O reflexo do amor
Capitulo 98
Não se pode esconder uma tocha de fogo em uma noite sem luar...
Não pode esconder o reflexo que o amor reflete nos olhos da pessoa amada...
Um sorriso, um olhar...
E ele está ali, bem no fundo dos olhos somente aguardando a pessoa certa para reconhece-lo.
Pensão
O sol ainda não mostrou sua face, Ayana e Catarina se levantam apressadas.
Dona Zulmira cantarola frente a um grande fogão de lenhas.
A negra já está suada e com muitos afazeres no dia que começa. Ela é uma mulher esplendida, as dores que o cor de sua pele lhes causaram não a impedem de amanhecer cantarolando e chacoalhando suas grandes nádegas entre o fogão e a mesa, mesa esta, que já esta forrada com uma toalha de carne seca e por cima da toalha um grande bule de café recém coado, juntamente com uma gamela de madeira recheada de bolinhos de chuva. _ É, a nega aqui trata os hospedes como reis!
Sempre diz isto todas às manhas durante o desjejum.
O cheiro de café recém coado exala por toda a pensão, mesmo assim Ayana e Catarina passam apressadas pelo corredor rumo à porta.
- aonde vocês pensam que vão? E sem tomar meu café?
- Nos perdoe dona Zulmira, estamos apressadas para pegarmos o bonde.
Diz Ayana
- As meninas vão procurar o Gabrielzinho no centro da cidade?
- Na verdade, vamos até a delegacia dar parte ao senhor delegado do sumiço do Gabriel.
Diz Catarina caminhando para a porta.
- Vôte! Já não tinham dado parte ao soldado?
Catarina da dois passos atrás e diz:
- Falamos para um soldado, nada foi feito, agora vamos até a delegacia, quem sabe, lá teremos uma melhor resposta.
- Tá certo! Mas, voltem aqui e comam, não vou deixar vocês saírem de buxo vazio.
Vocês já tão, tão magrinhas, depois o povo vai falar que a nega aqui trata mal seus hospedes, isso eu não vou deixar! Pode vir comer, as duas!
Elas voltam e tomam uma xicara com café e comem alguns bolinhos , pois viram que com a negra Zulmira é melhor não discutir.
- Agora podem ir, vão depressa e tragam noticias para mim.
Diz dona Zulmira balançado a cabeça.
Elas correm por varias quadras até chegarem ao lugar que fica o ponto em que passa o bonde, pois a periferia onde estão e deveras longe. Sobem no bonde que já esta partindo e vão até a praça perto da delegacia.
Delegacia
São sete horas da manhã e o delegado está afoito para destrinchar todos os podres dos prisioneiros, principalmente os do Fazendeiro Senhor Samuel. O Delegado está entalado com a empáfia do homem, ele não está acostumado a prender homens abastados feito o senhor Samuel. O que o soldado lhe disse sobre a discursão dos meliantes aguçou sua curiosidade.
_ É, espero que o fazendeiro bocudo tenha uma boa lábia, se não tiver, vou ficar decepcionado...
Pensa o delegado.
- Soldado!
- Sim, senhor delegado!
- Após os dois pombinhos comerem os pães amanhecidos, traga o senhor Samuel para que eu possa interroga-lo, depois interrogo o tal Serafim.
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Espinhos da Liberdade
Historical FictionApós a abolição da escravidão, muitos escravos libertos se viram sem rumo, sem perspectiva. Saíram sem nada, a não ser, suas vidas errantes pelos caminhos desconhecidos do destino. A liberdade tão sonhada, transformou-se em espinhos. Uma nova, velha...
