Latina de curvas e beleza invejáveis, com uma personalidade duvidosa e uma fama igualmente questionável por todo o campus, Camila Cabello é capitã das líderes de torcida da Gales University. Poderia se dizer que sua vida era perfeita, afinal, tinha...
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Lauren está entrando em uma bad-trip.
Ela ficou imóvel desde quando comecei a narrar os acontecimentos daquela noite, detalhe por detalhe, e então, seu corpo se curvou para baixo e ela começou a apertar a cabeça, como se tivesse algo lá dentro a perturbando. Conferi sua pupila com a lanterna do celular, e elas estão tão dilatadas, que mal consigo enxergar suas íris verdes.
— Lauren, você está bem? – Seguro seu rosto, e deixo alguns tapinhas na sua bochecha. – Olha pra mim.
O desespero está começando a tomar conta de mim, de forma que meus dedos estão trêmulos. Sei do poder daquela droga, o que causou na gente enquanto estávamos felizes e delirando, mas não consigo imaginar seu potencial para uma bad-trip.
— A risada – ela bate o dedo na cabeça, o olhar buscando algo incansavelmente no chão. – Não para.
A risada de Mason? Ela estava ouvindo a risada de Mason.
Não sei o que fazer. Não posso dizer palavras soltas e idiotas, como "está na sua cabeça", ou "respira fundo", porque não vai fazer aquilo parar, e isso apenas aumenta meu desespero. Meu coração se acelera.
— O que você está sentindo? – Pergunto. Talvez seja mais fácil de ajudá-la assim.
— Ele está rindo na minha cabeça, a igreja está pegando fogo, estou ouvindo as chamas e está quente – ela aponta para a igreja, e eu entendo o porquê está olhando para baixo. – Temos que sair daqui.
Lauren está delirando aquele fogo novamente.
— Não está não, meu amor – tento soar o mais calma que consigo, porém, confiante. – Está sentindo minhas mãos em você? Só tem eu aqui, não está pegando fogo mais.
Ela finalmente ergue o olhar, e espero que meus olhos não estejam tão amedrontados quanto eu estou agora. Lauren está assustada, ofegante, com os olhos arregalados, e tateia meu corpo em busca de saber se sou real.
— Camila, me faz dormir, eu estou enlouquecendo – ela pede, os olhos ainda buscando algo rapidamente. – Ele não para de rir, minha pele está queimando, e se eu olhar pra igreja, vou ver ele da janela.
Fico boquiaberta. Todo álcool que tinha dentro do meu corpo parece evaporar junto com o suor frio. Lauren estava, literalmente, vivendo aquela noite novamente, mas agora pensa que estamos do outro lado da rua enquanto Mason e a igreja sucumbi em chamas. Está sentindo seu corpo quente, mas ela está gelada como neve.
Como eu vou fazer ela dormir? Isso não é possível.
Começo a pensar em todas as alternativas, e sou rápida em encontrar a única solução viável para o momento. Fazê-la vomitar. Sei que parte da droga já fora absorvida, mas talvez se ela colocar pra fora o álcool que já ingeriu, talvez amenize um pouco, e, na melhor da hipótese, o que sobrou da droga saia.