Toda doida, toda sua

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Voltar ao trabalho depois de ter vivido os dias mais malucos da minha vida, era algo bastante difícil pra quem sempre foi fã de ser beeeem metódica.

— Bom dia, mãe. — cumprimentei a mais velha que ajeitava nosso café da manhã na mesa. — Hum, que cheiro bom!

O milagre dos milagres era estar conseguindo comer algo que não fosse só melancia, já que apenas os líquidos andavam digerindo bem no meu corpo de grávida.

— Fiz um café bem levinho pra você não passar e aguentar o dia todo no Galilei, também tô montando uma lancheira com coisinhas saudáveis pra você comer durante o dia e não deixar meu neto passar fome. — ela falava tão rápido que nem prestava atenção no que dizia.

E eu achava tudo extremamente fofo.

O cuidado, a atenção, a alegria da minha mãe com essa criança era algo que vinha me encantando desde o primeiro dia.

Trem bão demais ter uma família como a minha, tanto a baiana, quanto a mineira.

— Ah, e também liguei pro pai da cria vir te buscar pra irem juntos e depois ele te traz de volta.

Ah, mas tenha santa paciência!

— Mãe! — briguei, porque sempre fui briguenta mesmo, não nego. — Eu não tô doente pra vocês terem que ficar me levando pra tudo que é canto, uai!

— Pó reclamar a vontade que eu finjo que nem te ouço, filha. — deu de ombros, continuando a arrumar a tal lancheira.

Só via frutas e mais frutas e um lanchinho natural com frango e salada.

Quando é que eu me tornei uma pessoa saudável e nem percebi? Senhor!

Bufei estressada, só querendo ser responsável pela minha própria vida um pouquinho. Mas parece que pelos próximos 8 meses, terei que dividir todas as minhas vontades com esses dois sem noção.

Não sei quem é pior: mãe ou Nero. Podem andar lado a lado de mãos dadas de tão insuportáveis.

— Boooom dia, sogrinha linda! — por falar no diabo...

Continuei a comer nem dando trela pra aquele abençoado, que mal chegou e já tinha me tirado a paz.

Será que são os hormônios falando por mim ou eu sempre fui doida assim? É de questionar.

— Bom dia, amor. — me deu um beijo estalado na boca, segurando minhas bochechas de um jeito que eu não teria conseguido fugir nem que eu quisesse. — Bom dia, filhotinho. — o segundo beijo foi na minha barriga, óbvio.

Babão que só ele, passava mais tempo babando na minha barriga do que conversando de fato com a mãe da criança.

Nem respondi o bom dia, mal educada que só.

— Essa aí acordou virada na discórdia hoje, viu, menino? Mas num dê bola não que são os hormônios. — falavam como se eu não estivesse naquela cozinha, ouvindo tin tin por tin tin.

É molezura demais, sô.

— Eu tô aqui, viu, dona encrenca? Num precisa ficar falando mal de mim como se eu não estivesse ouvindo tudin. — resmunguei, terminando de comer as frutas que ela tinha separado.

— Benzadeus que humor maravilhoso, amor. — Nero ironizou, sem medo nenhum do perigo.

Deixei que ele tomasse o café dele junto da minha mãe, enquanto ia até o quarto pegar minhas coisas e ajeitar tudo para a volta ao trabalho.

Apesar de sempre ter sido uma workaholic assumida, dessa vez a situação era bem diferente. Mesmo querendo muito voltar para o colégio, passar horas e mais horas fazendo o que eu amo, agora tudo mudou.

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