sempre escrevo coringando ^^
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Quando Taehyung chegou em casa, Jeongguk estava saindo pela porta de entrada. Sem precisar perguntar ou ouvir respostas, o escritor soube que ele não estava vindo em sua direção para recebê-lo, mas que, ao contrário, estava determinado a simplesmente ir embora. Seu rosto, frio e irritadiço, e seus olhos completamente perdidos deixavam transparecer algumas respostas, mas Taehyung já sabia o que havia acontecido. Não havia maneira nenhuma de ter Jeongguk correndo de volta para a casa da mãe se não fosse pelas fotos em seu escritório. Isso significava que o violoncelista havia visto Jihyun, Chaeyoung e Jimin, e era provável que estivesse indignado pelos três juntos em sua gaveta. Mais do que isso, Jeongguk devia estar pensando no porquê de não existir uma foto sua ali.
Aquilo significava que Jeongguk havia mexido em suas coisas sem sua permissão — e se Taehyung fosse o Barba Azul, já teria cortado sua cabeça e pendurado seu corpo na parede.
Mas para sua sorte, Taehyung não era, e tudo que fez foi segurá-lo e perguntar o que tinha acontecido. Jeongguk pareceu voltar a si quando sentiu seu toque, e olhou-o com certo susto e desespero.
— Me solta — pediu.
— O que você fez aqui? — o escritor segurou sua mão, inspecionando-a com delicadeza e preocupação. — Como se machucou?
Jeongguk não respondeu, então Taehyung ergueu a sacola que trazia.
— Comprei os macarons... por que não entramos e conversamos?
— Não quero conversar...! — Jeongguk franziu a testa, tentando se livrar de suas mãos, o tom de voz sôfrego. — Só quero... ir embora. Deixei o Bam sozinho com a minha mãe, Taehyung... eu sou tão horrível quanto ela! Eu o abandonei...! — e começou a chorar subitamente, as pernas cedendo e o corpo caindo. Taehyung o amparou, trazendo-o para si em segurança.
— Ei, está tudo bem... vamos buscá-lo e trazê-lo para minha casa...
— Não, não posso mais ficar aqui.
— Por que não?
Jeongguk não respondeu, mas em vez de ir embora, deixou-se ser levado de volta à casa. Sentou-se sozinho à mesa e esperou enquanto Taehyung fazia chá e trazia o conjunto de cerâmica — todas as peças reparadas com a técnica japonesa kintsugi.
O escritor colocou uma caixinha comprida sobre a mesa e serviu o chá. Através de uma película de plástico, era possível ver os macarons coloridos em tons pastéis dispostos um atrás do outro. Jeongguk os encarou, pensando em como teria tido tempo para ir embora antes de Taehyung chegar caso não tivesse feito um curativo em sua mão machucada.
A fumaça que saía do chá fazia desenhos lentos no ar, hipnotizando Jeongguk. Ele não queria comer ou falar, só queria desaparecer. Seus dedos traçaram os detalhes dourados na xícara.
Taehyung encarou o jovem com atenção. Era tão estranho a forma como Jeongguk agia, ora completamente normal e são, ora completamente fora de si, como se não enxergasse absolutamente nada ao redor ou dentro de si, perdido em alguma espécie de névoa que o cegava e anestesiava seus sentidos. Mesmo assim, mesmo quando estava perdido no que quer que fosse aquilo, ainda era um metal quente e maleável em suas mãos. Taehyung podia derretê-lo, martelá-lo, dobrá-lo e produzir o que quisesse. Quer contasse mentiras ou verdades, desde que soubesse dizer a coisa certa, Jeongguk nunca iria embora ou faria algo diferente do que Taehyung desejava.
Ele sorriu, observando-o passar os dedos pela xícara, seguindo os caminhos que um dia foram estilhaços.
— Eram da minha mãe — disse, de repente. — Na noite que a sua mãe apareceu na minha casa para contar que era amante do meu pai, a minha mãe quebrou todas as porcelanas. Todos os jogos de chá, taças de vinho, vasos... esse jogo foi o único que meu pai pediu para repararem.
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furor
Fanfiction[taekook | dark] Não cace sua presa: atraia‐a. ※ vingança; crime; suspense; mistério; drama; psicopata; assassinato; obsessão; problemas familiares (07.01.2022) capa: ggukstyle no tt ♡
