Obscena, mulherzinha obscena. Ela era pra lá de obscena desfilando seu namoradinho granfino, no seu vestidinho granfino, com seu olhar granfino.
Amarga feito um absurdo na vida do homem, ela ainda estava com seu gosto na minha boca, e agora, espalhava ele nos lábios de outro homem, nada a ver com nada, e nada a ver com ela.
Minto, ele era até que super a ver com ela: certinho, bonitinho, alinhadinho e típico. Combinava demais com a casca que ela inventou pra ela mesma. O conteúdo que ficava dentro daquela casca, daquela alma, daquela cabeça... Ah, era diferente demais da conta. Mas arrisco dizer que nem ele sabia disso. Talvez, até mesmo ela.
Tomei como choque encontrá-la na sorveteria que Marina (vide amiga de doutorado pra lá de massa) havia me apresentado, mas é claro que só poderia ser. O lugar era bem tradicional, cheio de frufu e gracinha, e eu só gosto porque realmente a matéria é boa. Será que era por isso que eu gostava um tiquinho dela então?
Decidi parar de passar raiva e começar a fazer raiva, em contrapartida. Basta disso, peguei o telefone e comecei a agir. Agir que nem o homem que minha mãe criou pra eu ser: Um homem com H maiúsculo
Alexandre: Mirem-se no exemplo das mulheres de Atenas... O corpo não tem nem 6h de morto e já tá reencarnando. Esperasse esfriar mais um tiquinho, dar um tempinho da minha baba secar do seu corpo, mulher.
Ela me olhou, desafiada. Azeda. Contaminada de medo. Virou a tela do telefone para baixo da mesa, e mexeu nos cabelos do namorado, que parecia tão entediado quanto ela. Desgraça. Desgraça feita.
Alexandre: O corno sabe onde era que tu tava hoje de manhã?
Olhou o telefone mais uma vez, e sádica do jeito que ela vinha aparentando ser, ela riu. Eu não sei se me irritava ou sentia mais tesão pela situação, que tava uma loucura da porra na minha cabeça e nas minhas calças. Apertei os lábios, para não rir. Tinha começado a gostar daquilo, só que ela se aproveitando do meu olhar de satisfação... foi lá e tascou um beijo nele.
Que nojo.
— Ai, esse Alexandre é uma figura, Rafa. Tá aqui bem, tirando sarro que tô de namorico. — riu, cínica que só ela, tirando sarro de mim, que só sorria, fulminando de ciúme. O bocó fez a boa de corno burro, e acabou por decretar a frase que seria decisória:
— Nó Zé, senta aqui com a gente! Vai ficar aí sozinho mesmo? Aporrinha de perto! – sorridente, o espécime de Bentinho riu.
Deus dá as oportunidades certas para as pessoas CORRETAS. Eu ia me aproveitar demais daquela sinuca de bico.
Eles estavam sentados, um de frente para o outro. Giovanna escorada em um daqueles bancos acolchoados de sorveteria, e ele, numa cadeirinha mequetrefe de madeira. Eu já sabia onde que eu ia me meter pra fazer um inferno com eles em dois minutos.
— Rapaz, satisfação viu? Fiquei meio encabulado, não sabia se vinha ou se não vinha aqui, se ia atrapalhar alguma coisa... — disse, apertando a mão do macho de mão fina dela, que se dizia macho e parecia macho, mas que claramente era uma maricona que não se dava conta do que tinha em casa. Mais de perto, eu conseguia conferir mesmo que era aquilo que eu esperava: uma qualira de marca maior.
É muito potencial e investimento pesado jogado fora em quem usa uma camisa polo azul bebê e chinelo de pai dia de sábado.
— Nu, imagina. Só não chamei você antes porque a Giovanna é 8 ou 80... — rimos sem graça, e encarei na cara dela e vi o quão amarela estava. — Rafael, muito prazer.
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Imponderável
FanfictionMapas, clássicos, classes e conversas. Quando histórias tão diferentes se cruzam para serem escritas, o imponderável acontece. Uma coordenadora de um colégio tradicional em Belo Horizonte tendo que aprender a driblar as investidas do seu novo profes...
