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Enquanto andava pelos corredores após o almoço, Ártemis cantarolava baixo, observando o céu pela janela. O tempo estava cinzento, carregado, e uma brisa fria soprava pelas frestas do castelo. Possivelmente haveria chuva mais tarde.

— Grindelwald.

A voz áspera e rouca fez com que Ártemis parasse e virasse o rosto. O professor Moody estava encostado na parede ao fim do corredor, sua expressão severa e sua perna de madeira fazendo barulho levemente enquanto ele mudava de posição. O olho mágico girava inquieto, analisando-a dos pés à cabeça.

— Quando é sua aula comigo? — perguntou ele, sem rodeios.

Ártemis ergueu uma sobrancelha, desconfiada com o interesse repentino.

— Amanhã.

Moody soltou um som gutural, quase como um riso seco.

— Besteira. Venha hoje. Vou colocá-la com os alunos da Grifinória.

A sonserina cruzou os braços. Lançou um olhar desconfiado para Moody, mas a curiosidade falou mais alto. Ela arqueou uma sobrancelha, divertida, e deu um passo à frente.

— Não sei, Moody… esse seu "não pode esperar" tem cara de mistério sombrio. Isso não vai me envolver em nenhuma conspiração maluca contra o Ministério, vai? Porque, se sim, eu prefiro já avisar, eu sou boa nisso de me meter em encrenca, mas nunca gostei de encrenca sem aviso. — ela deu um sorriso de lado, tentando aliviar o clima estranho, mas o olhar inquieto de Moody a fez engolir um pouco a brincadeira.

Moody ficou em silêncio por um momento, o olho mágico girando com intensidade, e, ao invés de responder, fez um gesto impaciente com a mão.

— Você gosta de complicar as coisas, Grindelwald. Não tem nada disso. Só venha. E você pode chamar de mistério, se quiser.

Ártemis se aproximou um pouco mais, com um sorriso travesso.

— Bom, não posso negar, adoro uma boa dose de mistério, mas você ainda vai ter que me convencer de que estou segura com você, "professor".

Moody, aparentemente tentando não sorrir, assentiu.

— Se você tivesse a metade da cabeça que pensa ter, saberia que a segurança é o menor dos seus problemas, garota.

Ela riu baixinho, sentindo o peso da ameaça, mas também a tensão quebrada. Estava se divertindo mais do que imaginava.

— Está bem, lá vou eu. Mas eu vou ficar de olho em você, velho.

Moody a observou enquanto ela se afastava, um leve sorriso aparecendo em seus lábios, ainda que ninguém visse.

— Pode deixar, Grindelwald.

Ártemis se virou abruptamente, encarando o professor. Moody arqueou a sombrancelha, esperando.

— Sabe que tenho aula, né? — perguntou ela, como se de repente lembrasse daquilo. — O senhor já sabe que sou de encrenca mas...

Moody levantou a mão, interrompendo-a antes que pudesse dizer mais.

— Eu resolvo isso com seu professor. — seu olho mágico girou mais uma vez, desta vez observando ao redor, como se certificando-se de que estavam sozinhos. — Apareça na minha sala em quinze minutos.

Ártemis hesitou. Havia algo estranho no modo como ele a olhava — uma mistura de fascínio e um certo deleite mal disfarçado, como se estivesse diante de um prêmio inesperado. Mas ela não conseguiu decifrar completamente.

— Tudo bem, então.

Moody sorriu, mas era um sorriso que não combinava com seu rosto.

Ártemis virou-se rapidamente. A ideia de dividir aula com os grifinórios não era exatamente agradável, mas a insistência de Moody a deixava mais curiosa do que preocupada.

WICKED GAME | HERMIONE GRANGERHistórias para pegar e não largar. Descubra agora