Capítulo 33

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Dulce María

Eu finalmente estava descobrindo o porquê de algumas pessoas dizerem ser viciadas em fazer sexo.

Quer dizer, meio que já entendia.

Desde quando Christopher e eu começamos com as preliminares, já estava começando a ficar obcecada por esse contato íntimo. Com o seu toque sobre meu corpo, sua boca macia me beijando, seus dedos serpenteando-me por toda parte...

Oh, sim. Isso é delicioso.

Mas nada se comparava com a sensação de tê-lo dentro de mim. Essa sim fez com que eu me tornasse cem por cento adicta e quase dependente dele.

Tudo bem, “dependente” é um pouco exagerado, porém quase chega perto da verdade.

Desde quando transamos pela primeira vez naquele quarto de hotel há cerca de mais ou menos um mês e meio, não consegui mais me desgrudar dele. Toda e qualquer brecha que tínhamos virava motivo para sexo: seja um banho de piscina, ou banho comum, durante nossas sessões de cinema, antes e depois de dormir, ao acordarmos... é uma rotina e tanto.

Uma rotina deliciosa, que não pretendo abrir mão tão cedo.

Confesso que estava com um pouco de medo dele enjoar de mim. Afinal, dentre todos meninos da banda, Christopher sempre foi o mais mulherengo - perdendo apenas para Poncho -, sempre com uma mulher ou mais diferentes por noite. Ele não estava acostumado a ficar com a mesma pessoa com frequência, então meio que já era de se esperar.

Só que ele me mostrou o contrário.

Quanto mais Christopher me tem, mais ele anseia por conquistar. Nunca é a mesma coisa - a cada vez que fodemos, vamos nos encaixando. Descobri que adoro quando ele manda em mim. Me excita vê-lo tomando controle da situação, dizendo que sou dele, que ele foi o primeiro homem a me tocar de verdade... droga, apenas essas meras lembranças me causam arrepios.

É, pois é. Muito contraditório.

Dulce María descobrindo que gosta de ser submissa a Christopher Alexander na cama.

Se me dissessem isso há meses atrás, seria capaz de dar um tiro na cara da pessoa que ousou dizer tamanho absurdo.

— O que você está fazendo, uhm?

Sou surpreendida com o som da voz do meu marido preenchendo meu ateliê de pinturas.

Estou sentada de costas para a parede, sentada em um banquinho, pintando um quadro que me veio à cabeça durante um sonho. Ele deposita um beijo no meu pescoço, agachando-se e apoiando a cabeça no meu ombro, observando o quadro.

— Pintando o que sonhei — respondo com um sorriso singelo, olhando para a tela. — Minha imaginação estava fértil, tive vários sonhos.

— Quer me contar um?

— Hum... eles não fazem muito sentido. — Rio, coçando a cabeça para me lembrar de algum que não seja o da arte. — Ah, já sei: sonhei que a Anahí se casava com a Penélope e as duas tinham um filho que era um cachorro híbrido. Mas tipo, literalmente um filho cachorro. Segurei a mão de Anahí enquanto ela paria uma criança que era a mistura perfeita de um ser humano com o animal, de um jeito fofo. Com orelhinhas, alguns pelinhos e tal. Perguntei para Penélope porque o filho delas havia nascido daquele jeito, e ela explicou que era um gene dominante na sua família. Enfim, foi estranho.

Ele solta uma gargalhada genuína e contagiante, jogando a cabeça para trás de tanto rir.

— Caramba, como você tem uma imaginação realmente muito fértil. Deveria escrever livros sobre esses sonhos malucos de humanos e cachorros.

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