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— Que cheiro bom… — Jeno comentou assim que saiu do quarto já vestido, atraído até a cozinha. O cabelo claro ainda estava molhado, pingando levemente.

— O Jaemin está cozinhando, acredita? — Renjun respondeu, acomodado à mesa.

— Pelo cheiro, acredito sim — disse Jeno, sentando-se ao lado dele apenas para observar.

Não demorou muito para a refeição ficar pronta. Os três se sentaram juntos, compartilhando risadas, olhares demorados e aquela sensação rara de paz. A comida estava ótima, o clima ainda melhor. Assim que terminou de comer, Renjun sentiu o corpo pesar, um cansaço gostoso se espalhando.

— Acho que você precisa descansar mais um pouco — Jaemin comentou com carinho.

— Claro que preciso! Vocês não me deixaram dormir direito — reclamou, fazendo uma careta exagerada.

— Que injustiça — Jeno provocou, rindo.

Mesmo reclamando, Renjun não resistiu quando Jeno o pegou no colo e o levou até o quarto. Jaemin foi logo atrás. Os três se acomodaram na cama já limpa e arrumada, apertados, mas confortáveis. Entre dois corpos grandes e quentes, Renjun se sentia protegido, seguro, absurdamente feliz. Era difícil acreditar que aquela tranquilidade era real depois de tudo o que haviam vivido.

[…]

O julgamento se estendeu por dois longos anos. Foi o tempo necessário para que todas as provas fossem apresentadas e analisadas. A defesa tentou alegar insanidade mental, mas ficou claro que Yangyang havia agido com planejamento e premeditação, o que anulava qualquer pedido de isenção. Ao final, foi considerado culpado e condenado a onze prisões perpétuas, sem possibilidade de liberdade condicional.

Para os familiares e amigos das vítimas, a sentença trouxe um alívio agridoce. Nada traria seus entes queridos de volta, mas, ao menos, havia a sensação de que poderiam descansar em paz. A universidade recebeu autorização para realizar a limpeza completa e, aos poucos, se preparar para receber os alunos novamente. A cidade começou a respirar sem medo.

Em um mês, as aulas retornariam com força total. Antes disso, os alunos decidiram comemorar. Alugaram uma pousada à beira da praia para três dias de festa, como uma despedida simbólica do terror que haviam vivido.

— Vamos beber a noite toda! — Mark gritou, erguendo um copo colorido, recebendo vários gritos animados em resposta.

A noite prometia ser intensa. Jaemin, agora livre de suspeitas, finalmente era tratado como qualquer outro aluno. Para o desespero silencioso de seus namorados, sua beleza continuava atraindo olhares de todos os lados. Ele chegara de moto, o que só aumentou a atenção ao redor.

— Olha aqueles abutres — Renjun comentou, bebendo seu copo de vodka misturada com algo roxo, claramente enciumado.

— Ninguém queria nem chegar perto dele antes — Jeno respondeu, incrédulo.

— Quando eu disse que ele era o galã da faculdade, estava brincando… — Renjun resmungou.

Enquanto isso, uma mulher loira, linda e confiante, se aproximou de Jeno.

— Oi, Jeno. O que você vai fazer quando voltarmos pra faculdade?

— Vou estar bem ocupado com o clube de natação… e com meus namorados — respondeu, sorrindo educadamente.

— Namorados? — ela arregalou os olhos.

— Sim. Aquele moreno lindo ali e esse loiro maravilhoso aqui são meus namorados — disse, sem qualquer hesitação.

— Não sabia que você era gay…

— Minha sexualidade não importa. Eu amo eles, e isso é tudo — respondeu com calma, o sorriso gentil desmontando qualquer reação negativa.

— Fico feliz por vocês — disse ela, sincera, embora um pouco decepcionada.

— Chega — Renjun murmurou, levantando-se e indo em direção a Jaemin, puxando-o pela mão.

— Jun? O que foi? — perguntou, surpreso.

— Parecia estar se divertindo demais cercado de tanta gente.

— Espera… — Jaemin pensou por um instante e sorriu. — Você está com ciúmes?

— Não só ele — Jeno se aproximou, cruzando os braços.

Jaemin riu, o coração cheio.

— Eu amo muito vocês.

— Não tenta nos ganhar com isso — Renjun rebateu, claramente mais solto pelo álcool.

— Não estou tentando ganhar nada. É só verdade — respondeu, sincero. — Agora posso fazer amigos sem medo.

Os dois se entreolharam, um pouco envergonhados pelo ciúme.

— Então prova — Renjun disse, decidido. — Beija a gente aqui, na frente de todo mundo, sem medo de rejeição por causa de nossa relação diferente.

— Com prazer.

Jaemin segurou a cintura dos dois e os puxou para perto. O beijo foi lento, carinhoso, cheio de significado. Não passou despercebido.

— É isso! — Donghyuck gritou, arrancando aplausos e risadas ao redor.

Mais afastados da festa, Jisung e Chenle caminharam até a praia com duas cervejas. Sentaram-se na areia fria, de mãos dadas, ouvindo apenas o som do mar.

— Eu quero casar com você — Jisung disse de repente.

— O quê?! — Chenle se assustou.

— Não é um pedido! — explicou rápido, corando. — É só… eu te amo. Quero isso pra sempre, mas sei que é cedo.

Chenle sorriu, aproximando-se.

— Eu entendi — disse, deixando um selinho em seus lábios. — Entendi tudo.

E, naquela noite, entre o som das ondas e risadas ao longe, o futuro pareceu um pouco menos assustador.

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