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Ártemis Grindelwald point of view

Eu estava na sala comunal, cercada pelos de sempre. Eles falavam sobre fofocas recentes, sobre trabalhos atrasados e, no caso do Blaise, sobre uma aposta idiota que eu já sabia que ele ia perder. Normalmente, eu entraria na conversa. Mas, naquele dia, só fiquei mexendo distraidamente no anel do meu dedo, sentindo minha mente longe dali. 

Por vezes, Hazel me olhava de lado. Reconheci aquele olhar. Era preocupação. Dava para ver que ela se sentia mal por não conseguir fazer nada. Mas era isso, não há nada o que fazer.

Cansada do olhar de pena, decidi que já tinha ficado tempo suficiente. Peguei o primeiro livro da mesa e subi para a biblioteca.

O silêncio me recebeu como sempre, mas não trouxe o alívio de costume. Sentei numa mesa afastada, abri o livro e fiquei encarando as palavras sem realmente lê-las. O tédio me consumia. O arrastar de uma cadeira ao meu lado me tirou do transe. 

Levantei os olhos e vi Elizabeth Blackwood. Revirei os olhos, imaginando o que viria.

─ Não sabia que a biblioteca era um refúgio agora. ─ ela disse, com aquele sorrisinho irritante.

─ E eu não sabia que você lia. ─ respondi, no mesmo tom.

Ela se acomodou, abrindo um livro que, pela forma como segurava, claramente não pretendia ler. Ficamos trocando farpas desse jeito por um ou dois minutos, até que eu suspirei fundo.

─ Não tô com cabeça pra isso hoje, Blackwood.

─ Pra me aturar ou pra falar com qualquer pessoa?

─ Pros dois. ─ falei, fechando e abrindo o livro só pra ter algo que fazer com as mãos.

Ela me observou em silêncio por alguns segundos, e então soltou:

─ Eu sinto muito pelo que aconteceu. De verdade.

Por um momento, ela parecia sincera. Eu apenas assenti, sem saber muito bem o que responder.

Então, de repente, senti a mão dela pousar no meu antebraço. Foi quase superficial, mas o suficiente para que meus músculos se enrijecessem. Afastei o braço quase sem pensar e voltei a encarar o livro aberto, mesmo sem ler uma única linha.

─ Não faz isso. ─ falei mais seco do que queria, mas não tirei os olhos do livro.

─ Eu só estava tentando ser... humana. ─ Elizabeth respondeu, a voz um pouco mais baixa.

Revirei os olhos. 

Claro. Justo agora ela resolvia descobrir a humanidade.

─ É, bom, parabéns pela tentativa. Pode parar agora.

Ela não recuou. Podia sentir o olhar dela preso em mim, incômodo. E foi aí que percebi algo diferente no jeito dela me encarar. Era algo que eu não queria - nem precisava - ver. E, principalmente, algo que não era dela para oferecer. Porque, no fim, só existia uma pessoa capaz de atravessar minhas barreiras.

Fechei o livro de repente e empurrei a cadeira para trás, erguendo o queixo.

─ Escuta, Blackwood. Eu já tenho gente suficiente tentando entrar onde não deve. ─ falei num tom baixo. ─ Não preciso de você somando na lista.

Elizabeth arqueou a sobrancelha, surpresa. Mas, pela primeira vez, pareceu entender.

─ Então tem alguém. ─ murmurou, quase para si mesma.

Meu coração falhou um batimento. Maldição.

─ Cuidado com o que você inventa, Blackwood. ─ respondi rápido demais, minha voz mais afiada do que planejei. ─ Imagina só, um boato desses correndo por Hogwarts. Nem imagino o que aconteceria se isso chegasse até Rita Skeeter.

WICKED GAME | HERMIONE GRANGERHistórias para pegar e não largar. Descubra agora