Capítulo 29

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Christopher Alexander

Eu estava mais feliz do que nunca estive antes. Sendo sincero, não me lembro qual foi a última vez que me senti tão alegre como nessa atual fase da minha vida.

Tudo estava dando absurdamente certo. Não haviam estresses, problemas, páginas de fofocas inventando mentiras - e falando verdades difíceis de engolir - sobre mim... o plano de Scott realmente tinha funcionado.

As únicas vezes em que estou saindo em páginas de fofocas, são quando sou visto em público com Dulce, exatamente como estamos agora enquanto tomamos café da manhã na Flakes, localizada em Palm Springs, “fazendo a nossa lição de casa” de sermos flagrados pelos paparazzis antes do Single Music Awards para que meu nome volte a estar em alta.

Olho para Dulce. Ela está folheando o cardápio, pensando no que irá pedir enquanto, de soslaio, noto alguns paparazzis nos registrando com suas câmeras.

Minha esposa parece não se importar. Na verdade, acho que Dulce meio que se acostumou em ser fotografada em público, já que ela é minha mulher. Ainda que deteste isso, Dulce está lidando cada vez melhor com a exposição.

O que é bom, pois não quero que ela sofra.

Não quero que ela sofra. Se eu dissesse essa mesma frase para o Christopher de alguns meses atrás, ele iria gargalhar e me mandar para o inferno. Contudo, não sou mais aquele cara. Aquele que detestava Dulce e desejava o seu fracasso morreu há não muito tempo. E quando penso nele, detesto aquela versão. A versão do cara de vinte e tantos anos que só pensa em mulheres, festas, drogas, bebidas e música. Continuo pensando nas músicas. Em mulheres, festas, drogas, não mais.

Tudo o que preenche a minha cabeça é a imagem dela.

E isso me assusta, porque algo me diz que nosso conto de fadas está prestes a acabar.
Falta pouco menos de um mês para que o acordo de permanência de Dulce na minha casa acabe. Só que tem um problema: não quero que ela vá. Houve um tempo em que eu torcia para voltar a ficar sozinho; agora, não consigo imaginar como é acordar e não vê-la do meu lado. Como é a sensação de não ouvir o som da sua voz rouca, da sua risada, dos seus protestos quando a puxo para cima de mim a beijo mesmo quando ela mal acordou. Não gosto de pensar em não ouvir mais suas reclamações, em não brigar com ela diariamente por causa das coisas mais absurdas de bobas, em não ouvir os seus passos sorrateiros pela casa... não. Não quero imaginar isso.

Está se tornando cada vez mais difícil lembrar que nós não passamos de uma farsa. Que em alguns meses, iremos nos encontrar com o advogado de novo para assinar os papéis do divórcio e cada um seguir com a sua vida. Me acostumei tanto com a ideia de tê-la ao meu lado, que não sei responder como irei reagir quando essa hora chegar.

Eu estarei pronto? Pronto para voltar a minha vida de solteiro, frequentar festas, escrever o novo álbum e não fazer muita merda para preservar a imagem dela na mídia? São muitas perguntas para poucas respostas. Muitas dúvidas para poucas soluções.

— Ei, aconteceu alguma coisa?

O toque delicado da sua mão quente contra a minha que está gelada me traz de volta para a realidade. Dulce deixou o seu cardápio de lado e está olhando para mim com seus grandes orbes castanhos carregados de preocupação. E porra, eu adoro quando ela me olha assim. Como se eu realmente fosse a pessoa mais importante da sua vida.

— Não é nada, princesa.

Me esforço para lhe entregar um sorriso verdadeiro. Pelo seu olhar, percebo que foi em vão.

— Vamos lá, Alex. — Ela semicerra os cílios, me encarando com desconfiança. — Nada de mentir para mim.

— Por que acha que estou mentindo?

O SOM DO IMPROVÁVELOnde histórias criam vida. Descubra agora