Christopher Alexander
Eu estava completamente apaixonado por Dulce María.
Foda-se, era isso mesmo.
Estava perdidamente apaixonado pela mulher que, até poucos meses atrás, era o maior pé no saco da minha vida.
Na verdade, acredito que eu tenha me apaixonado por ela há um bom tempo.
Talvez naquele dia em que nos beijamos “de verdade” pela primeira vez, na cozinha da minha casa; ou quando fomos para a praia enganar os paparazzis; ou nas inúmeras noites em que passamos juntos, fingindo que nada demais acontecia, enquanto nos beijávamos e ríamos das provocações que fazíamos um com o outro; ou talvez... ah, sei lá!
Não sei dizer ao certo.
É a primeira vez que sinto isso - esse tipo de paixão genuína por alguém. Que sinto vontade de proteger uma mulher como se minha vida dependesse disso.
Então é assim que funciona o amor verdadeiro?
Estranho. Reconfortante, mas estranho.
De qualquer forma, nada disso importa mais. Não quando ainda temos três longos meses para aproveitarmos juntos. Até lá, conseguirei descobrir se ela sente o mesmo. Se, de alguma forma, duas pessoas que passaram anos se odiando, agora, conseguem usufruir do sentimento oposto.
Dulce nunca foi boa em expressar emoções e sentimentos - além de raiva, então essa missão pode ser um pouco mais difícil do que estou imaginando, mas não importa. No fim das contas, sei que posso desvendá-la com a palma da mão se a observar com um pouco mais de delicadeza.
E é exatamente o que irei fazer.
Decidi que nesta noite, para comemorar a vitória da banda no Single Music Awards que ocorreu no final de semana passada, iremos sair para a cidade. Porém, não para um lugar qualquer; e sim para o Cheers & Beers, um boteco/karaoke de esquina daqueles mais pé-rapados que se pode encontrar em um bairro duvidoso de Fort Pierce, cidade que fica há mais ou menos uma hora de Palm Beach.
Fizemos nossas malas e nos hospedamos em um um hotel cinco estrelas apenas porque me recuso a deixar Dulce repousar em um lugar asqueroso. Depois disso, fomos até uma loja de variedades e compramos perucas vagabundas para usar como disfarce, já que não posso ser reconhecido por nada nesse mundo. Meu intuito nessa noite é, além de me divertir com minha esposa, fugir um pouco dos flashes e entrar no anonimato. Para isso, nada melhor do que se enfiar em uma cidade pouco conhecida, e ir até o bar e karaoke mais insalubre que meus pés já ousaram pisar um dia.
— Ainda não consigo acreditar no que estamos fazendo — diz Dulce, rindo ao colocar sua peruca loira. Tão linda. Ela, é claro. A peruca é horrorosa e muito mal feita. — Tipo, qual a chance de sermos reconhecidos nesse... qual que é o nome do bar mesmo?
— Cheers & Beers — respondo para ela, ajustando meus cabelos falsos e colocando um boné igualmente horroroso. — E com certeza seremos reconhecidos. Era tudo uma mentira: vou te levar para um restaurante chiquérrimo, três estrelas Michelin. Naquele lugar você encontrará a alta elite de Fort Pierce: bêbados barrigudos que adoram cantar músicas country. Só gente chique.
Ela revira os olhos diante do meu comentário sarcástico, dando risada ao mesmo tempo.
— Tô falando sério! E se algum daqueles bêbados barrigudos te reconhecer? O que vamos fazer?
— O máximo que pode acontecer é esse bêbado em potencial pedir uma foto comigo para mostrar a sua filha. — Tento acalmá-la, ainda me ajeitando em frente ao espelho. Além das perucas, comprei algumas roupas “comuns”. Por comuns, quero dizer sem serem de grife. — Relaxa, é um lugar tranquilo. Já fui lá algumas vezes.
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O SOM DO IMPROVÁVEL
Fanfiction(+18) FANFIC VONDY Christopher Alexander é o típico astro do rock que todos amam odiar: talentoso, charmoso e cheio de problemas. Liderando a famosa banda "Furia Azteca", ele vive cercado por polêmicas, festas intermináveis e manchetes escandalosas...