Cap 45: Cura

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Pisquei algumas vezes, gotas de chuva pingaram no meu rosto.

Minha garganta doía.

Vi as folhas passando sobre mim enquanto minha visão embaçada se normalizava.

- Mas que... - murmurei ao entender que estava sendo carregada.

- Você acordou.

- ME SOLTA - gritei empurrando-o

- Ei, ei, ei! CALMA!

- SEU FILHO DA PUTA DESGRAÇADO! - continuei, me debatendo até me soltar ignorando a dor.

Me afastei dele assim que consegui me libertar.

- Mas que inferno, você vai abrir seu ferimento - Gael disse e tentou segurar meu braço, eu desviei - Eu salvei você!

- Você mentiu pra mim.

- Eu não menti! Tive que fazer aquilo.

- Você ia me matar.

- VOCÊ TAMBÉM!

- Isso não vem ao caso, eu realmente achei que você...

- Que eu fosse o vilão, a pessoa por trás de toda essa porra que tá acontecendo e que tinha te enganado.

- Você fez contrato com o Último Fim! - digo frustrada e dou um soco no peito dele, comecei a bater nele enquanto desabava no choro - Você estava me usando? Você pretendia usar minha magia pra usar seus poderes no máximo, seu idiota? Desde o começo você...

Ele apenas ficou ali parado, me deixando gritar, chorar e bater nele... Se bem que ele nem parecia estar sentindo meus ataques.

- Terminou de descarregar sua raiva de mim? - o príncipe perguntou, após meus socos terem um intervalo maior entre eles.

- Eu te odeio, Éder, te odeio mais do que sua versão humana.

- Eu sei disso.

- Odeio você, seus joguinhos.

- Também sei disso.

- Odeio sua declaração falsa.

Ele segurou minha mão me impedindo de acertar outro soco.

- Ok, chega - falou - Você pode me xingar, me bater e apontar o que quiser, mas não ouse falar que o eu sinto por você é falso.

- Depois de tudo... Como eu vou saber o que é real?

Sua mão deslizou, ele me segurou pela cintura com uma mão e com a outra me fez olhar para seu rosto como já havia feito várias vezes antes e disse:

- Eu te amo, Adria.

Não respondi a princípio, ainda chorando.

- Não... - sussurrei

- Eu te amo tanto que abriria mão da minha magia de criação por você quantas vezes fossem necessárias. Nada do que eu te falei foi mentira, o que eu sinto por você é a única coisa real que eu te afirmo de joelhos se precisar.

Encostei a testa em seu peito.

- O que me deixa frustrada é saber que eu que não sou boa o bastante pra você - falei em voz baixa - Eu segui cegamente as ordens de um mago falso, nos coloquei em perigo, te fiz usar a magia de destruição que insistiu em não usar... E pra quê? Tudo porque eu queria dizer pra mim mesma que a culpa dessa merda não era minha, mas eu lancei aquele feitiço, se ao menos eu tivesse...

- Calada, ruivinha - Gael me interrompeu tampando minha boca com uma das mãos - Se lamentar não vai mudar nada, não é?

Afastei sua mão e suspirei. Ele continuou:

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