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Cheguei a conclusão de que eu não consigo postar uma maratona por agora. Perdoem, mas estou com três capítulos para revisar e sem tempo. Juro que vou tentar postar com mais frequência.

Boa leitura!

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Ártemis Grindelwald point of view

Era raro ver Dartmoor ensolarada. Tão raro que merecia comemoração. O céu, por uma vez, não estava coberto de nuvens; o vento ainda era frio, mas o sol atravessava o nevoeiro como quem desafia as regras do lugar.

Eu estava sentada numa velha cadeira de praia no jardim dos fundos, com as pernas esticadas e um livro aberto no colo. A luz dourada tocava a grama aparada e fazia as gotículas de orvalho brilharem como se alguém tivesse espalhado poeira de fada por ali. O cheiro de lavanda vinha das moitas próximas, e, ao fundo, os muros baixos de pedra cobertos de musgo delimitavam o terreno até o portão de ferro que dava pra floresta.

O jardim parecia infinito — um pequeno labirinto de arbustos, roseiras e árvores retorcidas que se curvavam com o vento. Era o lugar onde o silêncio tinha som, e o tempo, vontade própria.

Virei a página, mas algo me distraiu: um estalinho metálico.

De novo.

Levantei o olhar.

Do portão, pequenas pedrinhas saltavam pelo ar, ricocheteando na grade antes de cair de volta na grama.

Franzi a testa. Por um segundo, o sangue gelou. A floresta de Dartmoor não era exatamente o tipo de lugar onde se esperava visitas. Fechei o livro devagar, me levantando.

Caminhei até o portão, sentindo o chão úmido sob os pés descalços. Quando toquei o ferro frio da grade, uma risada estourou do outro lado.

— Boo!

— Minha nossa...! — Dei um passo pra trás, o coração disparado. — Belladona Caldwell, você quer que eu morra aos 14?

A garota à minha frente segurava o estômago de tanto rir. Era pequena. O cabelo castanho estava preso num coque malfeito, os olhos verdes brilhando de travessura.

— Ah, por favor — disse ela, limpando uma lágrima de riso. — Você é o tipo que assustaria o Ministro só com a altura.

— E você parece o tipo que morreria pisoteada por mim — retruquei, abrindo o portão pra deixá-la entrar.

Belladona deu de ombros, ainda rindo, e pulou o batente como quem já conhecia o caminho de olhos fechados. O que talvez fosse verdade.

— Arturus viu movimentação na casa — disse ela, apontando pro telhado. — Luzes, gente indo e vindo... ele apostou comigo que era você. E adivinha? Ganhei.

— Que honra — sorri, revirando os olhos. — Diga a ele que minha volta não é exatamente um evento social.

— Ah, mas podia ser. — Bella girou no meio do jardim, abrindo os braços. — Sol, chá, fofoca... e a bruxa mais alta da Inglaterra de férias aqui! Você devia aproveitar mais.

— Estou tentando — respondi, olhando pro livro esquecido na cadeira. — Só não sei se o sol está tentando comigo.

Ela riu de novo, e ficou séria de repente.

— Nossa... — murmurou Bella de repente, estreitando os olhos. — Seu cabelo tá diferente. O que fez?

Toquei uma mecha sem pensar.

— É a luz.

— Luz? — Ela se aproximou, segurando um fio entre os dedos. — A menos que a luz de Dartmoor agora venha com pó de fada, isso aqui não é castanho. Tá... — ela girou a mecha, observando sob o sol — loiro. Não, espera... prateado?

WICKED GAME | HERMIONE GRANGERHistórias para pegar e não largar. Descubra agora