Capítulo 12 - Confissões da madrugada.

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Tomo o lugar ao seu lado, agradecendo por ter colocado uma calça no lugar de um short qualquer, porque eu me sentiria incomodada com rapidez se a grama começasse a me pinicar

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Tomo o lugar ao seu lado, agradecendo por ter colocado uma calça no lugar de um short qualquer, porque eu me sentiria incomodada com rapidez se a grama começasse a me pinicar. Eu pego o cigarro de sua mão como de costume, e deixo que o tabaco abaixe minha pressão e me faça relaxar enquanto encaro fixamente a fogueira apagada também. Não sei como começar. Deveria falar sobre como eu senti medo no sonho ao perceber que eu tinha a pedido? Que invertemos os papéis e isso me fez entendê-la? Que eu vim pedir desculpas porque senti na pele o que ela sentiu, só que de uma forma menos realista? Que só a ideia de ter a deixado pra morrer me gerou tanta culpa que acordei desesperada, soando frio, e precisei ficar encolhida na banheira chorando?

Não, quero deixar o clima confortável entre nós primeiro.

— Fiquei sabendo que você terminou tudo com Keana – comento, tragando a fumaça pra dentro, e Lauren não estranha minha mudança de assunto. – Eu estava começando a achar que ela secretamente tinha seu coração, mas você estava com vergonha de admitir.

Lauren solta uma risadinha, mas sei que não é sincera, porque ela está olhando para baixo e tentando manter as mãos ocupadas catando um punhado de grama enquanto o faz, e a conheço –conhecia– bem o suficiente para saber que aquilo era uma mania que ela sequer percebia que tinha de expressar que algo está a incomodando sem usar palavras.

— Não – ela picota algumas folhas com os dedos –, ela nunca poderia tê-lo.

— E por quê? – Há um longo minuto de silêncio, onde Lauren permanece da mesma forma, reflexiva, até que ergue o olhar, e nega com a cabeça.

— Ela nunca poderia.

Isso é tudo? Eu realmente fiquei curiosa agora, mas não acho que insistir na pergunta irá adiantar, então apenas suspiro fundo, abraçando meus joelhos e apoiando meu queixo ali, enquanto a fumaça entra e sai do meu corpo.
Ficamos em silêncio por mais um tempo, onde eu encaro a lenha, sinto o cheiro de seu perfume se misturando com o tabaco em meus dedos, e a ouço acender outro. Lauren não dirá nada até que eu fale primeiro, porém, por um momento, eu só desejo poder ficar aqui assim, calada, em sua companhia, perdida em meus próprios pensamentos.

Eu gosto de estar perto dela mais do que tenho coragem de admitir. Sua presença é reconfortante, e entendi isso ontem.

— Não acho que eu conseguiria lidar com a sua morte também – digo de repente, mas mantenho minha mesma posição, com o olhar e a voz ainda distante e a alma tão presente.

— O quê?

— Tive outro pesado hoje, e foi ele que me despertou, na verdade, mas dessa vez foi diferente – deito minha cabeça nos meus joelhos, com o olhar agora em sua direção. – Era você quem estava correndo em direção a Mason, enquanto eu tentava te puxar, mas diferente da vida real, não consegui, e te vi queimar viva ma minha frente, até você ficar totalmente irreconhecível. E depois eu vi a sua foto no memorial, a sua idade e a sua dedicatória... eu acho que nunca senti tanto pavor na minha vida, Lauren. Era um sentimento que eu não conseguia explicar, mas que tem a ver com a perca, porque eu tinha te perdido, e no meu sonho se parecia tão real, que eu...

Bad ThingsOnde histórias criam vida. Descubra agora