Latina de curvas e beleza invejáveis, com uma personalidade duvidosa e uma fama igualmente questionável por todo o campus, Camila Cabello é capitã das líderes de torcida da Gales University. Poderia se dizer que sua vida era perfeita, afinal, tinha...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
A semana se arrasta, e tenho certeza que grande parte dos motivos é minha ansiedade para o final de semana. Minha cabeça não me deu paz, reprisando as palavras de Lauren com insistência, mesmo quando eu estava no treino, quando estava montando a coreografia, quando estava nas aulas, quando estudava na biblioteca, quando tentava flertar com alguém. Tudo era Lauren e seu "não-odio" por mim. A verdade é que saber que ela me odiava me dava um motivo para continuar segurando esse ódio também, uma razão para não abaixar guarda, mas agora que ela disse com todas as palavras que nunca chegou nem perto de me odiar, e que as muralhas foram impostas apenas por mim, minha cabeça virou ao avesso. O que isso fazia de nós agora? Como vamos agir se não tivermos esse ódio nos regindo?
Aquelas perguntas se impregnaram tanto na minha cabeça que não consegui nem mesmo ter outros pesadelos ou sonhos.
Não nos evitamos durante a semana, e até sentamos juntas sem reclamar nas aulas que compartilhavamos, mas não conversarmos nada além das matérias ou quando estávamos com o pessoal. Acho que Lauren entendia que isso se deu pela sua confissão, e não porque eu resolvi subir os muros de novo. Eu fui honesta, não sentia mais aquela vontade de estar distante dela, e agora me pergunto se esse desejo sempre esteve aqui, mas eu o escondia, porque não faz sentido na minha cabeça que de um dia para o outro minha percepção tenha mudado.
O que nos afastou está começando a nos aproximar de novo.
Ou foi tudo o meu sonho, que me obrigou a imaginar minha vida sem ela, que me fez perceber que ela ainda estava viva, que não era ela no memorial, e ainda assim eu não estou aproveitando dessa dádiva. Muito pelo contrário, estou a afastando.
Grunho comigo mesma quando percebo que estou presa no mesmo pensamento intrusivo novamente, e até parei de aplicar o hidratante na minha pele. Hoje era sábado, e meu celular marcava sete e cinquenta da manhã. Marquei com Lauren de a encontrar em seu carro às oito, mas levantei duas horas mais cedo para correr um pouco, o que me deu menos tempo para conseguir me arrumar, e agora precisava me apressar para não a ouvir me xingar pelo atraso.
Passo meu perfume rapidamente, calço meus sapatos e confiro meu reflexo no espelho antes de sair às pressas do quarto, fazendo comigo uma bolsa com o que eu poderia precisar hoje, e tomando cuidado para não acordar Dinah no processo. Quando chego no estacionamento, como esperado, Lauren já estava lá, mas meu celular desperta no momento em que me aproximo do carro, então sei que não atrasei, e isso me faz tão sentir orgulhosa, que chego a sorrir.
— Sem nem um minuto de atraso? – Lauren comenta, me olhando por cima dos óculos escuros. – Louis errou, isso sim é um milagre.
— Vivendo e aprendendo – me gabo, e isso faz Lauren sorrir. – Vamos? Sábado aquele lugar enche e não vamos conseguir nem conversar se chegarmos tarde.
Nós entramos no carro, e há algumas pessoas saindo também, indo para suas respectivas casas, então Lauren tem um trabalho a mais para manobrar. É a primeira vez que estamos sozinhas de tudo desde o dia do bosque, e eu não sei como reagir, não sei nem o que dizer. Era tudo mais fácil antes, ou éramos amigas e tínhamos todos os assuntos possíveis, ou eu pensava que estávamos nos odiando e tínhamos trocadilhos e provocações para trocar, mas agora eu não sei mais em que linha estamos, e, por algum motivo que eu ainda não consegui compreender, não quero parecer rígida, com muros envoltos. Não quero parecer inalcançável mais.