Capítulo 15

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Às vezes, alguns sonhos tardam a se concretizar.

Helena

Isso não está acontecendo comigo, não é possível. Depois da ultima frase que Eleanor disse ela simplesmente apagou encima de mim, eu coloquei ela do outro lado da cama e mesmo ela dizendo que é mais quente do que eu, tive que a cobrir com um cobertor pois a camisola dela tinha subido tanto que deixou sua calcinha vermelha à mostra, a mesma que ela estava usando no meu sonho. Era muito coincidência, mas foi só um sonho, um sonho muito... ah!

[...]

O sol já tinha nascido, mas Eleanor ainda está dormindo, parece tão serena, tão doce e não aquela mandona e cheia de tesão como estava no meu sonho. São exatamente 8h da manhã e eu preciso levantar, tomar um banho e colocar de novo o vestido que estava usando ontem. Após terminar de me arrumar, saí do quarto deixando Eleanor dormindo e desci até à sala, encontrei apenas Sara limpando o pó.

Helena: Bom dia, Sara.__sorri para ela.

Sara: Bom dia, senhorita Helena.

Helena: Onde está Marcelo?

Sara: No pátio, senhorita. Esperando por você.

Helena: Obrigada.

Agradeci e fui até o pátio. Marcelo já tinha acordado o que só pode significar que eu tinha dormido demais, mas a culpa é daquela cama confortável, a mais confortável em que eu já havia dormido e olhem que eu só tinha dormido em duas até agora, a minha e a do quarto de Maria Clara. Chegando ao pátio a mesa está posta e farta como ontem e Marcelo sentado nela lendo um jornal, está sol então Marcelo está usando óculos escuros na cabeça, uma Lacoste branca, uma bermuda bege vestida e chinelos calçados.

Marcelo: Bom dia, Helena.__disse sem desviar os olhos do jornal.

Helena: Bom dia, Marcelo.__digo me sentando a frente dele__Como sabia que sou eu?__pergunto servindo uma caneca de café para mim.

Marcelo: Pelo seu cheiro.__olhou para mim__Por isso.

Helena: Poderia ser Eleanor.

Marcelo: Minha prima tem um cheiro mais forte do que você, um cheiro rústico, apesar de ter vivido maior parte de sua vida numa cidade, já você tem um cheiro mais leve, doce, cheiro de frutas. Qual é?

Eleanor: Cereja.__disse aparecendo de pijama e não com aquela blusa__Sua noiva tem cheiro de cereja.

Marcelo: Prima.

Eleanor: Primo.__disse em seguida. Isso será um cumprimento deles?__Olá, Helena.—__Eleanor pegou uma maça na mesa e mordeu__Dormiu bem?

Helena: Dormi e você?

Eleanor: Muito bem.__sorriu para mim e depois olhou para Marcelo__Bom, tenho coisas para fazer, bom apetite para vocês. Adeus, Helena__olhou para mim e depois para Marcelo__Primo.

Helena: Prima.__respondeu Marcelo e Eleanor saiu em seguida por onde veio. Ela não se lembra de nada de ontem a noite?

Marcelo: Tudo bem?

Helena: Sim, mas... posso fazer uma pergunta?

Marcelo: Queres dizer fazer outra depois dessa?

Helena: Sim.__sorrio__Sua prima tem algum problema de sono?

Marcelo: Porquê a pergunta?

Helena: Nada não, é que ela pareceu cansada agora há pouco, como se não tivesse dormido o suficiente.__ minto, estou me tornando uma grande mentirosa, ai se minha mãe soubesse!

Marcelo: Eleanor é sonâmbula, além da insónia que começou desde a morte dos pais dela.

Helena: Nossa, eu não sabia.__isso explica tudo__E ela faz algum tratamento?

Marcelo: Além de ler?__assinto para Marcelo__Não.__ tomou um gole do seu café __Insisti, mas minha prima é muito teimosa.__olhou para mim__Não se preocupe, ela está bem... e você, vejo que dormiu muito bem.

Helena: Dormi tanto assim?

Marcelo: Não se preocupe.__sorriu__Você acordou antes que a minha prima, significa que você acordou na hora certa.

   [...]

Terminamos de comer e eu preciso ir para casa e Marcelo para uma reunião, ele foi trocar de roupa e depois fez questão de me levar até casa a casa pois segundo ele precisa se desculpar por eu ter passado a noite na casa dele antes de sermos casados, e tem razão, pois meu pai se importa muito com o que as pessoas dizem.

Marcelo me trouxe de carro, ele mesmo conduziu e não demorou muito para chegarmos até a minha casa. Não precisamos bater porque eu tenho uma chave que ando sempre com ela, entramos em casa, Marcelo depois de mim e chamei pela minha mãe que apareceu em seguida.

Paula: Filha.__veio e beijou minha bochecha e depois olhou para Marcelo__Bom dia, Marcelo.

Marcelo: Bom dia, dona Paula. Como está?

Paula: Estou bem, obrigada. E o Marcelo?

Marcelo: Estou bem.__disse sorrindo.

Paula: Tudo bem.__minha mãe sorriu__Venha! Quer tomar um café?

Marcelo: Não, obrigada. Helena e eu já comemos. Eu vim mesmo para trazê-la e me desculpar por essa situação.

Paula: Ah, não se preocupe. Eu e o meu marido entendemos. Obrigada por zelar pelo bem-estar da nossa filha.

Marcelo: Foi um prazer passar mais tempo com a sua filha.__olhou para mim me fazendo corar e depois para a minha mãe __Agora eu preciso ir.

Paula: Não quer mesmo tomar café?

Helena: Mãe!__a repreendo baixo e Marcelo ri.

Marcelo: Não, obrigada. Está tudo bem, tenho uma reunião de negócios agora.

Paula: Tudo bem, Marcelo. Obrigada mais uma vez por trazer Helena viva.

Marcelo: Não tem de quê.__sorriu para a minha mãe__Helena...__olhou para mim e dessa não foi sem antes sussurrar algo tão baixo que só eu pudesse ouvir__Pela próxima você dormirá no meu quarto.__beijou a minha bochecha e saiu pela porta me deixando tão vermelha quanto a cor do meu cabelo. Quem é esse, homem?

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