A biblioteca de Alexandria

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Agora é oficial: Tô baqueado por causa dessa morena. É sério, véi.



Giovanna parece uma piada de mal gosto em velório: é gostoso de ouvir, mas o lugar não poderia ser a pior (se bem que matar a vontade que eu tava de pegar ela justamente no ponto cego da biblioteca do colégio me deu anos, anos de vida).


Gastamos uma hora de sodomia naquele espaço, mas não contávamos com a outra hora: a hora do pós. Pós-orgasmo, pós-sexo sem proteção, pós pseudo declarações, todo o pós-nós — isso não era apavorante?


E pior: tudo isso sem camisinha, pós uma palestra sobre sexo. Eu não lembro do dia que eu ousei transar no pêlo com qualquer mulher que fosse, mas essa daí era tão amaldiçoada que me fazia errar até aprender o que eu já sei. Cretina.


Por uma medida de segurança calada, eu me afastei pra porta da biblioteca e ela continuou me encarando de longe do birô. Conseguimos limpar a bagunça que fizemos ali, mas os livros cheiravam a sexo, o ambiente todo cheirava a sexo. Minha boca, meus dedos, tudo cheirava a ela. Assim como cada parte daquele corpo infernal cheirava a mim.


Nessas horas, eu queria muito que aquela besta fera do ex namorado dela visse como se pega uma mulher daquele calete de verdade.


— Olha Giovanna, no fogo da coisa, o preservativo realmente foi a última coisa que...


— Shhhh, esquece. Agora já foi. — disse, ainda sem ar e com muito estresse pra dar e vender. — Eu tomo remédio certinho por conta do Rafael, e só transava de camisinha com ele também, fica tranquilo. Alexandre, cê sabe o problema que isso pode dar?


— Não faço sexo sem proteção, apenas sexo sem compromisso. — brinquei, tentando quebrar o gelo, mas não consegui. — Olhe, eu não costumo cometer esse tipo de imprudência. Mas eu fiz exames em janeiro, e tô limpo. E eu sei também que você não sai por aí fazendo sexo sem camisinha com qualquer um.


— Eu literalmente acabei de fazer. — a sistemática tremia de raiva, na base. — E no meu trabalho. Meu Deus, eu tava com a cabeça em que planeta, hein?


— Bom, pense pelo lado positivo.... Pelo menos foi fora. — a miss mão pesada ameaçou levantando a mãozinha fina pra cima de mim, e eu repreendi. — Ó!


— Cale a boca se não quiser levar na cara. — puta da vida, a função dela era reclamar.


— Oxe, será um prazer. — disse, me inclinando pra provocar ela. — Venha cá, me diga. E pro carnaval, tu tem planos?


— Nó, é comigo? – fez de burra, e de burra não tinha era nada.


— Tem mais alguém aqui, morena? Se tiver, acabou de assistir uma cena de promiscuidade muito da pesada. — ela engasgou com a própria saliva. Ouso dizer que com a minha saliva, na verdade.


— Cê é atrevido, hein? — disse, aproximando aquela saia lápis amarrotada de novo pra perto de mim, me puxando pelo colarinho. Tô mole, mesmo. — Cadiquê que cê tá me perguntando isso, hein, problema?


— Ah, eu sou o problema? – disse, vendo que ela já se roçava pra perto de mim mais que demais.


— Mas é claro que é! Pergunta boba. — respondeu, abotoando até a última casinha da minha camisa, que só faltou ficar marcada de batom de tanto estica e puxa dos momentos que passaram ali nada esquecidos. — Quem ia me caçar tanto problema nessa cidade em menos de 3 meses... só você mesmo. Demorou muito pra me encontrar, mas quando achou... nó, desmontou tudo, Zé.


ImponderávelHistórias para pegar e não largar. Descubra agora