Capítulo 39

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Dulce María

Eu ainda não tinha tirado o meu anel de noivado. Ele estava bem ali no meu dedo, reluzente e brilhante, como se Christopher tivesse me presenteado ontem com a joia.

Desde quando tudo aconteceu, só o tirei no dia de assinarmos os papéis do divórcio, pois não queria dar o gosto para... para o meu ex marido de vê-lo no meu dedo anelar.

Ex marido. Christopher é o meu ex-marido.

Que loucura.

A aliança de casamento estava vagando pelo oceano de Palm Beach. Christopher não sabe, mas antes dele me encontrar na praia no dia em que descobri sobre Scott, eu havia jogado o anel rumo ao oceano sem fim.

Hoje me arrependo. Gostaria de, ao menos, guardar aquela recordação. E deveria ser uma jóia muito cara.

Se bem que, com o saldo total que tenho na minha conta bancaria, tenho condições de comprar no mínimo uns cinco anéis iguais àquele.

Mas eles nunca teriam o mesmo significado.

De qualquer forma, havia um motivo específico pelo qual eu ainda usava a aliança de noivado: era da minha mãe. Ela é a única memória que tenho da mulher que me deu a vida. Por mais que ao mesmo tempo seja um símbolo de uma grande mentira que destruiu o meu coração, continua sendo o anel dela. A pedra de Larimar, azul como o céu, é a minha favorita. São nesses pequenos detalhes que vejo o quanto de coisas que tínhamos em comum, mesmo sem termos tido tempo para compartilhar essas informações.

Maite havia partido para uma Eurotrip com Kendrick há dois dias. Já faz mais de um mês que não sou casada. Ela fez questão de ficar ao meu lado ao longo desse tempo, mas não poderia ser egoísta e prendê-la aqui pela eternidade.

A realidade é que eu estou sozinha. Por anos e anos, a Furia Azteca foi a minha família.

E agora, eles não são mais.

Eles continuam lá, provavelmente prestes a começar a elaboração do próximo álbum. E estou aqui.

Sozinha.

Sinto saudade deles. De todos eles. Do ronco insuportável de Christian e das suas piadas que, de tão sem graça, nos faziam gargalhar; de precisar dar bronca em Poncho por ele ser um cachorro no cio, que sempre arrastava alguma desconhecida para o camarim depois de todo show, sem exceção; caramba, estou até mesmo com saudades das noites em que passava planejando roteiros e estratégias com Scott, onde falávamos sobre a banda, os meninos e a vida.

Havia uma pessoa em específico que eu sentia mais falta.

E as duas últimas frases que ele me disse antes de partir ressoam na minha cabeça todos os dias como um maldito lembrete de que o deixei ir embora.

“— Só saiba que meus votos de casamento não foram mentira. Enquanto você me odiar, eu estarei te amando. Por mais que não seja um sentimento recíproco.”

“— Seja feliz, Dulce. Conquiste o mundo e arrume um cara boa pinta, que não canta músicas sobre amor, sexo e drogas e te obriga a casar com ele por se meter em uma polêmica. Pinte quadros, telas, pare no museu do Louvre. E nunca se esqueça de que sou seu fã número um.”

Ele disse que me ama.

Christopher havia dito, de coração e alma, que me ama. Ele olhou fundo nos meus olhos e confessou o que deveria ser o maior dos seus segredos. E nem ao menos fui capaz de lhe dar uma resposta.

“Arrume um cara boa pinta, que não canta músicas sobre amor, sexo e drogas e te obriga a casar com ele por se meter em uma polêmica”.

Que se foda o cara boa pinta. A verdade é que não há nenhuma pessoa no mundo que eu possa querer que não seja ele. Que não seja a droga do rockstar metido à besta, que me tirou do sério por muitos anos, mas que conseguiu fazer eu me apaixonar perdidamente por ele.

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