Helena
Como já tinha tomado banho e lavado o cabelo, passei um óleo e penteei ele, passei um creme na pele, meu perfume com cheiro de cereja, passei um batom vermelho vivo nos lábios, optei por um vestido de borda cor branco com círculos pretos em todo o lugar, ele tem mangas bem curtas e um decote de matar até um cego se conseguisse enxergar, coloquei e uma sandália só no pé não engessado.
Consegui descer as escadas ainda sentindo dor, claro, e estou andando até o pátio, demorei um pouco, mas vendo isso agora tenho a certeza que valeu a pena. Tem um pano grande xadrez vermelho e branco estendido na relva e por cima dele uma cesta que com certeza tem comida, tem dois pratos, dois copos e uma jarra com sumo e uma taça com frutas, está realmente lindo, mas nada da Eleanor. Como já estou cansada decidi me sentar e comer uma maça, enquanto olho entretida para esse jardim lindo um buquê de tulipas brancas foi colocado à minha vista.
Eleanor: Para você.— disse ao meu lado sorrindo, ela está usando um vestido de alças branco, um pouco justo e comprido, passou um batom vermelho, rimel, está mesmo linda— Helena, por que estás a chorar?— disse limpando o meu rosto.
Helena: Por nada não.— sorri— Vem, senta-te.— ela assim o fez— Você está realmente linda, como sempre.
Eleanor: Obrigada, você também. Toma.— me deu o buquê— São para ti.— falou sorrindo.
Nesse momento eu quero chorar mais ainda, eu nunca tinha recebido flores antes, claro, nunca namorei, mas também enquanto tentavam me conquistar nunca nenhum deles me ofereceu então, eu passei a pensar que no dia que eu receber flores de alguém é porque realmente eu sou muito importante para essa pessoa.
Helena: Obrigada.— recebi cheirando-as— São apenas bonitas porque não cheiram nada bem.—sorri e Eleanor gargalhando— É sério, não sei porque dizem que flores naturais cheiram bem.
Eleanor: Mas eu conheço uma que cheira.
Helena: Qual?
Eleanor: Ela está bem sentada a minha frente e tem cheiro de cereja.— se antes eu não estava vermelha, eu estou agora— Você fica linda envergonhada, tímida, bem diferente do que és na cama.— comecei a tossir e Eleanor me ofereceu um copo de sumo e quando parei de tossir ela continuou rindo— Fica assim não.
Helena: Para você é fácil dizer, não te deixo no estado que você me deixou.
Eleanor: Quem disse que não?— perguntou se aproximando— Helena, você mexe mais comigo do que alguém alguma vez mexeu.— se afastou servindo outro copo de sumo— Não desmereça o efeito que causas em mim.— falou bebendo e me olhando.
Helena: É... é bom saber.— sorri sem jeito— Ah, isso está muito lindo. Você é que fez sozinha?
Eleanor: Claro, tudo exceto a comida, sou uma péssima cozinheira.— falou rindo— Acredita que até uma salada eu faço mal?
Helena: Meu Deus! Como isso possível?— sorri junto com ela e ficamos nos olhando em silêncio, um silêncio tão bom que foi quebrado por Sara que está trazendo um bolo que vendo agora de perto parece mesmo o meu bolo favorito— Não me diz que é...
Eleanor: Bolo de cenoura com cauda de chocolate.— disse sorrindo— Obrigada, Sara, se você já terminou podes tirar o resto da tarde e ir embora.— Sara agradeceu e saiu nos deixando sozinhas— Vá lá, prova.
Helena: Meu Deus!— falei mordendo o pedaço em minhas mãos— Está realmente bom.— mas não tanto como o que a minha mãe faz, é como dizem << Comida de mãe não tem igual>>— Quem te contou que este é o bolo que eu mais amo? Foi a Maria Clara, não foi?
Eleanor: Não. Sua mãe.— parei na hora já olhando para ela com os olhos em água.
Helena:?Você falou com ela?— ela assentiu— E como ela está?
Eleanor:?Está bem, pediu para te dizer para você não se preocupar que ela vem te visitar.
Helena: Quando?— olhei para ela surpresa— Como ela vai fazer com o meu pai?
Eleanor: Ela virá depois de sair da igreja. Não se preocupa, brevemente você verá el...
Não deixei-a terminei e subo em cima dela a abraçando tão perto, eu estou tão feliz por ela ter feito isso tudo aqui e por ter falado com a minha mãe e graças a ela vou matar um pouco da saudade que sinto dela.
Helena: Obrigada. Muito obrigada.— agradeci ainda abraçando ela que agora depois do susto está apertando a minha cintura.
Eleanor: De nada.— disse se soltando— Agora vamos terminar de comer? Estou morta para comer tudo isso.
Falou sorrindo e eu também, e o resto da tarde foi assim connosco sorrindo e conversando, falámos sobre ela, sobre mim, falámos tanto que sinto como se a conhecesse há anos. Eleanor me falou sobre a vida dela, que ela perdeu os pais quando era bem pequena e por isso foi viver com os pais do Marcelo e a mãe dele, irmã da mãe de Eleanor, sempre a tratou como a filha que ela não teve até o dia da sua morte. Eleanor me contou que desde pequena ela sempre amou ler, ama livros e agora com 23 anos está fazendo de tudo para abrir uma livraria dela lá na cidade.
[...]
Já está escuro e Eleanor está me levando no colo até o meu quarto, chegamos e ela me pousou no chão.
Helena: Obrigada por hoje mais uma vez... foi maravilhoso.
Eleanor: Para mim também foi e que bom que consegui te animar.
Helena: É, você conseguiu.— ficamos nos olhando por algum tempo até ela quebrar o silêncio.
Eleanor: Eu acho que é melhor você ir dormir. Você precisa descansar.
Helena: É, você tem razão. Feliz noite, Eleanor.
Eleanor: Feliz noite, Helena.— disse virando para ir, mas eu não posso deixá-la ir assim, não posso.
Helena: Eleanor?
Eleanor: Sim.— respondeu se voltando e eu fui mais perto e a beijei, a beijei com ternura, doce, leve e ela correspondeu segurando a minha nuca e aprofundando o beijo, nos separamos por falta de ar— Uau!
Helena: Eu só queria te agradecer pelas flores. Foste a primeira pessoa a me dar.— falei e me olha com tanta intensidade que veio até a min me beijando de novo, porém mais intenso.— Agora eu que digo... Uau!
Eleanor: Fico feliz por participar da tua primeira vez e se depender de mim, espero participar de outras mais.
Helena: Você já participou da mais importante.— ela me olhou desentendida— Na noite que nós transamos...— olhei para envergonhada— Foi a minha primeira vez.
Eleanor me abraçou tão forte quanto eu abracei há horas e se soltou me olhando.
Eleanor: Você é realmente especial.— sorriu e me deu um beijo na testa— Feliz noite, Helena.
Helena: Feliz noite, Eleanor.
Entrei e fechei a porta pensando em tudo que aconteceu hoje e cheguei a conclusão que eu não gosto só de Eleanor... eu estou me apaixonando por ela.
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Escrava Do Que Desejo
FanfictionHelena é uma jovem que vê-se dividida entre desejos e necessidades enquanto ao seu redor o mundo muda completamente graças a chegada de uma pessoa... Eleanor.
