Latina de curvas e beleza invejáveis, com uma personalidade duvidosa e uma fama igualmente questionável por todo o campus, Camila Cabello é capitã das líderes de torcida da Gales University. Poderia se dizer que sua vida era perfeita, afinal, tinha...
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— Eu estava pensando – Lauren entra no carro dizendo, e eu largo meu celular –, você viu Zayn depois de ontem?
— Não, acho que ele não faz o mesmo curso que nós – coloco meu cinto quando Lauren gira a chave na ignição. – Talvez medicina veterinária, não sei. Aquela pode ser a única aula que tenhamos juntos.
— Você acha? – Ela manobra com maestria até conseguir sair do estacionamento, e pegamos a estrada que levava à avenida principal. – Eu vi ele no fim no almoço sentado ali fora sozinho.
— Pra ele estar naquela aula ele precisa fazer alguma área da saúde – divago, enquanto meu olhar se aprofunda nas arvores que formavam o bosque que envolvia a Gales. – Não me entra na cabeça que ele estava naquela noite sendo que mora no Kansas.
— Isso me levar a pensar no paradeiro aquele casal que estava com a gente, ou das outras pessoas que na sua cabeça você viu. Será que não eram todos do mesmo lugar? E estavam passando as férias de verão aqui ou algo do tipo?
— Essa não é uma cidade turística e nem praiana para passar um verão – abro a janela, para que eu consiga apoiar meu cotovelo na abertura. – Eu não sei nem o porquê nós estávamos aqui.
Lauren morava em Nova York antes de ser aceita na Gales, e quando a carta de aceitação chegou, seus pais alugaram um apartamento na cobertura de um prédio no centro da cidade, e alguns meses depois resolveram comprar pra ela, porque ela ainda tinha muitos anos de estudo pela frente, e embora dormimos na Gales, é raro que Lauren passe o final de semana lá. Minha história é um pouco diferente; nasci em Havana, em Cuba, mas me mudei para Washington com meus pais quando tinha por volta dos sete anos. Eles trabalham no ramo imobiliário, com aluguéis de casas e prédios próprios por todo o país, então, eu tinha uma casa garantida aqui, quando passei para a Gales. Mas meu ponto é que nós tínhamos condições para passarmos o verão em qualquer casa de praia da minha família ou de Lauren, eu até cheguei a cogitar que fôssemos viajar para Havana, porque, de tanto que eu falava sobre minhas viagens para lá, ela desenvolveu vontade de ir. Mas não fomos, porque, por algum motivo, achamos que seria mais interessante passarmos o verão em seu apartamento, aproveitando de uma cidade vazia. Nos divertimos muito por aquelas ruas, algumas vezes sozinhas, e outras com o restante do pessoal que também não viajou para casa de parentes, isso eu nunca poderia negar, sua companhia estava melhor do que o mar do Caribe, mas então a diversão acabou.
— Acho que o Caribe teria gerado menos traumas – como quem lia minha mente, Lauren diz, e isso acaba me arrancando uma risada espontânea, que a faz sorrir.
— Você se lembra que combinamos isso?
— Lembro – ela diz, como se fosse óbvio –, mas agora soa como uma ideia tão distante, que nem parece que chegamos a cogitar isso mesmo.
É verdade. Dada a nossa situação hoje, quem nos conhecesse diria que é impossível que eu, cheia de esperanças, perguntei a Lauren o que ela achava de irmos para minha terra natal nas férias de verão.