Dulce María
Tudo e nada havia mudado desde que colocamos nossos pés na Flórida após o jantar beneficente do final de semana.
Passamos o domingo inteiro curtindo o dia ensolarado de Miami na companhia de Scott, dos garotos e Anahí. Fazia tempo que não me sentia assim; feliz, leve e principalmente, em família.
Gosto da leveza de estar com a equipe da Furia Azteca. E essa leveza se torna ainda mais evidente agora que Christopher e eu não nos odiávamos mais.
Algo está diferente, e eu não sei explicar o que é. Christopher parece estar mais... carinhoso. Cauteloso. Como se, depois de dormirmos juntos no final de semana - literalmente dormir, já que depois de me fazer gozar até nos cansarmos, deitei no seu peito e adormeci junto dele - alguma coisa tivesse mudado na nossa relação. Mas, ao mesmo tempo, ele continuava sendo aquele homem que adora implicar com qualquer coisa que eu faço, sempre disposto a fazer gracinhas para me provocar. Como disse anteriormente, tudo e nada havia mudado.
É uma sensação estranha.
Estamos de mãos dadas enquanto o motorista particular se encarrega de nos levar para casa.
De.Mãos.Dadas.
Ele traça um carinho delicado nos meus dedos enquanto conversa com Scott no telefone, falando sobre algum assunto que se refere ao Single Music Awards, o próximo - e último - grande evento que seremos obrigados a ir, que acontecerá em algumas semanas. De qualquer forma, não estou prestando atenção. Mantenho minha cabeça recostada contra a janela, observando o milagroso dia chuvoso que inunda Palm Beach, repassando cada detalhe do que aconteceu naquele quarto de hotel.
A intimidade é algo que ainda me assusta. O sexo, o ato sexual propriamente dito é um dos, senão o, maiores atos de proximidade entre duas pessoas. Christopher me viu nua. Eu o vi seminu. Ele provou do meu gosto e pareceu se viciar nele.
É a primeira vez que sinto que um cara me vê como algo além de uma boneca para ele se divertir, como Paco via. Como os demais homens que tive o azar de me relacionar, ainda que por casualidade, viam. Eles só pensavam neles mesmos. Nos seus próprios prazeres, desejos e vontades, ainda que não chegássemos a transar de fato.
Já Christopher, estava pensando somente em mim. No meu prazer, tanto que nem ao menos o toquei. Fiz menção, mas ele me interrompeu, alegando que não era a noite dele. E sim, a minha. Pode parecer superficial, mas naquela madrugada onde gemi e gritei pelo seu nome até perder a conta, foi uma das vezes em que mais senti ter algum valor na vida. E não pelo sexo em si.
Meus pensamentos estão bagunçados. Olho para Christopher, e não vejo mais o monstro de sete cabeças que enxerguei por tantos anos. Vejo meu marido, ainda que seja de mentirinha, e enxergo um pouco de quem ele é.
Ele não é um babaca completo, mesmo sendo um mulherengo dos infernos.
Christopher é... gentil. Genuinamente engraçado. É o tipo de cara que te provoca até você estar rindo das suas bobeiras. Que compra um vestido e jóias da sua cor favorita, porque sabe que você irá gostar; é o que pede para tirarem o picles do meu sanduíche antes mesmo que eu tenha a chance de pedir, pois ele mesmo já sabe que odeio o vegetal em conserva; ele é quem ele é.
E eu meio que gosto disso. Passei anos demais o odiando. Dias, meses, incontáveis horas desejando que ele sumisse. Agora, adoro quando ele está por perto.
E isso está me levando à loucura.
Agradeço aos céus por chegarmos em casa no mesmo instante em que ele desliga o telefone. Preciso de um tempo a sós no meu ateliê para pintar uma tela, quadro, qualquer coisa que me faça esquecer um pouquinho das vozes da minha cabeça. Contudo, logo quando ele abre a porta, somos recebidos por Nate, que agarra as pernas do tio com toda sua força infantil.
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O SOM DO IMPROVÁVEL
Fanfiction(+18) FANFIC VONDY Christopher Alexander é o típico astro do rock que todos amam odiar: talentoso, charmoso e cheio de problemas. Liderando a famosa banda "Furia Azteca", ele vive cercado por polêmicas, festas intermináveis e manchetes escandalosas...