Após alguns dias intensos de preparação, finalmente o julgamento teve início. Ele seria transmitido pela televisão — algo inédito na história daquele tribunal. O juiz não escondia o desconforto com a decisão; temia que a exposição influenciasse a opinião pública antes mesmo do veredito. Ainda assim, insistia que o réu merecia um julgamento justo, como qualquer outro cidadão.
— Ao menos finja que está satisfeito por ser responsável por um caso tão importante — comentou o meirinho, em tom quase casual.
— Não há nada de satisfatório nisso — o juiz respondeu com firmeza. — Várias pessoas morreram. Espero que esteja levando isso a sério.
— Estou, assim como todos aqui — retrucou o outro, afastando-se para assumir seu posto.
— Estamos reunidos para julgar o caso do Estado contra Liu Yangyang. Vamos começar — anunciou o juiz Yoon, batendo o martelo pela primeira vez.
A promotoria iniciou com a apresentação das provas. Em seguida, vieram as testemunhas, obtidas com enorme esforço. Nenhum depoimento isolado era conclusivo; Yangyang havia sido cuidadoso, meticuloso. Ainda assim, o conjunto de evidências falava por si.
— A primeira prova que apresento é a pegada de tênis encontrada na cena do primeiro assassinato — começou o promotor. — Jungwoo foi morto de forma brutal. Essa marca foi registrada no local do crime e, posteriormente, encontramos um tênis com o mesmo padrão no quarto do réu. Após uma investigação minuciosa, constatamos que nenhum outro estudante possuía um calçado idêntico.
As horas se arrastaram entre documentos, imagens e relatos dolorosos, até que o juiz decretou um recesso de cinco dias. Precisava analisar tudo com calma antes do início da defesa. Durante todo o tempo, Yangyang permaneceu impassível. Não reagiu às fotos das vítimas, nem aos depoimentos de familiares. Seu rosto era uma máscara vazia, assustadoramente neutra.
[…]
Com o passar dos dias, Jaemin começava a se sentir um pouco melhor. A tristeza ainda estava ali, mas já não o esmagava o tempo todo. Às vezes, sentia culpa por conseguir sorrir, mesmo que fosse por poucos instantes.
— É sério isso? Academia, Jeno? — reclamou ao ser praticamente arrastado para fora de casa.
— Preciso manter a forma pro próximo campeonato, quando tudo isso acabar — explicou. — E você também. Seu corpo é incrível, mas deve estar todo tenso depois de tanto tempo parado.
— Você tem razão… — respondeu, tentando não interpretar demais o elogio, embora ele aquecesse algo dentro de si.
Enquanto os dois gastavam energia na academia, Renjun se ocupava de algo diferente. Organizou a casa inteira, colocando ordem no caos que haviam deixado acumular, e aproveitou para arrumar o próprio quarto.
Quando Jeno e Jaemin voltaram, encontraram tudo impecável.
— Renjun? — chamou Jaemin.
— Oi — respondeu do sofá, assistindo distraidamente a Friends.
— Você fez tudo sozinho? Podia ter esperado, a gente ajudaria.
— Eu gosto de arrumar — respondeu com naturalidade. — Coloco música, fico sozinho um pouco… é até relaxante.
— Então vai tomar banho — disse ele logo depois. — Vou pedir algo pra jantarmos.
O cansaço veio rápido depois do banho. Os três se acomodaram juntos no sofá, esperando a comida chegar. Após comerem, perceberam o quanto aquele momento simples lhes fazia bem. O silêncio entre eles não era desconfortável; era cheio de afeto contido.
Jaemin massageava os ombros de Jeno, sentindo o calor de seu corpo, o perfume familiar. Aproximou-se mais, buscando conforto no toque.
— Jaemin? — Jeno murmurou, arrepiando-se com o carinho em seu pescoço.
— Shhh… — respondeu baixo. Não queria falar. Só sentir.
Renjun observava a cena com o coração acelerado. Havia algo íntimo e intenso naquele momento. Quando Jaemin se virou para ele, tocando seu rosto com cuidado, o beijo aconteceu naturalmente, sem pressa, carregado de tudo o que não tinham dito em palavras.
Jeno se aproximou, segurando Jaemin pela cintura, puxando-o para mais perto. Os gestos eram cheios de desejo, mas também de cuidado. Em pouco tempo, decidiram ir para o quarto, longe do mundo, longe das dores que insistiam em persegui-los.
— É melhor irmos — murmurou Jaemin, a voz rouca.
No quarto, o clima era de entrega silenciosa. Jeno olhou para os dois homens que amava, sentindo o peito transbordar. Depois de tanta espera, de tanto medo, estar ali com eles parecia um alívio profundo.
Os toques eram tímidos no início, quase inseguros, mas cheios de intenção. Jaemin reagia a cada carinho, gemendo baixo, enquanto buscava Renjun para um beijo cheio de necessidade. Nada ali era sobre pressa; era sobre sentir, sobre se reconectar.
— Espera, Jeno… — Renjun murmurou, a voz falhando. — Se continuar assim…
O momento se tornou intenso demais para ser contido. O rubor no rosto de Jeno, sua expressão entre vergonha e prazer, ficou gravado na memória de Jaemin como algo precioso.
— Jeno… — reclamou, meio sem fôlego, meio preocupado. — Você não precisava…
— Está tudo bem — respondeu com um sorriso sincero, aproximando-se para beijá-lo novamente.
Logo, Jeno estava sobre Jaemin, o beijo profundo, carregado de desejo acumulado. Quando Jaemin pediu por ar, ele respeitou imediatamente, voltando sua atenção para Renjun.
O platinado o puxou para seu colo, beijando-o com carinho antes de deixar que o desejo falasse mais alto. Jaemin ajudou a livrá-lo das últimas peças de roupa, e o gemido que escapou de Jeno fez o coração de ambos acelerar.
— Jun… — Jaemin murmurou, a voz baixa, intensa.
Renjun sentiu o toque firme em sua cintura e engoliu em seco.
— O que você vai fazer? — perguntou, nervoso.
— Eu posso? — Jeno perguntou antes de qualquer coisa, o olhar cheio de cuidado. — Prometo ser gentil.
Renjun hesitou, o coração disparado, mas respondeu com um aceno lento.
— Obrigado por confiar em mim — Jeno sussurrou. — Eu vou cuidar de você.
Naquele quarto, entre respirações entrecortadas e toques cuidadosos, não era apenas desejo que se compartilhava, mas confiança, afeto e a necessidade urgente de não se sentirem sozinhos.
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change | norenmin
FanfictionOnde Renjun adorava praticar arte pensando no rapaz do clube de natação e Jeno não sabia que as pinturas que admirava eram sobre ele mesmo. O mundo dos dois seria balançado com a chegada de um belo jovem dirigindo uma moto Naked preta e branca no mo...
