Capítulo 44

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Dulce María

Um mês depois, eu havia me mudado para o apartamento de Christopher em Los Angeles.

Tá, confesso que fui um pouco hipócrita.

Naquela noite em que ele veio atrás de mim no meu antigo apartamento em Detroit, e decidimos ficar juntos, estava firme de que não iria me render a tentação de dividir o mesmo teto que o dele. Mas passamos o natal junto com os meninos da banda em LA, depois o ano novo em Palm Beach, sozinhos na sua casa, transando por todos os cômodos possíveis e bebendo champanhe e... bom, quando dei por mim, no final de janeiro, o caminhão de mudança me esperava na porta da minha antiga casa.

Não me arrependo de ter tomado essa decisão. Estava tentando me fazer de difícil, mas percebi que, no fim das contas, era apenas uma desculpa para não fazer o que realmente queria: voltar a dormir com Christopher todos os dias. Não havia motivos plausíveis para ficarmos separados. Além da distância de Detroit e Los Angeles ser absurda, fazendo com que nós nos víssemos apenas em alguns finais de semana, não fazia o menor sentido querer enrolar. Nós já havíamos morado juntos. Caramba, tivemos até a droga de uma festa de casamento. Não faz o meu feitio ficar fugindo.

Não mais.

A Furia Azteca estava em período de gravações. Entre uma música e outra, visito Christopher e os meninos quando tenho tempo. Scott (Fernando) sempre está lá com eles, e nossa relação tem sido... intrapessoal, posso dizer. Não conversamos muito. Não tocamos no assunto “pai e filha”, mas respeitamos nossa presença. Vejo ele tentar se aproximar, puxando conversa vez ou outra, e o respondo com gentileza. Sei que ele está tentando se aproximar do seu jeito. E, no momento certo, acredito que possamos voltar a ser o que éramos antes. Bom, será diferente, porque ele é meu pai. Contudo, espero que seja para o melhor sentido possível.

Para os curiosos de plantão: não, eu não voltei a trabalhar para a banda. Depois de muito pensar, e de Scott (Fernando) me ofertar o emprego novamente quando a poeira abaixou, percebi que aquele não era o meu lugar. Amo a banda. Amo como se eles fossem a minha família, mas não posso viver trabalhando para eles. Não quero viver assim.

Então, decidi focar no que realmente me move: a pintura.

Christopher derrubou um dos seus quartos de hóspedes no apartamento para me fazer um estúdio. Ele contratou uma arquiteta para fazer o projeto de interiores do meu cantinho favorito, e eu não poderia estar mais grata e feliz.

Enquanto ele trabalha, fico aqui. Passo manhãs, tardes e até mesmo algumas noites pintando, organizando quadros, pensando em como começar a lançar o meu nome no mercado. Não posso viver para sempre apoiada no dinheiro dele. Ainda que Christopher tenha uma fortuna estimada em mais milhões que posso contar, não quero ser sua futura esposa troféu.

Mesmo que seja uma ideia tentadora.

Nessa noite em específico, meu namorado disse ter preparado uma surpresa para mim. Christopher me presenteou com um lindo vestido azul, meio metalizado, e jóias da mesma cor. Não faço a menor ideia do que ele está aprontando, mas estou ansiosa para descobrir.

Termino de me vestir e me olho no espelho. Quando baixo os olhos para o meu dedo, sinto um aperto no coração ao reparar que não estou usando o meu solitário de noivado. No ano novo, achamos que seria uma ótima ideia nadar nus na praia privada que sua casa dá acesso. Entre um mergulho e o outro, o anel escapou do meu dedo. Procuramos desesperados, chorei até me faltar o ar dos pulmões, e no fim das contas não conseguimos encontrá-lo.

— Foda-se, não vamos mais para a surpresa.

Me assusto ao ouvir sua voz entrando no nosso quarto. Christopher está tão bonito, que sinto vontade de trancá-lo em um quarto para que somente eu possa vê-lo para sempre. Usando seu terno Armani preto, e uma gravata no mesmo tom azul do meu vestido, meu namorado está vestido para matar. Seus cabelos estão maiores, bagunçados e despojados do jeito que eu amo.

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