quarenta: felicidade

479 58 76
                                        


Jung Hoseok não esperava tamanha pontualidade, educação, gentileza e oratória em Kim Taehyung. Claro que, sendo este um escritor famoso, com boas críticas e excelentes vendas, não era de se esperar um mal contador de histórias, mas o fato era que Kim Taehyung excedia qualquer expectativa e tudo a seu respeito o deixava hipnotizado. Tudo que ele contava deixava Hoseok atento e curioso, tão concentrado que poderia prender a respiração para olhá-lo e ouvi-lo melhor, a ponto de não se dar conta de que havia parado de respirar. Era óbvio para o jornalista que o que tornava aquela entrevista inebriante não era o conteúdo do tal "artigo biográfico" — mesmo sendo este demasiadamente escandaloso, o tipo de coisa que qualquer um ouviria por horas a fio, sem piscar nem pronunciar nada além de interjeições —, mas o modo como tudo era narrado. Beom Ho era um exímio contador de histórias, não havia mais dúvidas. Jung Hoseok sempre quisera saber quem era aquele escritor porque sabia disso mais do que ninguém. Havia algo no modo como ele tecia seus enredos e escolhia seus temas e personagens que o tornava inebriante.

Taehyung já havia lhe contado sobre sua infância e adolescência, não sem deixar alguns mistérios aqui e ali, o que tornava tudo nebuloso e, de certa forma, o deixava ainda mais curioso. A relação dos pais, as empresas das famílias, os irmãos, os amigos. No início, foi como ler uma biografia curta em um livro didático, mas, aos poucos, Taehyung começou a contar sobre como os pais decidiram investir nos estudos e na carreira da pianista Jeon Jihyun. Enquanto dizia que a mulher fora-lhe uma boa amiga durante a infância, Taehyung foi tomado por um pequeno sorriso nostálgico. Hoseok estava ansioso para saber o rumo do relato envolvendo aquela mulher tão famosa, e por isso mesmo ficou extremamente descontente quando uma batida na porta interrompeu a conversa.

Taehyung observou Hoseok inspirar com força e soltar um alto "pode entrar", ao que um jovem apressado surgiu e fechou a porta.

— Desculpem interromper... a editora chefe pediu para ligar a televisão no canal 4... — E assim que terminou de falar, fez uma reverência curta e saiu, fechando a porta outra vez.

Taehyung e Hoseok se entreolharam antes deste ligar a televisão. O canal 4 já estava sintonizado, e eles compreenderam a cena instantaneamente. A imagem de uma escadaria alta e, no topo, um homem de máscara e boné cercado por dois policiais, como nos seriados que pipocavam por todos os lados na indústria do entretenimento nos últimos anos. Taehyung franziu levemente a testa, confuso.

Então as frases começaram a aparecer, assim como as fotografias. Park Jimin. Assassinato. Kim Seokjin.

Taehyung se colocou de pé na mesma hora e se aproximou da televisão. Seu corpo inteiro sentiu um arrepio de euforia e uma vontade arrebatadora de rir e gritar, mas usou todas as suas forças para se conter em frente a Jung Hoseok.

Kim Seokjin.

Kim Seokjin — seu irmão e filho de Kim Sungwoong! — estava sendo preso pelo assassinato de Park Jimin.

Não precisava se aproximar ainda mais da tela para ter certeza de que era o irmão, pois o reconheceria em qualquer lugar, vestido de qualquer forma e escondendo o rosto de qualquer maneira. Aqueles olhos medrosos eram iguaizinhos aos da mãe e Taehyung os reconheceria eternamente. No entanto, apesar de saber que era mesmo o irmão, acabou se aproximando mais da televisão, tamanho era o arrebatamento que o tomava por todos os lados. O que poderia ser melhor do que aquela notícia? Afinal, se Seokjin estava sendo preso por assassinato, tudo que Taehyung faria em seguida garantiria que Kim Sungwoong jamais se recuperaria. O nome que havia construído para si mesmo, as empresas que herdara da própria família e da esposa, os sócios que conquistara, as ações pelas quais zelava, os empregados que possuía, os jovens iludidos com o mundo deslumbrante dos idols que tanto enganava e explorava... nada daquilo continuaria em pé da mesma forma. Foi então que Kim Taehyung sentiu-se inesperadamente especial. Seus planos estavam recebendo uma ajuda quase divina, o que o fez pensar, por um momento, que algum deus estava abençoando seus projetos. Talvez ele estivesse fazendo algo tão bom com sua vingança que até mesmo as divindades queriam ajudá-lo. Era isso — era como uma tempestade lavando e carregando todas as evidências de um crime. Como um milagre. Como uma benção.

Você leu todos os capítulos publicados.

⏰ Última atualização: Mar 03 ⏰

Adicione esta história à sua Biblioteca e seja notificado quando novos capítulos chegarem!

furorOnde histórias criam vida. Descubra agora