Capítulo 43

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Helena

Ontem a noite eu quis que a Eleanor sentisse um pouco como eu me senti... usada,e por mais que me custou no momento ter que deixar o orgulho de lado e não me entregar ao meu desejo, eu não pude, eu não posso ser escrava do que desejo. Acordei há uma hora e estou aqui na cama tentando ganhar coragem para descer e encarar a Eleanor depois do que aconteceu ontem, hoje é Domingo então, não irei trabalhar e não pretendo ficar aqui, vou ver a minha mãe, faz 3 meses que só ela vem aqui e eu não vou lá por causa do meu pai, mas eu não vou mais fugir, eu preciso vê-la.

Decido levantar, tomar banho e quando terminei passei um batom cor de rosa, fiz um rabo de cavalo, coloquei uma calça jeans justa, uma blusa apertada de mangas compridas preta e calcei um tênis All Star preto, peguei a minha bolsa e desci torcendo para não encontrar Eleanor e não encontrei, mas sim Marcelo na sala lendo um jornal.

Helena: Que antiquado.—sorri e ele olhou para mim sorrindo também— Bom dia, Marcelo.

Marcelo: Bom dia, Helena.— olhou todo o meu corpo— Onde você vai?

Helena: Vou ver a minha mãe.

Marcelo: Você tem certeza que queres ir e provavelmente se encontrar com...

Helena: O meu pai?— ele assentiu— Não tenho, mas eu não posso continuar fugindo dele, um dia eu vou ter que encontrá-lo.

Marcelo: Além do mais tenho a certeza que ele não ousará tocar em você novamente.— assenti— Helena, você viu Eleanor?

Helena: Hoje?— perguntei sem jeito.

Marcelo: Porquê hoje? Você viu ela ontem?— perguntou sério me olhando nos olhos— O que não seria estranho já que ela vive aqui também.— sorriu— Sim, Helena, hoje.

Helena: Não, não a vi hoje e nem ontem.— ele assenti murmurando um "hummm"— Ela não tem parado muito aqui quando estou e nem quando você está... o que houve entre vocês?

Marcelo: Não entendi.

Helena: Vocês mal se falam e nem se olham... aconteceu alguma coisa?

Marcelo: Aconteceu, Helena e eu acho que você sabe o que é.

Helena: Não sei, o que é?—engoli seco.

Marcelo: Mais tarde eu te conto.— sorriu se levantando— Agora eu preciso sair.

Helena: Tudo bem.— falei indo até a porta e quando estava prestes a sair ouço Marcelo me chamar— Sim?

Marcelo: Agora me diz você, Helena...— falou se aproximando— O que aconteceu entre você e Eleanor para ela mal falar com você?

Helena: Nada importante .— dei um sorriso forçado— Mas depois de você me contar o que aconteceu entre vocês, talvez eu também te conte.— falei e ele sorriu de canto me dando um beijo na bochecha e subindo as escadas.

Saí e pedi para o motorista do Marcelo me levar até a casa dos meus pais, demorou um pouco, mas cheguei, saí e pedi que ele viesse me buscar só ao anoitecer e ele concordou e saiu. Fiquei fora olhando por um tempo o portão ganhando coragem para entrar, me pergunto se devo ou não, mas já que cheguei aqui não vou voltar.
Entrei e senti um calafrio, é difícil voltar aqui, vivi tantos momentos bons ao lado da minha mãe e tantos momentos maus ao lado do meu pai e saber que eu não voltarei mais a viver aqui porque eu vou sair da casa do Marcelo para onde só Deus sabe quando eu fugir me dá um grande alívio.

Entrei na casa gritando pela minha mãe e nada dela responder, fui até a cozinha e nada, até ao quarto dela nada, fui ao meu quarto e encontrei ela sentada na cama limpando o rosto e se levantando vindo até mim me abraçando.

Paula: Meu amor, o que você faz aqui?— perguntou depois de me soltar.

Helena: Vim ver a minha mãe ué? Não posso?— sorri e ela também, mas fungando— O que aconteceu?

Paula: Nada, minha filha.— falou se virando olhando pela janela, caminhei até ela e a abracei por trás, senti ela estremecer.

Helena: Mãe, nós sempre contamos as coisas uma a outra, me diz o que se passa.— ela se virou com o rosto molhado chorando— Diz, mãe.— ela ficou calada alguns segundos.

Paula: Seu pai me traiu, Helena... me traiu com a Melissa.— me abraçou chorando mais ainda e eu não sei o que dizer... como ela descobriu?

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