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Ártemis Grindelwald point of view

A luz que atravessava os vitrais da enfermaria me cegou por um momento. Estava claro - manhã, provavelmente. Pisquei algumas vezes, tentando ajustar a visão embaçada, e foi aí que notei.

Ao meu lado, uma fila de vasos com flores que pareciam estar competindo entre si, cestas com doces embrulhados em fitas, até uma pequena vassoura em miniatura repousava sobre a mesa de cabeceira. Mas o que mais me chamou atenção foi o brilho intenso e dourado do ovo de ouro, reluzente como se me lembrasse do que eu havia enfrentado. Ele estava ali, bem à vista, como um troféu - e talvez uma lembrança do preço.

Antes que eu pudesse processar tudo, a porta rangeu e Madame Pomfrey entrou com sua típica expressão de "mais um trabalho para mim".

─ Ah, então resolveu acordar, foi? ─ disse ela, cruzando os braços, mas havia um alívio em seus olhos. ─ Primeiro dementadores, agora dragões... e ainda por cima essa bagunça de presentes! ─ bufou, olhando para a lateral da cama. ─ Parece mais uma feira do que uma enfermaria.

Tentei me endireitar, mas assim que movi a cabeça, uma pontada aguda percorreu minha têmpora. Levei a mão até lá e senti a bandagem enrolada com firmeza.

─ Ai... ─ murmurei. ─ Que inferno foi isso?

─ Exatamente por isso devia ficar deitada! ─ ela se aproximou, ajeitando meus travesseiros com mãos firmes. ─ Você precisa de repouso.

─ Mas eu já dormi demais! ─ resmunguei. ─ Quanto tempo eu fiquei apagada?

Ela suspirou, erguendo a sobrancelha como se esperasse essa pergunta.

─ Três dias. Você esteve desacordada por três dias inteiros, Srta. Grindelwald.

─ Três dias?! ─ arregalei os olhos. ─ Tá brincando...

─ Queria eu estar - disse ela, um pouco mais suave agora. ─ Foi um desgaste muito grande. Você se feriu mais do que gostaria de admitir.

─ Ora, mais um motivo pra me levantar ─ retruquei. ─ Três dias é quase um século! Minhas pernas devem ter esquecido como se anda.

Ela me lançou um olhar firme por cima dos óculos.

─ Ártemis Grindelwald... ─ começou, com aquela voz de quem não vai ceder... e depois suspirou. ─ Façamos o seguinte: você fica deitada, quieta, sem tentar bancar a heroína rebelde por pelo menos mais uma hora. E em troca eu trago um pudim de chocolate.

Meus olhos se acenderam.

─ Feito.

Ela assentiu, já se virando para sair.

─ Vou buscar o pudim. E avisar ao Professor Dumbledore que nossa campeã finalmente decidiu abrir os olhos. Mas não tente fugir enquanto eu estiver fora. Juro que coloco um feitiço de contenção nessa cama se for preciso.

Sorri com a cabeça afundada no travesseiro, olhando de relance para o ovo ao meu lado.

─ Eu não sonharia com isso, Madame Pomfrey.

Mas, por dentro, eu já estava planejando escapar assim que acabasse o pudim.

Algum tempo se passou. Eu tinha perdido a noção das horas, de tão entorpecida pela dor e pela curiosidade ─ e pelo tédio também. Foi então que a porta da enfermaria se abriu outra vez. Madame Pomfrey entrou com uma bandeja nas mãos, equilibrando um pequeno potinho de pudim de chocolate, e atrás dela vieram Dumbledore, Professora McGonagall e minha mãe.

─ Aqui está seu pudim, como prometido ─ disse Madame Pomfrey, me entregando com um leve sorriso. Peguei a colher com uma pressa quase infantil e murmurei:

WICKED GAME | HERMIONE GRANGERHistórias para pegar e não largar. Descubra agora