Latina de curvas e beleza invejáveis, com uma personalidade duvidosa e uma fama igualmente questionável por todo o campus, Camila Cabello é capitã das líderes de torcida da Gales University. Poderia se dizer que sua vida era perfeita, afinal, tinha...
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As garrafas vazias de cerveja foram se acumulando no canto da piscina de casa à medida em que as horas foram se passando. Estávamos no sol, dentro da água, e com uma música na caixa de som tocando, o que se tornou quase impossível que ficassemos bêbadas rápido, levando em consideração que Lauren e eu somos resistentes para cerveja. E, na verdade, agora que o sol já tinha ido embora a muito tempo atrás, que meu corpo ainda estava submerso na água, acumulando rugas, eu estava começando a me sentir alta.
Lauren já estava fora da piscina, deitada na espreguiçadeira, enquanto eu estava com os braços e a cabeça deitada na borda, a água engolindo meu corpo até o quadril. O clima estava gostoso.
— Não sei em qual momento eu me tornei tão resistente a cerveja assim – Lauren comenta. – Já tomamos quase dois engradados e parece que eu comecei a beber agora.
Eu levanto meu rosto, dou um gole na cerveja ao meu lado e apoio o queixo nas costas das minhas mãos, para conseguir olha-la. Lauren estava com a cabeça um pouco tombada, para ter uma visão minha também.
— Estou ficando alegrinha agora também, mas é o sol e a água – estremeço quando uma corrente de ar gelada bate nas minhas costas. – Mas não estou a fim de misturar outra coisa para acelerar o processo porque não quero sentir que estou morrendo amanhã, e não quero fumar porque vou perder a linha do raciocínio e não quero isso pra hoje.
Lauren e eu trocamos beijos e amassos durante todo o tempo que estávamos aqui, aproveitando mais da minha piscina do que podemos na Gales, mas não chegamos sequer nas preliminares em nenhuma das vezes, nos limitando apenas às mãos bobas, e tenho uma forte teoria de que, inconscientemente, estamos apenas acumulando tesão, e quando isso explodir, porque sei que vai em algum momento, não quero esquecer nenhum detalhe.
Lauren ri, enfiando alguns goles generosos para dentro.
— Você nem deve sentir isso mais, né? – Pergunto, e ela nega.
— A essa altura do campeonato a maconha não me deixa tão chapada assim, eu teria que fumar muito pra perder a linha do raciocino – ela suspira fundo, deixando a garrafa de lado quando termina as últimas gotas. – E eu estou com planos de começar a tirar ela da minha vida também. Não completamente, mas também não da forma que eu costumo usar.
Isso é uma novidade, e minha atenção é toda capturada por ela.
— Por que isso?
— Qual foi, Camila, somos futuros médicos que se drogam. Se bem que eu acho que hoje em dia é impossível você aguentar muita coisa sem algum entorpecente, todo mundo usa algum tipo de droga, seja lícita ou não, e as vezes a droga é até religião e essas coisas, mas enfim! Eu...
Me perco um pouco nos meus pensamentos, e a voz de Lauren fica distante por um segundo. Não consigo descrever o quão verdade é no que ela disse sobre a droga vir em forma de religião. Já vi alguns noticiários onde algumas pessoas falam para o usuário sair dessa vida das drogas e ir para a igreja, mas não é a mesma coisa se você olhar pelo o lado de que você vai estar encostando toda sua vida naquilo porque acha certo? Vai viver em prol daquilo, porque de uma forma ou de outra você precisa daquela escapatória da realidade? Sua vida passa a ter apenas um sentido, que é Deus, e toda sua existência vai se basear nisso. Não é a mesma coisa quando você é usuário? E corre o mesmo risco de você adoecer, claro, um de mente e outro de corpo, mas ainda assim.