Essa viagem para a Bahia veio realmente em boa hora, porque sinto que estava a ponto de surtar em Minas Gerais com tanto trabalho, com tanta criança gritando na minha cabeça 24h por dia.
Só tava precisando de uma vidinha fácil, como se não existisse a vida adulta me esperando no estado vizinho.
Tomando um banho geladinha, depois de passar a tarde toda na praia, não podia pedir por vida melhor.
Até o abençoado do meu namorado abrir a porta do banheiro com tudo, parando que nem uma estátua enquanto me olhava dos pés a cabeça.
— Que foi, Alexandre? Tá branco feito papel, parece que ocê viu o fantasma, uai. — resmunguei divertida, mas levemente preocupada com a cara dele.
Nero quando chega assim, coisa boa nunca é. Já tinha me acostumado o suficiente com ele pra saber quando a cabecinha dele vai explodir e aí... a bomba é gigantesca.
— Meu Deus, não é possível que aquela pirralha tá certa. — ele falou baixinho, parecendo estar perdido nos próprios pensamentos.
— Tá falando sozinho, trem? — até desliguei o chuveiro, terminando o meu banho. — Passa a toalha pra mim, amor?
Ele não se mexia, só me olhava dos pés a cabeça trinta vezes, como se já não tivesse tido tempo suficiente de decorar cada pedacin de mim. Ô homenzinho complicado, viu?
— Cê tá me deixando envergonhada desse jeito, Alexandre. — reclamei, pegando por mim mesma a toalha e molhando um pouco o banheiro. — Vai me falar o que é que te deixou branco assim, homem?
Parei meu corpo na frente do dele, começando a ficar irritada com aquela cara de paisagem que ele fazia.
Será que todo homem é meio bobão desse jeito?
— Fala alguma coisa, Nero. Cê tá me deixando irritada, pô! — dei um tapinha no seu ombro, tentando fazer com que ele acordasse pra vida de novo.
— Giovanna, eu acho que... — ele foi lá e tirou minha toalha de novo, me deixando completamente nua. — Meu Deus, eu acho que é isso mesmo, véi!
Me abaixei até o chão pra pegar a toalha, colocando-a de novo no meu corpo. Toda a paz que eu estava sentindo enquanto tomava o meu banho geladinho foi para o inferno, ele conseguiu tirar toda a minha paz em alguns segundos de conversa.
— Parabéns, cê conseguiu me irritar ainda mais! — briguei, saindo dali e deixando ele feito idiota no banheiro.
Peguei uma calcinha e um camisão dele que eu gostava de dormir, pra poder descansar um pouco antes do anoitecer. E claro, ignorando completamente a presença fantasma do professor pra cima e pra baixo atrás de mim.
Paz é uma coisa que eu não ando sentindo faz é tempo.
Quando eu estava prestes a me deitar pra pelo menos ver se no sonho eu conseguia descansar, ele me segurou pelos ombros mais uma vez, com o olhar arregalado de quem sabe o meu maior pecado.
Ô se sabe, inclusive dividiu ele comigo.
— Se cê não falar logo porque você tá assim, eu não vou mais em lugar nenhum, em festa nenhuma amanhã, Nero. Vou ficar trancada dentro desse quarto até o final dessa viagem. — dei o ultimato, porque sei que homens só funcionam assim.
Frouxidão da porra, véi.
— Giovanna, você tá grávida. — soltou assim, do mais puro nada, como se fosse algo bem básico.
De onde é que esse trem tirou essa maluquice?
— Quê? — perguntei chocada, dando uma risada nervosa. — Da onde que saiu isso, Alexandre? Cê bebeu? — aproximei meu nariz da sua boca, na tentativa de sentir o cheiro de algum álcool fortíssimo pra ter deixado seus sentidos todos meio esquisitos. — Só pode ter bebido.
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Imponderável
FanfictionMapas, clássicos, classes e conversas. Quando histórias tão diferentes se cruzam para serem escritas, o imponderável acontece. Uma coordenadora de um colégio tradicional em Belo Horizonte tendo que aprender a driblar as investidas do seu novo profes...
