Capítulo 43

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Christopher Alexander

— Seu maldito!

Para minha total surpresa, ao invés de me recepcionar com um abraço quando percebe que realmente estou aqui, Dulce estapeia meus braços que moldavam o seu rosto e dá um tapa no meu peito. Tapa esse, que exigiu toda sua força, mas que pelo fato de ela ainda estar meio tonta e mole, foi como se uma formiga tivesse me mordido.

Não consigo segurar a minha risada.

— Não era essa a recepção que eu esperava, amor — digo entrando no apartamento, sem me importar em ser convidado ou não, fechando a porta em seguida.

— O que diabos você está fazendo aqui? — pergunta chocada, olhando-me da cabeça aos pés.

A Dulce cheia de nostalgia e saudades que colocou os olhos em mim há poucos minutos foi embora. Agora, minha ex-esposa parece estar furiosa com a minha surpresa, franzindo o cenho, quase se beliscando para cair na realidade.

E eu adoro isso. Adoro ver Dulce irritada. É sexy, excitante e nostálgico.

— Bom... vim realizar o seu pedido — falo sem graça, coçando minha nuca.

Na verdade, nem eu mesmo sei o que estou fazendo aqui. Quando recebi sua ligação, e percebi que ela estava completamente bêbada e vulnerável, pensei que gostaria de estar ao seu lado para confortá-la no seu dia menos favorito do ano. Depois de ouvi-la confessando que o seu desejo de aniversário era me ter por perto, não pensei duas vezes antes de comprar uma passagem de primeira classe que partia em vinte minutos de Los Angeles. Não trouxe malas, roupas, nada. Não preciso de nada.

Tudo o que eu preciso está bem aqui na minha frente: uma mulher furiosa, linda, e que será minha mais uma vez. Não importa o que aconteça.

— Isso é loucura. Você é maluco!

— Sim, talvez eu seja mesmo.

— Daqui para Los Angeles são mais de dois mil quilômetros, e umas cinco horas de voo. Você atravessou tudo isso só para me ver porque disse isso quando estava bêbada?

Sem intenção nenhuma de continuar distante, volto a me aproximar dela. Dulce ergue o queixo para me encarar nos olhos, e tudo o que faço é sorrir. Ainda mais quando percebo seu olhar recair para o meu lábio.

— Amor, entenda uma coisa: não há nada nesse mundo que eu não faria por você.

Minhas palavras parecem atingi-la como um soco na cara. Dulce engole em seco, ainda me encarando.

— Você é louco, Alex.

— Com orgulho, María.

— O que isso significa? Essa surpresa, essa visita inesperada?

— Significa que eu não desisti de nós. E não pretendo desistir.

Ela desvia o olhar, encarando o chão.

— Eu... não sei o que te dizer.

Deus, estava tão corajosa há algumas horas.
Droga de vinho barato!
Rio com menção do vinho, balançando a cabeça de um lado para o outro.

— Não estou esperando nada, princesa.

Abusando de uma hospitalidade que não tenho, ando do seu hall de entrada até a sala, sentando-me no sofá cinza. O apartamento de Dulce não é muito como eu esperava: as cores frias e intimidadoras deixam o lugar não muito confortável. Sei que ela não passava muito do seu tempo aqui quando trabalhava com a banda, mas sempre a imaginei morando em uma casa cheia de plantas e tons terrosos. Esse cubículo é bem diferente do que fantasiei. É medonho, pavoroso e impessoal. Pelo menos, o sofá é bem confortável.

O SOM DO IMPROVÁVELOnde histórias criam vida. Descubra agora