Capítulo 33 - Ansiedade.

6.5K 472 97
                                        

O jogo foi um sucesso, com vitória para a Gales, e acho que, pela primeira vez desde que sou uma líder de torcida, nunca estive tão feliz quando o juiz determinou o fim do jogo

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

O jogo foi um sucesso, com vitória para a Gales, e acho que, pela primeira vez desde que sou uma líder de torcida, nunca estive tão feliz quando o juiz determinou o fim do jogo. Me senti realizada. Estavamos ganhando um jogo importante para nossa reputação, meu nome fora celebrado na plateia da nossa universidade após a dança, todos os meus amigos estavam presentes, comemoraram comigo, e eu estou com aquela sensação gostosa que aquece o peito que é gostar de alguém. Me atrevo a dizer até que estou apaixonada por alguém. No fim da noite, saímos para comemorar a vitória em um dos únicos barzinhos da cidade, com meus amigos também presentes.
Eu estava tão feliz, que mal consegui dormir, e fiquei no quarto de Lauren tagalerando sobre todos os momentos do jogo que eu achei mais emocionante. Lauren estava lá, já tinha visto tudo que eu estava falando, não sei como ela não se irritou com a minha narração repetida como aconteceu com Vero, que saiu do quarto no meio da noite, perguntando se eu estava com uma vitrola no meio da guela, e disse que iria dormir com Lucy.

Agora, Lauren e eu estávamos sentadas na sala de espera da área vip do aeroporto. Nossas malas já haviam sido despachadas, o check-in feito, e, se a programação estiver correta, daqui a meia hora estaremos dentro do avião, com destino a Havana. Estava ansiosa, fazia mais de dois anos que não pisava na minha cidade Natal, e estar levando Lauren para conhecer, algo que eu queria desde o ano passado me deixava feliz. E, acima de tudo, porque vamos passar longe dessa cidade.
Ela estava ao meu lado, lendo Razão e Persuasão na mão da Jane Austen, com fones de ouvido provavelmente tocando sua playlist de músicas calmas que ela sempre escutava quando lia, não importa onde, e eu estava aflita. Estava passando por dias eufóricos, queria conversar sem parar, mas sei que qualquer pessoa na face da Terra odeia ser interrompido enquanto está lendo, então tento me ocupar com as redes sociais, com as mensagens no grupo dos nossos amigos, falando sobre o que estavam fazendo ou planejavam fazer no início desse verão, mas meu pé batucando o chão sem parar me entregava.

— O que foi? – Lauren diz, pausando a música com um toque no lado direito do seu fone.

— Como assim?

— Você viaja todos os anos, por que está ansiosa dessa vez? – Ela desvia o olhar das palavras para mim, e eu levanto um ombro, como se não soubesse do que ela estava falando.

Não quero que ela interrompa totalmente a leitura.

— Não estou ansiosa – Lauren ergue a sobrancelha.

— Está sim – ela aponta com o nariz para meu telefone. – Você está entrando e saindo das suas redes sociais toda hora como se o conteúdo da internet não fosse infinito.

Abro a boca para contestar, mas ela está com um sorrisinho de quem sabe que está certa, e eu me rendo. Não percebi que estava fazendo isso com tanta frequência, mas é verdade, sempre que estou ansiosa com algo, o conteúdo das redes sociais me aborrece ou me entendia, e preciso ficar mudando.

— Você estava me espionando?

— Sim, queria controlar com quem você estava conversando e saber se estava curtindo fotos de mulheres – rio baixinho, apagando o telefone, e Lauren fecha o livro. – Mas sério, o que foi?

Bad ThingsOnde histórias criam vida. Descubra agora