Capítulo 41

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Dulce María

Minhas mãos estão suando e tremendo enquanto espero por Scott na Coffee Bakery, minha cafeteria favorita de Detroit.

Desde quando conversei com Anahí na sua visita até minha casa, andei pensativa sobre o verdadeiro vilão da minha história. Passei muito tempo punindo Christopher, que também teve sua parcela de culpa, mas por consequência deixei de prestar atenção na verdadeira pessoa que me devia satisfações sobre minha vida pessoal.

No fim das contas, acredito que tenha culpado mais a Christopher pelo fato de ser apaixonada por ele.

Deixei meus sentimentos à flor da pele, e esqueci que quem o obrigou a manter segredo foi seu empresário.

Vulgo o meu pai.

Na noite passada, durante um ataque de cinco minutos de coragem, mandei uma mensagem para Scott dizendo que queria lhe encontrar hoje. No começo, pensei que ele fosse recusar. Ou melhor: nem ao menos me responder. Era uma quarta-feira à noite, e sei mais do que ninguém o quanto ele é um homem compromissado. Sua agenda é a mais cheia que eu já vi na vida - bom, não que eu tenha visto muitas, porém Scott Lendger mal tinha tempo para respirar. Quando trabalhávamos juntos, me esforçava ao máximo para arrumar uma brecha para que ele pudesse descansar. E essa brecha durava, no máximo, uma hora.

Viajar de Los Angeles para Detroit leva entre quatro e cinco horas. Fora nossa conversa, que não faço ideia de quanto tempo levará. E sua volta para a cidade dos sonhos.

De qualquer forma, não é como se isso fosse problema meu. Não mais. O empresário me respondeu quase que em segundos, informando que havia comprado suas passagens e reservado um hotel para passar a noite. Não respondi. Horas depois, ele perguntou onde nos econtraríamos, então indiquei essa cafeteria num bairro mais afastado. Ela é simples, deliciosa e vazia. Perfeita para uma conversa entre pai e filha.
Pai e filha. Sinto vontade de rir de desespero diante desse absurdo tão real.

Combinamos de nos encontrarmos às três da tarde. São duas e cinquenta e oito. Pedi um expresso com creme de avelã e já o engoli por inteiro. Pelo chocolate me dar sede, pedi uma água. Bebi quase metade da garrafa. Agora estou brincando com a tampa, olhando fixamente para a mesa, pensando no que tenho a dizer para Scott. Afinal, eu o chamei para vir até aqui. É de se esperar que muitas coisas sairão da minha boca, mas a verdade é que não faço a menor ideia de por onde começar. Como começar. O que começar.

Se pudesse ignorar meus pensamentos racionais, começaria o xingando de todos os nomes existentes e até mesmo inexistentes. Depois, quebraria o copo onde tomei o meu expresso na cabeça dele. Aí sim, depois de descontar toda minha raiva, talvez começaria perguntando sobre minha mãe. Quem ela era, o que gostava, o que fazia... É, não é uma má ideia - incluindo a parte dos xingamentos e do copo. Será que eu ficaria muito tempo na cadeia? Quer dizer, estamos em um local público. Com certeza seria denunciada pela violência, mas pode valer à pena...

— Me desculpe pelo atraso.

Meu divago é interrompido pelo homem que ocupa meus pensamentos. Scott parece ter corrido uma maratona ao parar na minha mesa, usando uma camiseta de linho azul marinho e calça jeans - bem diferente do que estou acostumada a ver. Seus cabelos grisalhos estão bagunçados, o que entrega mais ainda a sua pressa para chegar até aqui.

Quando olho no meu relógio de pulso, vejo que são apenas três horas e dois minutos.
Ele se atrasou por cento e vinte segundos e parece que vai morrer por causa disso.

— O voo deu uma pequena atrasada — ele começa a se explicar, tomando a liberdade de sentar na minha frente — e não achava nenhum táxi para me buscar. O primeiro motorista que me aceitou fez o favor de bater o carro contra o de uma senhora. Não foi uma batida forte, nem ao menos deve ter dado um arranhão, mas aquela velha começou a gritar e...

O SOM DO IMPROVÁVELOnde histórias criam vida. Descubra agora