Capítulo 16

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Christopher Alexander

É oficial: Dulce María e eu, estamos casados.

Somos marido e mulher.

Esposo e esposa.

Juntos pela eternidade, que perdurará até esse contrato farsante acabar, e então finalmente poderemos seguir com nossas vidas normais e nos esforçarmos para esquecer tudo o que aconteceu.

Não sei explicar ao certo o que estou sentindo.

Além da ressaca dos infernos que perdura pela minha cabeça e faz com que ela pareça pesar cinquenta quilos, não sinto grandes emoções.

A fase da raiva já passou; me cansei de me frustrar por algo que seria inevitável e que eu havia concordado.

A ansiedade pela cerimônia também; tudo havia dado certo e, por mais difícil que parecesse para mim, todos nós nos divertimos.

Dulce se divertiu.

A flagrei diversas vezes rindo, sorrindo, aproveitando aquela festa que, apesar de ser falsa, tinha o seu devido valor.

Eu, pelo outro lado, me ocupei em encher meu corpo com bebidas alcóolicas para tentar ficar o menos insuportável possível – o que deu certo.

Quando saímos do salão, vários paparazzis e fotógrafos estavam do lado de fora, ansiosos pelo furo.

Dulce estava com seus pequenos dedos entrelaçados aos meus, apertando-os. Em algum momento de toda aquela correria, logo quando estávamos entrando no carro, fiz uma piada que a fez rir.

Genuinamente.

Na primeira página do Times, vejo essa imagem com os seguintes dizeres:

“CHRISTOPHER ALEXANDER E DULCE MARÍA: O CASAMENTO MAIS ESPERADO DE HOLLYWOOD”, junto com uma matéria sobre o casamento, acompanhada da foto que registrou esse momento exato.

É uma foto muito bonita.

Mas, ainda que ela tenha ficado boa, Poncho havia tirado uma muito melhor. Em um dado momento da festa, nós discutimos. Não me lembro sobre o que, muito menos o motivo da discussão, mas lembro que ela cruzou os braços e ficou me encarando com aquela cara de bunda que eu tanto adoro ver. Para provocá-la ainda mais, cruzei meus braços e me coloquei ao seu lado, imitando a pose.

É uma foto hilária, que combina cem por cento com nós dois. Se eu não a odiasse, imprimiria a imagem e colocaria num quadro.

— Ah não, Scott. Você não pode me obrigar a fazer isso!

Meus devaneios são interrompidos por essa mesma mulher - que agora é minha esposa, gritando com meu empresário. Coço meus olhos, tentando me livrar da ressaca e vou até o corredor do hotel que foi reservado apenas para nós, e me deparo com Dulce vestindo um roupão branco, de braços cruzados, gritando com o homem grisalho.

— Porra, são sete horas da manhã — resmungo, fazendo careta para os dois.

Ambos já se livraram das roupas do casamento, enquanto eu não tive forças para me trocar, então dormi de terno e gravata.

— Por que vocês estão gritando?

— Primeiro: são meio-dia, seu grande babaca. — Dulce revira os olhos, cruzando os braços na altura dos seios. Não consigo evitar o meu sorriso. Essa é a minha mulher: uma megera indomável que me odeia. — Segundo: seu querido empresário quer que eu vá morar com você!

— Não é morar, seria um pequeno período para enganar a mídia — Scott logo a interrompe, mantendo sua voz calma para não gerar mais alarde. — Três meses no máximo. Vocês precisam ser vistos juntos, senão nada disso fará sentido. Me digam: como um casal recém-casado mal aparece lado a lado?

O SOM DO IMPROVÁVELOnde histórias criam vida. Descubra agora