Laços de família
Capitulo 80
O destino tece vagarosamente sua teia.
Cada laçada, cada amarra tem seu motivo.
Vidas se encontram e desencontram e assim, a teia vai tomando forma; tomando forma até que todos os pontos se unam...
Somente nesse momento, ele "O destino" está pronto para pegar sua presa.
Vilarejo próximo ao convento.
Após arrear a charrete, senhor Damião e família partem para o vilarejo.
Enquanto o cavalo cavalga lentamente, senhor Damião conta o ocorrido...
- Não pude, Alma, não pude... tive que tirar nosso neto do orfanato.
É deveras um triste destino para qualquer criança, nenhuma merece sofrer longe dos seus...
- Então, você voltou e tirou o menino do orfanato e o colocou aos cuidados de uma família de negros?
- Sim! Aos cuidados de uma senhora negra, de responsabilidade e que está zelando muito bem do nosso neto. Bem, na medida do possível pois, a pobreza é extrema.
- Isso irá mudar, o traremos conosco e cuidaremos dele.
Temo somente a reação de Catarina. Pobre da minha menina, sofrerá com a presença do menino e todas às recordações que essa presença lhe trará.
- Não pensemos nisso, não por agora...
A família prossegue pela estrada de terra batida que os leva até o vilarejo.
Ao chegarem frente o barraco de nhá Jacinta... Juvenal está sentado em um banquinho frente a porta ele grita por Manuela e Nhá Jacinta avisando sobre a chegada de estranhos.
- Nhá Jacinta! Manu! Vem chegando gente estranha, gente que nunca vi.
No cômodo apertado que servia de sala e cozinha, um fogãozinho de barro batido fumegava, sobre ele, uma panela de ferro cozinhava um bocado de feijão preto; o almoço da família de negros.
Encostado na parede de lascas, sentados em um banco feito de um tronco lascado, estão assentados Manuela e Castilho namorando. Castilho aproveitando-se da ausência de Senhor Samuel, todas as noites arruma uma desculpa para ir até à vila, somente para ver sua amazia, e se encontra ainda na vila mesmo já sendo nove horas da manhã.
Benicio, chora sobre o colchão de palhas do quartinho de Nhá Jacinta.
- Manu, deixa o Castilho um pouco e vai pegar o menino que não para de chorar, vós mercê não está ouvindo o choro da pobre criança?
- Está bem Nhá Nhá, já vou!
Manuela dá um beijinho no rosto de Castilho, que lhe dá uma Palmada nas nádegas. Ela sai saltando com seu jeito de moleca e ele sorri.
- Nhá Jacinta! Já falei que está chegando gente! Já falei! Depois não vai dizer que eu não falo nada. Falei!
Senhor Damião bate palmas...
- Ô de casa!
A negra velha caminha até a porta e reconhece senhor Damião.
- Vamos chegar, nhô nhô! Entra pra dentro, o nhô Damião veio ver o menino?
- Sim. Essa é minha mulher, Alma e minha filha Selma.
- Entra dona Alma.
- Aqui está bom.
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Espinhos da Liberdade
General FictionApós a abolição da escravidão, muitos escravos libertos se viram sem rumo, sem perspectiva. Saíram sem nada, a não ser, suas vidas errantes pelos caminhos desconhecidos do destino. A liberdade tão sonhada, transformou-se em espinhos. Uma nova, velha...
