incomodar você.
– De jeito nenhum, vamos.
Que loucura! Eu estava pegando carona com um completo estranho, coragem a minha mas de uma coisa ele tinha razão, o tempo ia piorar e piorou. A chuva era forte que mal se enxergava nas estradas, Mauro dirigia devagar e atento, o silêncio chegava a ser um pouco constrangedor, meu coração estava acelerado por estar um pouco apavorada com a situação, Valentina se mexia agitada na minha barriga, há tempo não a via dessa forma.
Assim que cheguei salva em frente ao apartamento de Douglas, agradeci mentalmente ao senhor lá de cima e finalmente pude respirar tranquila.
– Obrigada pela carona senhor Mauro.
– Ah! Não foi nada.
Dei um meio sorriso e quando coloquei a mão na porta para abrir, senti a sua segurando meu braço. Olhei para ele com receio e ao perceber, o mesmo retirou sua mão.
– Me desculpe! Só... queria dizer que eu sinto muito. Espero que vocês fiquem bem. – Soltei um suspiro e abaixei meu olhar.
– Acho que nunca mais irei ser a mesma pessoa sem ele, uma parte de mim, foi junto á ele.
Mauro desviou o olhar e respirou pesado, um silêncio se instalou por uns segundos.
– Eu preciso ir. Mais uma vez obrigada.
Ele não disse nada, desci do carro e corri para o prédio. Mauro não parecia ser uma pessoa ruim, na verdade, algo nele me chamava atenção mas não sei explicar exatamente o que. Era nítido a sua expressão de preocupação comigo, o que torna estranho, nunca a vi antes e nem ouvi falar desse homem, será que mamãe o conhece? Aquele dia no hospital ele pareceu surpreso por ter a visto.
– Ah minha filha, onde estava? Está caindo um temporal lá fora.
Minha mãe se levantou do sofá e veio até a mim, rapidamente.
– Estava no cemitério mãe. Estou bem.
– Oh meu amor. - Ela me puxou para um abraço, alisando minhas costas.
– Mãe? Você conhece aquele médico? Mauro?
Ela rapidamente se afastou, franziu sua testa em confusão.
– Por que a pergunta filha?
– Ele... ele apareceu no cemitério, me fazendo algumas perguntas estranhas e me deu carona quando começou a chover.
– Meu Deus Maitê! Você pegou carona com um... estranho? Ele tocou em você?
– Não mãe, ele foi gentil, só me deu uma carona.
Ela desviou o olhar e em seguida se virou, caminhando para a cozinha.
– Vou fazer algo para você comer, tenho certeza que está sem comer a tarde toda.
Arqueei a sobrancelha, mamãe trocou de assunto sem me responder se o conhecia ou não. Senti ela um pouco tensa e sem saber o que responder, não vou insistir mas irei descobrir.
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Uma parte de mim
RomanceMaitê Dias, uma garota humilde que cresceu sem a presença de um pai, sua única família é sua mãe que dá a sua vida por ela, e seu melhor amigo que a protege de tudo e de todos como um irmão, até entrar na universidade e conhecer um cara que irá vira...
