Capítulo 26

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Dulce María

Eventos beneficentes sempre eram entediantes.

Ok, eu apoio a causa. Acho, sim, que pessoas extremamente ricas como aquelas que iremos encontrar devem arrecadar fundos com seu poder de influência para aqueles que mais precisam, principalmente se tratando de crianças - como é o evento de hoje. Mas eu estaria mentindo se dissesse que esse é o meu plano ideal para um sábado à noite.

Pegamos um voo pela manhã para estarmos em Miami. Voo, que bobagem: fomos até jatinho particular de Christopher para garantir maior conforto e praticidade, não demorando para chegar e nos direcionarmos até o hotel cinco estrelas, nas suítes que Scott sempre faz questão de alugar para eles.

Ainda não me acostumei com essa vida; com todo esse luxo, exclusividade, enfim, tudo o que envolve ser casada com um astro do rock. Não que eu pudesse reclamar quando trabalhava para a banda, Scott nunca fez com que eu me sentisse inferior. Só que dessa vez é diferente. Completamente diferente.

Agora, sou uma figura pública. Que será fotografada e aparecerá em sites, jornais, revistas. Antes ficava nas espreitas, sempre vestida de preto para passar despercebida.

Dessa vez, Christopher me presenteou com um vestido azul safira e um par de jóias de safira para combinar. Elegante. Lindo.
Exagerado.

Ao menos, pude matar a saudade dos meninos. Por mais que eles me deem um trabalho danado, sinto falta desses moleques-meio-homens quando saímos de férias. Ainda que eu tenha Christopher no meu pé vinte e quatro horas por dia, os seus complementos (Poncho e Christian) são ótimas companhias.

É engraçado ver o quanto eles se complementam.

Acredito que conviver com Christopher faz com que eu entenda melhor sobre a banda; sobre três melhores amigos que tinham apenas um sonho, e conseguiram conquistá-lo. Ele sente falta dos velhos tempos. De quando eram crianças, despreocupadas, só pensando em aprender a tocar instrumentos. Não é à toa que ele “me deixou” aqui no nosso quarto para ficar com eles.

E não me importei nem um pouco com isso.

Batidas na porta me trazem de volta para a realidade. Bufo, pensando que possa ser alguém da equipe de maquiagem. Não que eu não goste de maquiadores, muito pelo contrário. É uma profissão belíssima. Porém, não gosto da ideia de ser maquiada por outras pessoas.

No casamento, só aceitei porque não tinha condições de me maquiar. Quando era mais nova, juntei dinheiro para fazer um curso de automaquiagem. Além do curso, complementei com mais alguns vídeos que assistia na internet. E não é por nada, mas sou ótima com isso. Se Scott insistir em me mandar uma equipe.... argh. Não quero me estressar.

Paro a minha preparação de pele para ver quem está do outro lado. Solto um suspiro aliviado ao ver que se trata de Anahí, que provavelmente deu a volta no mundo apenas para acompanhar Poncho nesse jantar - o que não é uma novidade.

Ani está conosco na maioria dos eventos beneficentes. Ainda me pergunto porquê ela não faz parte da banda.

— É um alívio te ver. — Sorrio para ela, a recepcionando com um abraço. — Pensei que fosse alguém da equipe de maquiagem.

— Não seja chata, Dul! — brinca, adentrando ao quarto. Seu sotaque britânico parece ainda mais forte, acredito que seja porque não o ouço há um bom tempo. — Ele só está te mimando, ora esse. Que pessoa no mundo tem um chefe assim?

— Bom, ele não é tecnicamente meu “chefe” agora. — Rio, fazendo aspas com os dedos e voltando a me maquiar. — Estou de férias, e para completar, sou casada com um dos integrantes da banda que ele trabalha.

O SOM DO IMPROVÁVELOnde histórias criam vida. Descubra agora