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História de uma gata

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3 anos depois

Ser mãe, esposa, coordenadora e professora nas horas vagas não é pra qualquer um. É de arrepiar os cabelos de lugares inacessíveis.

Ainda mais quando sua filha é uma benção enviada pelos céus para atazanar a minha vida, tirando o pouco de paz que me restava.

— De novo? Já é a segunda vez que ela briga com alguém na aula, cara. — reclamei com o inspetor, mesmo sabendo que ele estava fazendo apenas seu trabalho. — Avisa a Helena que eu tô indo lá, só vou passar avisar o 'Lêxandre.

Joana é terrível em todos os aspectos, na mesma proporção que é extremamente carinhosa e amorosa. Educar ela tem sido um desafio e tanto, mas acho que estamos conseguindo fazer um bom trabalho.

Pelo menos em casa, porque na escola... a bichinha é dura na queda.

Fui quase marchando até a sala do terceiro médio, já pronta pra acabar com a raça do desgramado que botou essa criança em mim e que fazia questão de mimar ela vezes mil, até ela ficar bem desse jeitin.

Terrível!

Bati na porta e de longe já vi ele com os olhos arregalados, ele já sabia o que vinha por aí.

Quem deve teme, e teme demais.

— Posso falar com você rapidinho? — perguntei só por educação, mas ele num é nem doido de negar um pedido meu. — Seu Omar, fica um pouco aí com o terceirão que nós já voltamos.

Assim que a porta da sala de aula foi fechada, fechei o sorriso que eu tinha aberto para fingir uma simpatia que não existia naquele momento.

— Sua filha aprontou de novo, viu? Bom pr'ocê ficar esperto e parar de fazer todas as vontades dela. — já comecei a falar, nem deixando o coitado ter alguma reação.

— Ei, calma aí, nega. — pediu, me segurando pelos braços. — Dormiu comigo, foi? Fale direito, pô.

Foi só ele encostar em mim que eu quase esqueci o que eu tinha ido fazer ali, realmente.

Se passaram anos desde o começo de tudo, mas a gente permanecia igual. O mesmo fogo, a mesma vontade, até mesmo as mesmas birras.

Num tem jeito não, apesar de ser um idiota, não tem outro homem no mundo pra mim que não seja ele.

— Desculpa, amor. Tô estressa com a Joana e descontei em você. — me aproximei, deixando um selinho rápido na sua boca. — A professora chamou a gente de novo pra conversar, parece que ela arrumou briga com algum coleguinha.

Nero era sempre o mais sensato de nós dois na maioria das vezes, já que eu sempre agia pela razão, independente da situação.

Pra mim era tudo certo ou errado, não existe meio-termo. Mas ele sempre quer ouvir todos os lados da história pra poder tomar uma atitude, e isso às vezes me tira do sério.

— Vamos lá ouvir o que aconteceu e depois você se estressa com isso... Não adianta nada ficar aí toda bravinha sem nem saber o que ela fez. — ele deixou um beijo na minha têmpora, antes de entrelaçar sua mão na minha para irmos até a sala da nossa filha.

Nesses anos pós-nascimento e Joana, aprendemos a nos tornar um pouco do outro. A calma, a paciência, a sabedoria de Alexandre, sempre se faziam presentes na minha rotina diária de aprendizados.

Assim como ele tentava ser mais racional, menos maleável e mais direto.

É um aprendizado constante, mas tem dado muito certo.

Joana também é uma criança ótima, não nos dá trabalho nenhum. O único problema dela é com um coleguinha em específico, que fica pentelhando ela e ela, ele.

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