Porta dos Desesperados

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Melhor. Carnaval. Da. Vida. — ela disse assim, me agarrando por detrás da pia, com a mão na barra da minha samba canção, naquele fim de feriado pra lá de gostoso que a gente vinha passando.



Sim, foi um dos carnavais mais insaciáveis da minha vida, em matéria de saúde e ação — e olhe que passamos enfurnados em casa, graças à prudência exacerbada da minha... menina? Namorada? Mulher? Ainda tem isso: Passamos os últimos dias com as bocas e as mãos tão ocupadas que sequer discutimos sobre a possibilidade de um namoro.


Ela pediu um tempo, mas não pediu distância, títulos e nomenclaturas. Só que eu também estava em posição de exigir, porque já que essa questão de exclusividade foi um tanto quanto discutida... eu poderia considerar que ela tinha todos essas minhas numerações.


Agora, Giovanna era minha menina, minha namorada, minha mulher. Minha morena, minha nega, minha perdição no meio das ladeiras de BH. De ninguém — só minha. Mesmo que por enquanto, fosse no sigilo absoluto até que a poeira baixasse e a gente se organizasse melhor para assumir certos pontos.


— Faça isso não, nega... — disse, segurando aquelas mãozinhas atrevidas que já iam descendo por debaixo da minha roupa, me clamando plenas sete da noite.


Mas eu mal topei em você. - disse, rindo contra minha pele. — Nó, cê não vai ter a audácia de me negar uma saideira...


— Pior é você me negando mais uma noite de conchinha naquela cama de viúva. — disse, apertando ela de frente, com aquela cara de safada que só ela conseguia fazer. — Qual é. Tô mal-acostumado pra caralho com você. Pra desgrudar, vai ser punk, morena.


— Ai, como que pode justo'cê ser o apegado?


— Como é história, rapaz? – reclamei, porque do jeito que ela falou, eu estava podre de apaixonado no mínimo. Ela deu um tapa no meu peito e eu apertei ela no meu corpo.


— Ou, cê sabe que mamãe chega cedo amanhã, meu bem. — disse, me largando um cheiro no meio do meu peitoral, me fazendo revirar os olhos. — A gente não tinha combinado... de gastar mais um tempinho, eu e você, só nós dois... Deixar a coroa saber sei lá, daqui a uns 15 dias, um mês...


— E você fica de boa mentindo pra ela desse jeito, sacana?


— Ah, omitir não é mentir... — disse, perdida na própria safadeza dos seus olhos, e das suas mãos também, porque ela vinha derrapando em território perigoso.


— Nesse caso, é sim. — disse, prendendo os dois pulsos dela com a minha mão e jogando eles nos meus ombros. Ela deu um gemido de raiva e protesto. — Ela já sabe de nós dois, da questão que você teve com Rafael. Ela sabe no fundo que eu com você era questão de logística e organização.


— É o que você acha?


— É o que é a nossa realidade, sacana — disse, roubando um beijo dela, retribuindo a mão boba e o olhar endiabrado pra me fazer durar mais naquela casa, pelo menos, mais uma noite. Mas eu tinha a senha.


Nossinhora. — caipira complicada.


— O quê, hein?


— Nada. Tava tentando pensar aqui qual vai ser a próxima vez que a gente vai ter a casa livre pra poder ficar assim.


Assim, pode ser definido da seguinte forma: Eu e ela, pernas enroscadas no meio da sala. Ela com a minha camiseta velha e calcinha, eu de samba canção e óculos de grau. Casa recém arrumada, porque fizemos a proeza de revirar todos os espaços com o fogo descomunal que a gente tinha.


ImponderávelHistórias para pegar e não largar. Descubra agora